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Reflexão

31 de outubro de 2007 Deixe um comentário

CONSCIÊNCIA NEGRA E CAMINHOS PARA A EDUCAÇÃO

 

              * Helcias Pereira

 

 

“ Eu não vou festejar redentora que a história diz por aí… redentora pra mim foi Luiza Main, Pedro Ivo, Negro Cosme e o grande Zumbi”

(Musica de domínio popular muito cantada pelos APNs do Brasil)

 

Durante vinte e dois anos, acompanhando e vivendo a trajetória do Movimento Negro local e nacional, pude aprender com todas as dificuldades possíveis o quanto é importante estar dentro do processo e ser sujeito da história em busca da transformação da sociedade, mesmo que em alguns momentos tivesse que parar para poder respirar um pouco e continuar firme na caminhada.

 

Acredito que se deixar conceber negro numa sociedade cuja ideologia do branqueamento camufla toda uma cultura eurocêntrica  em favor evidente da hegemonia branca, o cidadão negro demonstra sobretudo uma resistência e se auto-afirma diante de tantas históricas injustiças e humilhações.

 

Desta forma é fácil entender que a tal democracia racial no Brasil não passa de uma farsa, mesmo tendo engessado por séculos a idéia que tudo estava dentro de um processo de naturalidade, onde se fez acreditar  que ser negro é sinônimo de aculturação, inferioridade e todo tipo de pejoratividade. Portanto, foi e continua sendo muito difícil assumir essa condição étnico-racial afroameríndia, mediante principalmente a toda uma prática ainda de rejeição “ao outro” por causa da cor da sua pele e da sua condição social.

 

Como então poderemos mensurar a importância da consciência negra dentro da sociedade e transversalizar essa mesma consciência no âmbito educacional? Como trabalhar a identidade da criança negra e não negra dentro do processo de convivência, considerando todas as adversidades?

 

É de suma importância que o cidadão tenha clareza sobre a diferença entre raça e etnia, racismo e etnocentrismo, preconceito e discriminação racial e ainda mais, saber que a ideologia do branqueamento reforça a então falsa democracia racial.

 

O que dizer então da questão da IDENTIDADE? Eu costumo dizer que uma pessoa que não conhece sua própria história, não tem história pra contar! A identidade não se cria do nada, ela emerge das relações criadas e muito mais ainda das referências culturais, entre os grupos sociais.

 

No caso da IDENTIDADE NEGRA a exemplo de outros, tipo: Gênero, sexuais, nacionalidade, etc… É algo muito distinto; é na verdade uma afirmação de pertencimento a um grupo social de referência, e que se constrói gradativamente e geralmente primeiro na família e depois se expandindo a partir de outras relações. É claro que dependendo do nível de conscientização da família quanto a etnicidade, esse processo de identidade poderá ser bastante significativo dado a sua afirmação, ou então ao contrário.  Por isso a educação se torna eminentemente importantíssima para fomentar o processo de auto-estima e seguridade frente a essa afirmação diante da sociedade em geral. Essa segurança sem dúvida contribui no combate ao etnocentrismo e ao eurocentrismo. Por isso é imensamente importante que o educador de forma em geral esteja sensibilizado e, sobretudo, preparado para trabalhar essas questões. 

 

Nesse sentido, algumas reflexões são inevitáveis, por exemplo:  como trabalhar o conceito de RAÇA e ETNIA?

 

Dependendo da leitura que cada um venha a fazer sobre o termo RAÇA, normalmente essa questão está ligada a prática do racismo, devido a todo um processo de discriminação existente no Brasil, cuja IDEOLOGIA DO BRANQUEAMENTO teima em camuflar essa prática, propagando de forma descarada a existência da DEMOCRACIA RACIAL.

 

Falar sobre raça exige no mínimo uma atenção na forma como a ela se refere, dado a sua complexidade. Há quem diga que só existe uma raça; a humana, naturalmente, tentando afirmar que independente da cor da pele e das nacionalidades, a humanidade respeita e cumpre os direitos sociais para todos, como se todos fossem iguais.

