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Especial: Mês da Consciência Negra

12 de novembro de 2007 Deixe um comentário
 

ONG Anajô realiza cine-fórum no mês da consciência negra

 

 

Por: Helciane Angélica*

 

 

O Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô, organização não-governamental ligada ao movimento negro de Alagoas, realiza a atividade sócio-educativa, cultural e reflexiva intitulada cine-fórum, que integra a Celebração da Semana da Consciência Negra em Alagoas, promovido pela Fundação Cultural Palmares / Ministério da Cultura em parceira com Instituto Magna Mater (IMM).

O dia 20 de novembro – Dia Nacional da Consciência Negra, data de grande importância para o movimento negro, homenageia e imortaliza a liderança de Zumbi (o único herói negro nacional) e a resistência dos guerreiros quilombolas. Momento estratégico para refletir sobre a conjuntura sócio-política do povo afro-brasileiro, debate sobre o racismo, dar visibilidade à luta negra na mídia e exaltar as manifestações culturais.

A ONG Anajô desenvolve atividades durante o ano todo e no mês da consciência negra busca estimular o debate sobre a conjuntura do povo afro-brasileiro e a identidade étnico-racial. Serão executados cine-fóruns (projeção de documentários seguidos de debates) no período noturno em escolas da rede pública de ensino de Maceió, além da projetação de slides com fotos do Parque Memorial Quilombo dos Palmares, construído no platô da Serra da Barriga.

No dia 13 de novembro (terça-feira), os alunos da Escola Municipal Dom Helder Câmara no bairro do Feitosa assitirão o documentário Vista minha pele” (2006), com duração de 24 min foi produzido pelo Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (Ceert) de São Paulo sob a direção de Joel Zito Araújo. O documentário desenvolve uma sátira sobre a democracia racial no Brasil, além de fazer um convite à reflexão sobre a discriminação racial e o papel de cada indivíduo neste contexto.

Já no dia 14 (quarta-feira) será a vez da Escola Estadual Tavares Bastos localizada na Praça Centenário no Farol, que também trabalha com alunos portadores de necessidades especiais auditivas (surdos). Na ocaisão, serão exibidos slides sobre as Tecnologias milenares africanas e o racismo que as fazem invisíveis” (2005), sobre a importância do continente africano na evolução da humanidade. Material produzido por Luiz Fernandes de Oliveira, professor de Sociologia da Escola Técnica Estadual República (ETER). Realização: Núcleo de Pesquisa e Extensão (NUPE) e Coordenação de Informática da ETER.

  

* Jornalista (1102 – MTE/AL) e Presidente da ONG Anajô 
 

Especial: Mês da Consciência Negra

9 de novembro de 2007 Deixe um comentário

 

NADEC estimula atividade afro-cultural na Praça Palmares

 

Por: Helciane Angélica

(Jornalista: 1102-MTE/AL)

 

 

Integrantes do Núcleo de Apoio e Desenvolvimento da Capoeira (NADEC) e convidados participarão hoje (09.11) de uma roda de capoeira na Praça Palmares, a partir das 17hs no Centro de Maceió. A atividade visa o resgate afro-cultural da praça e integra as comemorações alusivas ao mês da consciência negra, momento estratégico para reflexão sobre a conjuntura sócia-política do povo negro e exaltação das manifestações afro-culturais.

O NADEC iniciou suas atividades em 2003 e busca incentivar a formação dos capoeiristas e perpetuar as informações repassadas por mestres de capoeira experientes. A entidade é formada por profissionais das mais diversas áreas, professores universitários e da rede pública de ensino; estudantes; capoeiristas de vários grupos de Maceió e outros municípios, além de simpatizantes. Dentre as atividades já desenvolvidas destacam-se a realização de palestras, debates, oficinas de capoeira e encontro de capoeiristas.

De acordo com José Carlos Pereira da Silva, historiador e professor de capoeira, a entidade. “A Praça Palmares já foi palco de importantes eventos promovidos por representantes do movimento negro. E o NADEC, na busca pelo resgate dos grandes momentos da capoeira em Alagoas, tem como objetivo realizar uma roda de capoeira toda a segunda sexta-feira de cada mês”, afirmou o coordenador do núcleo.

