COJIRA/AL

Jornalistas alagoanos entram na luta pela igualdade racial

 

 

Helciane Angélica*

                            

 

Você já parou para pensar quantos jornalistas negros existem em Alagoas? E quantos desses profissionais se reconhecem e tem orgulho da sua negritude? Reforçando, já parou para pensar quantos jornalistas, independente da cor da pele, estão preparados para abordar as questões étnicas-raciais e sociais em seu cotidiano?

Essas e outras perguntas, com certeza, ficam no imaginário de muita gente. Mais evidentes estão as indagações sobre a abordagem da mídia referente à tematização afro, que na maioria das vezes é factual, rápida e destaca apenas o aspecto cultural e não fala da importância histórica. Por que o povo afro-brasileiro ainda não se vê na grande mídia, aliás, ver sim: nas notícias policiais, que destacam a violência urbana e as fugas dos presídios; nos índices de analfabetismo e desemprego; nos corredores dos hospitais; nos carnavais da vida e jogando futebol – tudo nas entrelinhas.

Pensando em dar “Visibilidade às questões étnicas nos meios de comunicação e no mercado de trabalho” – tese do 31º Congresso Nacional dos Jornalistas, realizado em 2004 na Paraíba – vem sendo criada a Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira) em todo o Brasil, o que mobilizou a discussão e ampliou as ações da categoria.

Atualmente, existem quatro comissões formadas no território brasileiro, interligados aos Sindicatos de Jornalistas. A Cojira tem representação em São Paulo, pioneira em 2000; no Rio Grande do Sul, criada em 2001 como Núcleo de Comunicadores Afro-Brasileiros do RS; Rio de Janeiro em 2003; e Brasília, criada recentemente. Os jornalistas baianos também possuem interesse e devem lançar sua comissão até o final do ano.

Alagoas será o quinto estado da federação e o primeiro do Nordeste a implantar a Cojira. A data da instalação está prevista para o dia 27 de outubro, com a realização de palestras e apresentações afro-culturais. A atividade contará com a participação de jornalistas profissionais, acadêmicos de comunicação e lideranças do movimento negro alagoano. As inscrições acontecerão na sede do Sindicato dos Jornalistas de Alagoas (Sindjornal).

A Cojira/AL é mais uma conquista e referencia a luta do povo afro-brasileiro, principalmente, nesse estado onde se articulou a sede do Quilombo dos Palmares, na Serra da Barriga em União dos Palmares, solo sagrado e palco da resistência negra. Será mais um mecanismo de discussão sobre as ações afirmativas; luta anti-racismo e respeito; apoio nas ações políticas-culturais que promovam a identidade étnica-racial; desenvolvimento de pesquisas; interlocução com a sociedade; sensibilização e formação de profissionais e acadêmicos.

 

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* Jornalista e Presidente da ONG Anajô 

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