 

Se tomarmos, por exemplo, a proporcionalidade de trabalhadores negros e afro-descendentes nas grandes lojas e supermercado, facilmente observaremos uma grande incidência de pessoas não negras em muitos casos incorporadas institucionalmente ao padrão europeu, demonstrando dessa maneira uma prática camuflada de exclusão e segregação da raça negra. Ou será que nesses estabelecimentos, o povo negro não aparece para apresentar seus currículos? Está mais do que claro que existe uma prática de anulação étnica, cujo padrão de beleza é europeizado desde o anúncio nos jornais exigindo boa aparência.

 

Nesse sentido a palavra raça recai em forma de luta para os que descendem do povo afro-ameríndio, e de certa forma com tranqüilidade dos não negros, devido à padronização eurocêntrica existente.  É muito fácil saber nas entrelinhas que ser “bom ou ruim”, “capaz ou incapaz”, ter ou não boa aparência, evidencia cotidianamente uma espécie de segregacionismo, cuja prática do preconceito racial está arraigado na índole de brasileiros e estrangeiros que exploram mão-de-obra barata dentro do sistema capitalista.

 

É claro que a idéia de que a humanidade se divide em raças superiores e inferiores, esta fora de cogitação, haja vista a repulsa da prática do neo-nazismo, a qual alude aos anos de 1939 a 1945 a liderança do ditador Hitller que impôs a idéia de utilização do termo raça humana como forma de dominação de toda uma política e cultura no sentido de penalizar vários grupos étnicos sociais, tanto na Alemanha quanto nos países aliados.

 

Então dentro dessa realidade, refletindo essa situação, muitos intelectuais passaram a usar o termo etnia, naturalmente para se referirem ao povo negro. Nesse caso, ETNIA refere-se ao pertencimento ancestral e étnico racial dos negros, ou seja, uma vez tendo uma identidade, um grupo ou pessoa se afirma definitivamente pela língua, pela cultura, pelas tradições e por várias expressões. Enquanto pessoas é natural que tenhamos muitas semelhanças, no entanto somos diferentes sim, nos expressamos de forma muito parecida no âmbito cultural, na dança, etc.,  temos corpos, olhos, cor da pele, cabelos, tudo diferente! É lógico que essa riqueza; essa diversidade cultural contribuiu e contribui no crescimento social, histórico, político e cultural do Brasil. Porém, essa diferença é colocada de lado quando se trata de garantia da igualdade e da dignidade étnico-racial.

 

Os afro-ameríndios ao sofrerem historicamente a amargura do preconceito e da discriminação racial buscam combater essa prática diariamente, e devido as dificuldades ainda encontradas, apesar de alguns avanços, percebem que essa missão não é apenas para a militância negra e seu povo, mas sobretudo, para cada cidadão; para toda sociedade.

 

É evidente que o RACISMO é uma prática de extrema complexidade. De um lado um grupo se sente superior a um outro por causa das idéias, de organizações sociais, etc… Por sua vez, alguém agride e exclui o outro por causa da cor da pele, por aversão, ódio, etc., Nesse caso existem práticas raciais onde de forma coletiva ou individual manifesta-se ódio e aversão, agredindo o individuo que não tem a cor da sua pele igual, ou que por ventura more numa região que ele não goste por pré-conceituar inferioridade. Por outro lado, existe também o racismo institucionalizado a exemplo do regime político do Apartheide da África do Sul, durante os anos de 1960, 70 e 80, onde a população sul-africana perdeu completamente sua cidadania por conta do regime político segregacionista, e várias formas de humilhação ao povo negro em geral. No Brasil a idéia da democracia racial, escamoteia essa realidade, transformando a prática do racismo algo sem notoriedade e condicionando suas vítimas a aceitarem com naturalidade essa prática, como se fosse natural viver a margem da sociedade.