A capoeira é uma das principais riquezas da cultura afro-brasileira, uma mistura de dança, música, esporte, arte, brincadeira, enfim, considerada uma filosofia de vida para muitas pessoas. Praticada em 164 países, a capoeira é dividida em estilos: angola, regional e contemporânea (criada recentemente) – executados por capoeiristas das mais variadas classes sociais e faixa etária, sem descriminação quanto à religião, raça e gênero.

 

Contatos:

José Carlos Pereira da Silva: 8844-4838 / krlos_kpoeira@hotmail.com

 

Categorias:Capoeira

Especial: Mês da Consciência Negra

9 de novembro de 2007 Deixe um comentário

 

Cojira-AL participa de Ciclo de Debates sobre Ações Afirmativas

 

 

A convite da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), órgão ligado à Presidência da República, o Sindicato dos Jornalistas de Alagoas (Sindjornal), por meio da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira), participa do Ciclo de Debates “Ações Afirmativas: estratégias para ampliar a democracia”, que acontece no Centro de Convenções do Hotel Pestana, em São Paulo, até o dia 3 de dezembro.

A necessidade de inclusão de temas relacionados à população negra e à cultura afro-brasileira na programação da recém-criada TV pública dominou as discussões no quarto encontro do referido ciclo, no dia 22 de outubro. Outra questão de destaque tratada pelos participantes foi a perspectiva de contratação de profissionais negros e indígenas para atuar nos vários tipos de programas e nos telejornais da nova emissora, o que possibilitaria de fato tornar a TV Brasil mais representativa em relação à diversidade racial do país.

Participaram da mesa o secretário-executivo da Secretaria de Comunicação Social (Secom) do governo federal, Ottoni Fernandes Júnior, o diretor da Fundação Padre Anchieta (TV Cultura) Gabriel Priolli e a doutoranda em jornalismo e representante da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (Cojira-SP)  Rosane Borges. Como comentarista, o cineasta e pesquisador Joel Zito Araújo, e na coordenação da mesa, Nelson Inocêncio, da Fundação João Mangabeira.

Em sua apresentação, a integrante da Cojira-SP, Rosane Borges enfocou três práticas da mídia que denotam a prevalência do racismo: a representação negativa dos afro-descendentes em toda a programação, nas imagens de telenovelas e nos filmes; a presença diminuta de profissionais negros nas redações; e a cobertura parcial que se realiza pela grande imprensa, sempre contrária às ações afirmativas, particularmente quando são pautadas as cotas para negros e indígenas nas universidades.

Estratégias de atuação – O secretário-executivo da Secom Ottoni Fernandes Júnior destacou em sua exposição que é missão da Secom promover a diversidade étnico-racial e que esse desafio está inscrito como uma das prioridades da tevê pública. Defendeu a constituição de uma agência de notícias independente e especializada na temática racial para tentar influir na pauta dos veículos de comunicação e na consciência dos jornalistas, com o objetivo de que a abordagem seja mais freqüente e se dê da forma correta. Afirmou, por fim, que os sites se tornam ferramentas importantes de comunicação, o que merece atenção especial da sociedade civil para divulgar assuntos de seu interesse.

Invisibilidade – O cineasta Joel Zito Araújo apresentou dados de pesquisa recente realizada por ele com a programação da TV Cultura, da Rede Brasil e da TV Nacional para avaliar a presença de referências à cultura negra. De acordo com a análise, 82% dos programas não faziam referência alguma à cultura afro-brasileira e apenas 0,9% poderiam ser identificados como pertencentes à cultura negra. As produções que faziam referências à cultura negra, em mais da metade do programa, chegaram a 3,2% e as que traziam uma pequena referência a 3,9%.

Nos telejornais das emissoras pesquisadas, 88,6% dos apresentadores são brancos, 8,6% são negros e 0,8% descendentes de indígenas. Ele citou como exemplo um documentário exibido recentemente por uma das tevês estudadas sobre religiosidade, no qual uma repórter branca percorreu todo o interior do Nordeste brasileiro entrevistando a população. O programa exibido não trouxe uma referência sequer às religiões de matriz africana.

Segundo Araújo, fatos assim denotam que a tv pública não é expressão da diversidade racial e de classe existente no Brasil. "Isso acontece porque a tv pública expressa a visão da classe média alta, que quer ser contemporânea e segue tendências internacionais da moda", concluiu.