 

O ETNOCENTRISMO, no entanto, é um termo que expressa um sentimento de superioridade que uma cultura tem sobre a outra, sentir que seus valores e sua cultura são melhores e mais correta que o outro é algo que agrada ao etnocêntrico. É na verdade um sentimento que faz parte das pessoas, às vezes provocando um comportamento de recusa da diferença, cultivando uma idéia fixa de desconfiança do outro. De fato, esse sentimento de forma mais arraigada, pode provocar reações que expressem a prática do racismo.

 

Duas outras práticas dentro dessa contextualidade são: o PRECONCEITO RACIAL e a DISCRIMINAÇÃO RACIAL. Preconceito corresponde à prática do conceito prévio, onde se julga negativamente o outro, seja ele de um grupo étnico/racial, religioso ou de situação diferenciada dentro de algum papel social. Essa opinião formada antecipadamente, sem conhecimento dos fatos, é uma forma também etnocêntrica de negação do outro. Uma pessoa preconceituosa é capaz de se fechar numa determinada opinião, anulando qualquer possibilidade de aceitar o outro diante dos fatos, sua prática sectária, corresponde também à capacidade de impedimento de uma necessária abertura para que outros conhecimentos sejam aprofundados, ou seja, sua postura quase sempre não é re-avaliada. Nesse caso, a discriminação racial é na sua essência uma forma discernida de praticar o racismo e a sustentação do preconceito.  O mito da democracia racial tentou por décadas camuflar essa prática, afirmando através dos seus meios de comunicação que não existe preconceito racial no Brasil, portanto, para os que defendem essa ideologia, é como se aqui não existisse discriminação racial.

 

O que dizer então de todos os exemplos de descriminação racial direta, tramitando nas instancias judiciais? O que dizer do Governo Federal que assumiu publicamente no ano 2000 que o Estado Brasileiro tem uma dívida secular com os povos negros e indígenas? O que dizer da Conferencia Mundial em Durban – África do Sul em 2001, onde o Brasil mais uma vez assumiu sua condição de ainda deixar ser alimentada toda uma prática racista e discriminatória contra o povo afro descendente? Nesse caso, o mito da democracia racial “vai por água abaixo”. Querer negar a desigualdade racial entre brancos e negros, é igualmente afirmar que o tratamento entre esses grupos raciais é igual. É a mesma ideologia que perpetua acirrando os estereótipos, preconceitos e discriminações sobre o povo afro-amerindio-brasileiro. Esta prática portanto, é algo  no mínimo abominável, execrável da face da humanidade.

 

A DEMOCRACIA RACIAL é uma grande farsa como já afirmei, é claro que todos nós desejamos um Brasil justo e sem desigualdades, mas sabemos também que essa utopia advém de muito suor e sangue, a exemplo de todas as revoltas negras, como também a formação dos quilombos por todo Brasil e principalmente a do Quilombo dos Palmares que foi o de maior envergadura, se mantendo firme no seu apogeu por quase cem anos.

 

As discriminações e desigualdades raciais estão sendo discutidas e colocadas pelo governo brasileiro na linha de construção de políticas públicas de ações afirmativas. O Governo aponta caminhos importantes para o combate as desigualdades na sociedade, haja vista  a criação da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial  – SEPPIR; da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade – SECAD, ligada ao Ministério da Educação, os  vários fóruns intergovernamentais de promoção da igualdade racial, assim como a Lei 10.639/03 que obriga a escola trabalhar a temática negra em toda uma dimensionalidade; os programas nacionais como Saúde da População Negra, alimentação sustentável, comunidade tradicionais, etc… Apontam um grande legue de avanços e de luta para o Movimento Negro Nacional, sobretudo para todos os cidadãos que compreendem essa causa como sendo a luta da sociedade brasileira.

 

O Brasil não pode continuar negando o direito do povo negro ser feliz.

 

Fontes:

·        Coleção – Educação para todos –

Educação anti-racista: Caminhos abertos pela Lei Federal nº 10.639/03.

·        Henrique Cunha –

Me chamaram de macaco e eu nunca mais fui à escola.

 

 

* Secretário de Cultura da ONG ANAJÔ

Membro Consultor do Instituto Magna Mater

Anemia Falciforme

26 de outubro de 2007 2 comentários

 

 

           Alagoas tem 1ª Caminhada “O amor está no sangue”

 

 

Associação dos Falcêmicos de Alagoas realiza campanha de divulgação sobre a Doença Falciforme na orla de Maceió

 

 

Por: Helciane Angélica

(Jornalista – 1102 MTE/AL)

 

 

O dia 27 de outubro – Dia Nacional de Luta dos portadores de anemia falciforme – é uma data de grande importância no cenário nacional. A Associação dos Falcêmicos de Alagoas (AFAL) idealizou a 1ª Caminhada “O amor está no sangue” como parte integrante da mobilização, que será realizada amanhã (27.10), com concentração às 8h30 próximo à Pizzaria Vitória na Jatiúca.

Na caminhada estarão participando os portadores da doença falciforme (anemia falciforme); familiares e amigos dos pacientes; profissionais da saúde; lideranças de movimentos sociais e sociedade em geral. Em seguida, será realizada uma campanha sócio-educativa sobre a doença e distribuição de folhetos.

Segundo Vera Falcão, Presidente da AFAL, “é preciso sensibilizar a população e dar visibilidade na mídia sobre a doença falciforme, garantir o diagnóstico correto e melhores condições de tratamentos”. Para a execução desta caminhada, a Associação conta com o apoio do Ministério da Saúde, Vereadora Teresa Nelma, Coca Cola, Itagy e da ONG Anajô.

A AFAL foi fundada no dia 27 de setembro de 1999, é filiada à Federação Nacional das Associações das Pessoas com Doença Falciforme (FENAFAL), tem como missão: dar assistência aos portadores de anemia falciforme e lutar por seus direitos.

 

Anemia Falciforme

A anemia falciforme é o nome dado a uma doença hereditária, que provoca a deformação das hemácias (glóbulos vermelhos), desencadeando o formato semelhante a uma meia lua ou foice (de onde vem o nome da doença). Os glóbulos vermelhos são células ricas em hemoglobina, molécula que dá a cor vermelha ao sangue e tem a função vital de transportar o oxigênio dos pulmões aos tecidos, com o formato mutante tem dificuldade de se locomover nos vasos sanguíneos e possui vida útil limitada.

A doença originou-se na África e foi trazida as Américas pela imigração forçada dos negros escravizados, hoje é encontrada na Europa, Oriente Médio e regiões da Índia. No Brasil, cerca de 1 (um) em cada 8 (oito) afro-brasileiros tem o que é chamado de traço falcêmico (a hemoglobina é do tipo que predispõe à doença, mas não se manifesta).

Dentre os principais sintomas encontram-se: anemia comum (déficit de hemácias), fadiga, fraqueza, palidez, dificuldade de concentração e vertigens. Nos casos mais graves, pode causar também hemorragia, descolamento retiniano, priapismo, acidente vascular cerebral, enfarte, calcificações em ossos com dores agudas, insuficiência renal e pulmonar, dependendo da fase da vida. Em crianças, pode haver inchaço nas mãos e nos pés, causado pela obstrução de vasos naquelas áreas; são muitos magras e possuem problemas de crescimento; crises de dores e aumento drástico no número de infecções.

A doença não é contagiosa e não possui cura, porém existem vários tratamentos adequados inclusive para as formas mais graves. Para ser detectada basta apenas fazer um exame eletroforese de hemoglobina ou exame de DNA, e até mesmo no teste do pezinho. O desconhecimento da doença falciforme agrava a situação, provocando o diagnóstico errado e tardio, sendo uma  das causas da mortalidade precoce ou do agravamento das condições de saúde.