 

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Valdice Gomes é jornalista (MTE 288/AL)

Vice-presidente do Sindjornal /Vice-Regional NE 2 da Fenal

Integrante da Cojira-Alagoas

Vice-presidente da Ong Anajô

Especial: Mês da Consciência Negra

9 de novembro de 2007 Deixe um comentário

 

Jornalistas alagoanos na luta pela igualdade racial

 

 

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Alagoas (Sindjornal) estará realizando no próximo dia 24 de novembro, mês da consciência negra, o Seminário de lançamento da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira), que tem como objetivo contribuir para o debate e a reflexão sobre a realidade dos cidadãos afro-brasileiros e os mecanismos utilizados pelos meios de comunicação para abordar temáticas relacionadas à comunidade negra.  Desta forma, os profissionais de imprensa de Alagoas entram, efetivamente, na luta pela igualdade racial.

 O tema sobre relações raciais nos meios de comunicação começou a ser discutido no 31º Congresso Nacional dos Jornalistas, em 2004, em João Pessoa (PB), promovido pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), em tese apresentada pelas Cojiras dos sindicatos dos jornalistas do Rio de Janeiro e de São Paulo e pelo Núcleo de Comunicadores Afro Descendentes do Rio Grande do Sul. Na ocasião, o maior fórum de decisão dos jornalistas aprovou a recomendação de criação das comissões em todos os sindicatos filiados à Fenaj. Mais recentemente foi criada a Cojira do Distrito Federal. Alagoas será a quinta unidade da federação e o primeiro do Nordeste a implantar a Cojira.

Entre as finalidades da comissão podemos citar o apoio a ações voltadas para o reconhecimento da questão racial como tema transversal e fundamental no cotidiano do mundo das comunicações; apoiar e cobrar o cumprimento das políticas de combate ao racismo e de promoção da igualdade; capacitar e atualizar os profissionais jornalistas, professores e estudantes na temática étnico-racial, além de atuar em parceria com órgãos públicos, empresas privadas e entidades do movimento negro para ações de valorização da cultura afro-brasileira.

            Tantos desafios não são à toa. A invisibilidade do negro na grande mídia é uma realidade em todo País, seja na ausência de profissionais negros nas redações ou de programas que contemplem a diversidade étnico-racial. Em Alagoas não é diferente, em que pese quase metade da população ser formada de afro-brasileiros. A Cojira vem quebrar  um silêncio até então existente no meio sindical dos profissionais de comunicação.

O Seminário de lançamento acontecerá no auditório do Cefet, a partir das 8h30, e terá como palestrantes os jornalistas Miro Nunes, integrante da Cojira – Rio de Janeiro e Vera Deise, do Núcleo de Jornalistas Afro-brasileiros do Rio Grande do Sul. No encerramento será servido almoço à base da culinária afro-brasileira e apresentação artístico-cultural.

 Fazem parte da Cojira-Alagoas os jornalistas Valdice Gomes, Gerônimo Vicente, Mônica Lúcia, Riane Rodrigues e Helciane Pereira. A comissão é aberta a todos os jornalistas que queiram se integrar à luta contra a discriminação racial, inclusive estudantes de jornalismo.

As inscrições para o seminário são gratuitas e já começaram, podendo ser feitas pessoalmente no Sindjornal ou por telefone até o dia 22. As vagas são limitadas. Mais informações com Valdice (9999-1301) e 3326-9168.

 

 

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Valdice Gomes é jornalista (MTE 288/AL)

Vice-presidente do Sindjornal /Vice-Regional NE 2 da Fenal

Integrante da Cojira-Alagoas

Vice-presidente da Ong Anajô

Cinema

6 de novembro de 2007 Deixe um comentário
 
MOSTRA AFRooLHAR
 
Trinta e oito cineclubes, trinta e três cidades e quatorze estados brasileiros. Estes são os números finais do Circuito Cineclubista de Difusão Cultural, que acontece entre os dias 16 e 20 de novembro, com a exibição simultânea dos filmes escolhidos pelo Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros para compor a programação da I Mostra AFRooLHAR.
 
O objetivo da iniciativa é colocar em pauta a discussão sobre temas afro-brasileiros e demonstrar a viabilidade da implementação de um circuito alternativo de exibição digital no Brasil. A mostra será composta por cinco programas de filmes e vídeos brasileiros com temática afro-brasileira, durante a comemoração da semana da Consciência Negra.