 

Mais informações: Vera Falcão = (82) 8829-2139 / 3342-2424

Mobilização

22 de outubro de 2007 Deixe um comentário

 

 

No Dia de Mobilização Nacional Pró-Saúde da População Negra uma série de atividades serão promovidas, entre elas, discussões sobre a importância do Quesito Cor no cenário das políticas publicas de saúde com o objetivo de informar a população sobre seus direitos e ampliar o debate sobre a importância do combate ao racismo e sua relação com saúde. É preciso que todos e todas saibam que discriminação e intolerância não combinam com saúde.

 

 Este ano a mobilização acontecerá nacionalmente no dia

 24 de outubro.

 

 

Local: Casa de Iemanjá – R.: D. Alzira Aguiar, n° 429, Ponta da Terra.

Hora: 19:00h     fone: 3231-0064     

3ª Rua atrás do Bompreço Pajuçara

 

 

PROGRAMAÇÃO 

19:00hAbertura.

               Fala de Pai Célio com Saudação aos Orixás. 

19:20hApresentação da Rede Saúde de Maceió.

               Rodrigo Petinati e Jackson Bartolomeu – Técnicos       Enfermagem. 

19:40hPalestra sobre Anemia Falciforme.

               Vera Falcão – Pres. Da Associação dos Falcêmicos de Alagoas. 

20:15hSaúde e a Mulher Negra.

               Elizete dos Santos – Tec. Enfermagem da Unidade de Emergência de Maceió. 

20:45hApresentação do vídeo Quesito Cor. 

21:00hDebates. 

21:30Encerramento, agradecimentos e ajeum com todos os participantes do evento.

Categorias:Informes

Encontro Afro-Alagoano

22 de outubro de 2007 Deixe um comentário

Memórias e Palavras da Literatura Negra são destaques na III Bienal do Livro

 

Gerência Étnico Racial realiza 28ª edição do Encontro Afro Alagoano com palestras, debates e lançamento de livro

 

 

Por: Helciane Angélica

(Jornalista – 1102 MTE/AL)

 

 

 

No próximo dia 24.10 (quarta-feira), dentro da programação oficial da III Bienal do Livro no Centro de Convenções de Maceió em Alagoas, será realizada mais uma edição do Encontro Afro Alagoano, que destacará as Memórias e Palavras da Literatura Negra.

A atividade terá início às 10hs com a entrega do Projeto que a SEEE fará ao Legislativo para formação do Grupo Inter-Governamental Executivo de Políticas Públicas (GIPE) para a Promoção da Igualdade Étnico-Racial, que é um instrumento estratégico de ação governamental de interlocução e escuta dos órgãos, fomentando a construção de uma sólida política integrada para a promoção da igualdade étnico-racial e de gênero, com base na sanção da lei nº 6.814, de 02 de julho de 2007.

Em seguida serão realizadas palestras e debates. A primeira palestra tem como tema As Memórias e Palavras da Literatura Negra nos Espaços Pedagógicos, que será ministrada por Heloisa Pires Lima, Doutora em Antropologia Social/USP, escritora de literatura infanto-juvenil e na mediação do debate encontra-se Sara Cerqueira, Diretora de Programas Especiais e Diversidade /SEEE

O Instituto Magna Mater (IMM) irá participar com a palestra de Patrícia Mourão sobre A Serra da Barriga e suas Memórias Literárias: Parque Memorial Quilombo dos Palmares. O IMM foi a organização não-governamental que idealizou e captou recursos para a construção do Parque Memorial Quilombo dos Palmares na Serra da Barriga em União dos Palmares. Helcias Pereira, Secretário de Cultura da ONG Anajô, será o mediador do debate.

Em relação ao tema central do Encontro, a Secretária Executiva do Instituto Magna Mater ressaltou que: “A cultura e os saberes africanos foram, durante séculos, transmitidos apenas através da oralidade. É importante ressaltar que a África é um continente com múltiplas e diferentes expressões culturais, artísticas e étnicas. Resgatar, divulgar e promover, tanto a Literatura Negra como a Escrita Negra em geral, é dar uma nova dimensão à forma de transmissão de todas essas expressões, numa escala muito maior”, afirmou Patrícia Mourão.

No período da tarde acontecerão momentos interativos nos stands da Secretaria de Estado da Educação e do Esporte e da Editora Bagaço. Também terá o lançamento do livro A Pequena África chamada Alagoas às 15hs – escrito por Arísia Barros, gerente étnico-racial da SEEE, é uma coletânea de artigos publicados em jornais locais e na Internet, além de ser fruto das experiências obtidas sobre racismo na escola e o trabalho desenvolvido sobre a implantação da História e Cultura Afro-Brasileira e Africana no currículo escolar.

Mini-entrevista

22 de outubro de 2007 Deixe um comentário

O BLOG Anajô realizou uma mini-entrevista com Arísia Barros.

 

Gerente Étnico-Racial da Secretaria Estadual de Educação e Esporte – desenvolve um importante trabalho na sensibilização e formação de professores, além de garantir atividades que promovam na prática das Leis 10.639/03 e 6.814/03, federal e estadual, que defendem a implementação da História e Cultura Afro-Brasileira e Africana na grade curricular das escolas públicas e privadas.

Arísia Barros reuniu suas idéias e experiências no livro “A pequena África chamada Alagoas", que remete à reflexão desde a capa. Confira mais informações sobre a publicação.

 

 

1. Desde quando você começou a produção do livro “A pequena África chamada Alagoas"?

O livro é uma coletânea de artigos publicados em jornais locais e na Internet. Para começar os artigos contei com o incentivo máximo do jornalista  Enio Lins que participou ativamente dos encontros afros e falava sempre da importância do trabalho que está sendo feito e conversas alheias. Ele me “intimou” a colocar as idéias no papel, daí o produto final. A Editora Bagaço do estado de Pernambuco, na pessoa do Sérgio Mello nos propôs editar o material e lançá-lo na Bienal. Isso tem só um mês. E o mais legal é que o trabalho da SEEE na questão étnico-racial já se expandiu, segundo Sérgio a proposta da  Editora surgiu do pioneirismo deste  trabalho. Legal!

 

2. Quais os assuntos abordados? (temas gerais) 

Sobre a relação que a escola tem com os “ditos diferentes”, principalmente, com as crianças negras. São narrações de histórias de discriminação racial acontecidas nos espaços escolares. Histórias contadas por mães, alunos/alunas e professores/professoras. É a busca de reflexão de como o racismo impede a construção da auto-estima, limita espaços sociais e de crescimento.

    

3. De que forma o livro poderá ajudar na educação dos alunos alagoanos (ou não) e na efetivação das Leis 10.639/03 e 6.814/07?

Como é fruto de experiências escolares, creio que ao serem partilhadas servirão de reflexão para outros professores/professoras e da importância urgente da releitura das práticas pedagógicas aprisionadas na ideologia eurocêntrica.

 

4. O que necessariamente da sua experiência como gestora étnico-racial contribuiu para o conteúdo do livro?

Estar à frente do Núcleo Temático agora da Gerência Étnico-Racial, da Secretaria de Estado da Educação e do Esporte criou condições para que pudéssemos ver e ouvir a escola, suas resistências e seus avanços para combater  a prática do racismo. Temos um conhecimento mais real de como se processa a exclusão racial.

 

5. Que pessoas ou instituições deram o apoio essencial para a produção desse livro?

Na verdade muitas pessoas estiveram e estão na construção. Quando os gestores da educação de Alagoas apoiaram a ação de combate ao racismo, com a criação do Núcleo Temático transformado agora em Gerência Étnicio-Racial criaram as condições de “escuta” sobre o silêncio secular  em relação à  história negra contada na escola. A imprensa alagoana, em particular os jornalistas Enio Lins, Flávio Gomes de Barros e Miguel Torres abriram espaço de visibilidade para nosso trabalho. É um trabalho de construção, participação, resistências.      

      

Lançamento do livro

 

O livro "A pequena África chamada Alagoas" foi produzido pela Editora Bagaço, será lançado no dia 24.10 (quarta) às 15hs no stand da editora, durante a programação oficial da III Bienal do Livro em Alagoas – Centro de Convenções.