Informações: afroolhar@cineclubes.org.br / (11) 9335-0463

BAHIA

6 de novembro de 2007 Deixe um comentário
 

PROGRAMAÇÃO SEMANA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

Centro de Estudos dos Povos Afro-Indio Americanos – CEPAIA

 

 

As atividades serão realizadas no CEPAIA – Centro de Estudos dos Povos Afro-Indio Americanos, será aberta ao público e gratuita. A instituição fica localizada na Rua do Carmo, Nº 04 – Centro Histórico na cidade de Salvador/ BA.

CONTATOS: (71) 3241-0787/0811 e pelo e-mail: cepaiauneb@gmail.com

 

 

EXPOSIÇÃO DE ARTE NEGRA:

Período: 06 a 13 de Novembro

Expositores: Genê e Gigante Negro

 

 

MESAS:

07 de Novembro das 14:00 às 17:00h

Mostra de filmes africanos

Responsável: Prof. Me. Detoubab Ndiaye

 

Palestra às 17:00h

Tema: Negritude

Participantes: Ângelo Flávio – Companhia de Teatro Abdias Nascimento (CAN).

Profa. Me. Nádia Cardoso – UNEB

Michel Chagas – Instituto Cultural Steve Biko

 

 

 08 de Novembro das 14:00 às 17:00h

Mostra de filmes africanos

Responsável: Prof. Me. Detoubab Ndiaye

 

Palestra às 17:00h

Tema: Arte, Educação e Cidadania

Participantes: Prof. Nelson Gonçalves – UCSAL

Profa. Dra. Janja Araújo – A cor da Bahia/ UFBA

Pedagoga Paula Azevixe – UFBA

 

Performance de Ângelo Flávio às 20:00h

Ator e Diretor do CAN – companhia de Teatro Abdias Nascimento

Especial: Mês da Consciência Negra

4 de novembro de 2007 Deixe um comentário

 

Ong Anajô inicia suas atividades no mês da consciência negra

 

Estudantes da rede federal de ensino são os primeiros que recebem o cine-fórum – atividade sócio-educativa, cultural e reflexiva

 

 

Por: Helciane Angélica

Presidente da ONG Anajô e Jornalista (1102- MTE/AL)

 

 

 

O Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô, organização não-governamental ligada ao movimento negro de Alagoas, iniciará suas atividades alusivas ao mês da consciência negra no dia 09 de novembro (sexta-feira) com a realização de um cine-fórum às 14hs no auditório de Construção Civil do Centro Federal de Educação Tecnológica (CEFET) em Maceió. A atividade integra a programação oficial da Celebração da Semana Nacional da Consciência Negra, uma promoção da Fundação Cultural Palmares e realização do Instituto Magna Mater.

O dia 20 de novembro – Dia Nacional da Consciência Negra, data de grande importância para o movimento negro, homenageia e imortaliza a liderança de Zumbi (o único herói negro nacional) e a resistência dos guerreiros quilombolas. Momento estratégico para refletir sobre a conjuntura sócio-política do povo afro-brasileiro, debate sobre o racismo, dar visibilidade à luta negra na grande mídia e exaltar as manifestações culturais.

A ONG Anajô realizará em novembro cinco cine-fóruns com um público heterogêneo, dentre: estudantes da rede pública de ensino de Maceió nos âmbitos municipal, estadual e federal, além de professores de União dos Palmares. Tem como objetivo a exibição de documentários seguidos de debates e projeção de slides com fotos do Parque Memorial Quilombo dos Palmares, construído no platô da Serra da Barriga.

A primeira edição do cine-fórum acontecerá com os alunos do ensino médio do CEFET, o Anajô recebeu o apoio da instituição de ensino e do Grêmio Estudantil Edson Luiz – Gestão Pensa. Na ocasião será exibido o documentário “De volta pra casa” produzido em 2005, com 28min de duração capta o olhar do jovem negro sobre as manifestações culturais de origem africana, com enfoque sobre a auto-estima, cidadania e a mídia. Dirigido por Adriana Santos e Jorge Moreno foi um dos vencedores do I Concurso Nacional de vídeos sobre história e cultura afro-brasileiras.

  

Serviços:

 

O que?: Cine-fórum Anajô

Quando?: 09 de novembro (sexta-feira)

Horário?: das 14 às 17hs.

Onde?:  Auditório da Construção Civil no CEFET-Maceió. Rua Mizael Domingues, s/n, Centro.

Realização: ONG Anajô

Contatos: 9913-6645 / 8831-3231 / 9341-0943

                 onganajo@hotmail.com

                 www.anajoonline.spaces.live.com

 

Especial: Mês da Consciência Negra

4 de novembro de 2007 Deixe um comentário

 

Parque Memorial Quilombo dos Palmares é realidade em Alagoas

 

Helciane Angélica

(Jornalista – 1102 MTE/AL)

 

 

O Parque Memorial Quilombo dos Palmares é o primeiro complexo arquitetônico de inspiração africana a exaltar o maior e mais importante de todos os quilombos. Construído no platô da Serra da Barriga (Cerca Real dos Macacos), templo da resistência negra e capital do Quilombo dos Palmares, é o único parque afro-cultural no Brasil e em todas as Américas que homenageia os guerreiros e guerreiras que lutaram por um ideal de liberdade.

Idealizado pelo Instituto Magna Mater (IMM), o projeto foi viabilizado com recursos do Ministério do Turismo e tem patrocínio da Petrobrás. Foram dois anos de intenso trabalho (idealização, pesquisa, sensibilização e construção) executado por uma equipe competente e heterogênea constituída por aproximadamente 250 pessoas, dentre: pesquisadores, consultores, historiadores, turismólogos, produtores, artistas, artesãos, engenheiros, arquitetos, arqueólogos e moradores da Serra.

Turistas de qualquer parte do mundo poderão aprofundar o conhecimento sobre a saga do povo palmarino que resistiu por quase cem anos aos ataques portugueses e holandeses. Os professores poderão visitar o Parque, vivenciando in loco a História e conseqüentemente efetivar a aplicação da Lei 10.639/03, que introduz a obrigatoriedade do estudo da História e Cultura Afro-brasileira e Africana na grade curricular das escolas públicas e privadas do Brasil.

Espaços temáticos foram nomeados com palavras de origem bantu e a língua yourubá para os aspectos religiosos. Foram construídos o Batucajé (dança ao som de tambores) que abriga o posto de informações e uma roda de capoeira, o restaurante Kúuku-Wáana (banquete familiar), Onjó de farinha (casa de farinha), Onjó cruzambê (Casa do Campo Santo), Oxile das Ervas (Terreiro das ervas), ocas indígenas e o palácio Muxima de Palmares (Coração de Palmares) todos em formato de pau-a-pique, cobertura vegetal e madeira de eucalipto alto clavado. As paredes de alvenaria são recobertas com taipa para se aproximar da arquitetura da época.

Para favorecer a contemplação, existem placas de sinalização que facilitam o deslocamento dos visitantes, textos interpretados em quatro idiomas (português, inglês, espanhol e italiano) em pontos estratégicos com um sistema inédito de áudio, são eles: espaço “Acotirene: uma saudação aos orixás”; “Quilombo dos palmares: a saga de palmares”; “Ganga-Zumba: palmares é uma nação”; “Zumbi: palmares é resistência e luta pela liberdade”; “Caá-puêra: dançando, comendo e bebendo” e “Aqualtune: reflexão, meditação e oferendas”.

Dentre os artistas nacionais consagrados que emprestaram suas vozes para a locução estão: Carlinhos Brown, Chica Xavier, Djavan, Leci Brandão e Tony Tornado. Na Lagoa dos Negros e próximo à Gameleira Sagrada é possível sentir as boas energias da natureza e escutar a música “Sossego” interpretada por Leila Pinheiro e com arranjos do maestro Almir Medeiros.

O Parque foi oficialmente entregue pelo Instituto Magna Mater (IMM) à Fundação Cultural Palmares no dia 24 de maio deste ano e encontra-se aberto para a visitação das 8h às 17hs, horário já estabelecido para o acesso a Serra da Barriga. Para obter mais informações sobre a história do Quilombo dos Palmares, cultura afro-brasileira, estrutura do Parque e entrar em contato com a equipe do IMM, visite o site www.quilombodospalmares.org.br.