A autora do livro, Arísia Barros, é publicitária e atualmente encontra-se como gerente étnico-racial da Secretaria Estadual de Educação e Esporte.

 

 

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* Produção de Helciane Angélica – Jornalista e Presidente da ONG Anajô

Categorias:Bate-papo

Mini-entrevista

22 de outubro de 2007 Deixe um comentário

O BLOG Anajô realizou uma mini-entrevista com Patrícia Mourão.

 

Secretária Executiva do Instituto Magna Mater, organização não-governamental que idealizou e captou recursos para a instalação do Parque Memorial Quilombo dos Palmares, construído no Platô da Serra da Barriga – local sagrado, palco de luta e sede administrativa do maior e mais importante quilombo, o Quilombo dos Palmares.

 

 

1. Na sua opinião qual a importância de discutir as "Memórias e Palavras da Literatura Negra" – tema da 28ª edição do encontro afro-alagoano de educação realizado pela Gerência Étnico Racial da SEEE dentro da programação oficial na III Bienal do livro no Estado de Alagoas?

A cultura e os saberes africanos foram, durante séculos, transmitidos apenas através da oralidade. É importante ressaltar que a África é um continente com múltiplas e diferentes expressões culturais, artísticas e étnicas. Resgatar, divulgar e promover, tanto a Literatura Negra como a Escrita Negra em geral, é dar uma nova dimensão à forma de transmissão de todas essas expressões, numa escala muito maior.

 

2. Como você avalia a produção da literatura negra (conteúdo e autores negros)? O que precisa ser aperfeiçoado?

Já existe uma sólida produção literária e intelectual por parte de autores negros – tanto africanos como afro-americanos que precisa ser mais conhecida pelo grande público. Não creio que haja alguma coisa a ser  "aperfeiçoada", pois acho que comparações podem gerar equívocos decorrentes do eurocentrismo, que tem estabelecido os padrões estéticos e artísticos. Acredito principalmente na urgência e na necessidade de dar visibilidade a essa crescente produção, não apenas no Brasil, mas no mundo. 

 

3. A gerente de educação étnico-racial, Arísia Barros, lançará oficialmente o livro que ela produziu intitulado "A pequena África chamada Alagoas”,  tema que remete à reflexão desde a capa. De que forma você avalia a contribuição desse material na efetivação da Lei 6.814/07? (estadualização da Lei 10.639/03, para o estudo da História e Cultura Afro-Brasileira e Africana na grade curricular de escolas públicas e privadas)

Acho de fundamental importância a publicação desse livro –  sendo uma das primeiras contribuições alagoanas – no processo de construção de uma literatura e de uma produção intelectual negras. Para a efetivação da Lei 6.814/07 (estadualização da Lei 10.639/03), muitos instrumentos não eurocêntricos poderão ser usados, como o Parque Memorial Quilombo dos Palmares (que considero uma opção de vivência e de experimentação. Entretanto, a criação de uma bibliografia temática é um divisor de águas para a perpetuação de forma mais sistemática de todos os saberes acumulados ao longo dos séculos, como também no reposicionamento das perspectivas, através de um olhar afro-descendente.

 

4. Que livros e autores foram referência nos estudos e formação dos membros do IMM, para a execução do projeto que originou o Parque Memorial Quilombo dos Palmares?

Primeiro, os “clássicos”: “Palmares – A Guerra dos Escravos” do Décio Freitas (e paralelamente “República de Palmares – Pesquisa e comentários em documentos históricos do século XVII” do Décio, editado pela EDUFAL) e “O Quilombo dos Palmares” do Edison Carneiro. Lemos absolutamente todos os livros e teses sobre esse assunto, e como referência bibliográfica sugiro acessar o nosso site: http://www.quilombodospalmares.org.br, na parte de “livros”, mas diria que estes dois são a base de tudo que se escreveu sobre esse tema. Como livro de leitura imprescindível hoje, como “resumo” e com uma visão mais moderna, recomendo “Palmares” de Flavio Gomes – professor de História da UFRJ e militante do Movimento Negro.