 

Especial: Mês da Consciência Negra

4 de novembro de 2007 Deixe um comentário

A Consciência Negra e sua representatividade

 

 

Marcélia Santos*

 

O Brasil é caracterizado pela diversidade étnica, e isso nos torna uma sociedade extremamente miscigenada. Somos formados basicamente por afro-descendentes, portugueses e os povos indígenas.

Embora essa concessão entre os povos, essa diversidade cultural, é fácil ver a hierarquia de classes entre estes povos. Trata-se de um problema não só histórico, mas também, com evidências maciças na atualidade, tornando uma sociedade desigual, ocasionando exclusão social, levando especialmente os afro-descendentes à marginalidade.

É claro que não vemos na mídia ou nas escolas alguém assumir que existe racismo no Brasil, temos ouvido até que isto foi banido daqui. É preciso despertar e não deixar que esta prática seja levada às crianças e abolir de vez as pequenas e “inocentes” piadas pejorativas sobre o povo negro. Por que muitas pessoas tratam Zumbi como um “negro fujão” e não como um herói? Será que se ele tivesse lutado por uma causa “branca” ele teria tal fama?

Aí é onde entra a escola, com o papel principal na formação de uma sociedade justa e igualitária, com oportunidades para todos e mostrar que não importa a cor, raça, gênero, religião, naturalidade, nacionalidade ou outra característica inerente ao ser humano. Somos diferentes na diversidade cultural, mas iguais como criaturas, pois todos temos necessidades fisiológicas, financeiras e etc.

Em ralação a justiça social, as entidades que lutam pela causa étnica-racial e social tem que ser mais valorizada. E a população não pode calar-se diante do racismo e preconceitos em geral, denunciando e lutando para pessoa ou grupo de pessoas que cometeram o crime sejam punidos com todos os rigores da lei. Seja por bem ou por mal temos que fazer valer a Consciência Negra em nosso país, não só como mais um dia de comemoração e sim como uma luta por um ideal na sociedade brasileira.

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* Formada em Administração de Empresas, é integrante da ONG Anajô

 

Categorias:Opinião

Especial: Mês da Consciência Negra

4 de novembro de 2007 Deixe um comentário

Identidade Cultural Nordestina

 

Edisangela Santos*

 

É Indiscutível o pluralismo cultural do Brasil, contudo, mesmo com essa pluralidade é perceptível à presença de traços bastante peculiares dos principais povos formadores de nossa cultura. Há exemplo da região sul, que tem como traços fortes a cultura européia e o norte com a riqueza indígena. Entretanto, é na região Nordeste que encontramos uma raiz muito bem firmada na cultura negra e juntamente a esses traços alguns símbolos descriminados, como o sertanejo: cabloco com feições negras, sendo a população nordestina a maior representante dessa cultura (segundo IBGE) e talvez por isso duplamente discriminada, por ser nordestina e por ser negra.

O NE está intimamente ligado à monocultura da cana-de-açúcar, à vida rural e ao monopólio dos engenhos, sendo natural que suas raízes culturais fortifiquem-se na sociedade agrária. Com a decadência do ciclo dos engenhos e com o aparecimento das usinas de cana-de-açúcar, houve uma marcante modificação na vida sócio-política do nordestino. A casa grande foi substituída pela mansão urbana. O senhor de engenho estereotipou-se de usineiro. A família senhorial mudou-se para a cidade, o cabloco virou boia fria. Afirma Carmem Dantas em “Aspectos da Cultura Popular de Alagoas” (1986).

Os traços da cultura negra se mantém presente, o mais fortemente, naqueles que não haviam como deixar a terra senhorial. É notório o não conhecer dessa cultura nordestina marcada pela influência negra e a forma como a qual os cablocos ficaram subjugados a permanecer na terra onde outrora trabalhavam de maneira servil. Ainda hoje essas características sobrevivem com a visão de agradecimento e obediência, não mais aos senhores de engenho e sim aos usineiros, permanecendo a falta de acesso à cultura, saúde e educação, ficando esses presos, não mais aos ferros e as senzalas, mais a falta de acesso a um entendimento mais amplo da cultura e da sociedade, ou seja, ainda hoje persiste a luta pela liberdade.

 

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* É Relações Públicas, Produtora Cultural e Secretária Geral e de Comunicação do Anajô

Categorias:Opinião