Artur Ramos, Prof. Luis Sávio de Almeida, Prof. Edson Moreira, Luiz Renato Vieira, Matthias Rohrig Assunção, Câmara Cascudo, Raul Lody e tantos outros, foram leituras obrigatórias para a construção do conteúdo histórico e cultural do Parque. Esse processo de criação do conteúdo foi também muito enriquecido pela tradição oral da cultura negra, onde casas religiosas de matriz africana foram nossas principais fontes.

Com a consultoria permanente do Helcias Pereira e do Prof. Zezito Araújo definimos também um aspecto importante do Parque: que língua seria predominante? Yoruba – que ganhou força e espaço através da difusão da cultura baiana neste último século, ou Bantu – a principal influência de Palmares? Como o Parque tem o objetivo de privilegiar o consenso das interpretações históricas e a valorização das principais expressões afro-brasileiras, contemplamos ambas – Yoruba principalmente nos aspectos religiosos do Parque, e Bantu na nomenclatura dos espaços construídos.

Entendemos que tínhamos o dever de colocar também referências poéticas negras. Para isso, convidamos o Lepê Correia, que  escreveu um poema – com terminologia fortemente Bantu – exaltando a cultura e a arte afro-brasileira e que pode ser ouvido na voz do Djavan.

 

 5. O Parque já se tornou um importante capítulo na história da Serra da Barriga. E na sua vida, de que forma foi escrito e qual a importância?

 Na minha vida esse capitulo foi e continua sendo escrito a muitas mãos. É uma coletânea de textos, poemas  e divagações, onde a liberdade de criação, questionamentos e reflexões tem sido a nossa principal vertente. É uma obra conjunta de muitos autores que, com generosidade e dedicação, estão ainda escrevendo essa estória.

 

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* Produção de Helciane Angélica – Jornalista e Presidente da ONG Anajô

 

Categorias:Bate-papo

Formação

22 de outubro de 2007 Deixe um comentário

ONG Anajô realiza cine-fórum especial com professores

 

A atividade executada no Parque Memorial Quilombo dos Palmares alterou positivamente a rotina de 20 professores de União dos Palmares

 

 

Helciane Angélica*

 

 

 

Na última sexta-feira (19.10), a ONG Anajô contribuiu no Encontro de Formação continuada para professores da Escola Paulo Sarmento, da rede estadual de ensino ligada à 7ª CRE na cidade de União dos Palmares. Foi uma atividade especial, já que se deu em um dos espaços do Parque Memorial Quilombo dos Palmares na Serra da Barriga, e contou com o assessoramento de Helcias Pereira – Secretário de Cultura da ONG Anajô e consultor do Instituto Magna Mater.

A metodologia utilizada foi a visita dos espaços contemplativos do Parque e o cine-fórum (recurso áudio-visual e debate). O documentário escolhido foi: ROMPENDO O SILÊNCIO – Descontruindo  Racismo e Violência na Escola (2003), um documentário de 30 minutos, produzido pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos/Governo Federal que contou com a coordenação geral de Elza Berquó e roteiro de Eduardo Duó, realizado pela Guela Cine Produções. Ressalta o papel dos professores na abordagem étnico-racial, a importância da formação desses profissionais e sensibilização sobre a temática.

Após a exibição, os professores foram divididos em grupos menores para debaterem sobre o conteúdo além de compartilhar informações e fatos verídicos. Ainda foi utilizado o texto “Consciência Negra e caminhos para a educação“ escrito por Helcias Pereira, que também serviu de subsídio durante a formação dos diretores da ONG Anajô realizado no dia anterior (20.10), momento em que outros documentários foram assistidos e debatidos para futuras atividades, a exemplos dos cine-fóruns durante o mês da consciência negra em Alagoas.

 

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* Jornalista e Presidente da ONG Anajô