Debate

 

 

Uncisal discute cotas raciais para a instituição

 

 

Texto e fotos: Helciane Angélica

Jornalista, Presidente do Anajô e integrante da Cojira/AL

 

 

 

                                                                         

 

 

Professores e representantes do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas realizaram mais um debate sobre as cotas raciais, desta vez, com a presença de representantes do movimento negro: Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô e a Pastoral da Negritude/Igreja Batista do Pinheiro. A atividade aconteceu na quarta-feira (11.06), na sede do Diretório Acadêmico de Medicina e serviu para desmitificar o preconceito e solucionar dúvidas sobre umas das mais conhecidas políticas afirmativas.

A Uncisal seguirá as exigências de 50% das vagas para alunos de escolas públicas, e ampliaram a discussão sobre a possibilidade de implantar a porcentagem para os negros e negras. O debate vem se intensificando e a comissão precisava ouvir a experiência de um militante, que pudesse transmitir a real importância das ações afirmativas: retirar o povo afro-descendente da marginalidade.    

  Helcias Pereira (foto), Secretário de Cultura do Anajô, é militante do movimento negro há 20 anos. Atuou como facilitador do debate e desenvolveu uma retrospectiva histórica sobre os avanços sócio-políticos para o povo afro-brasileiro. "As políticas de ações afirmativas não caíram de pára-quedas. É uma discussão antiga, oriunda da Conferência Mundial de Durban, realizada  na África do Sul em 2001", explicou.

 

                                                                                    

 

As cotas raciais, ou cotas compensatórias nas Universidades tem como principal objetivo a democratização do ensino superior. Além de ser considerada uma conquista de reparação (justiça histórica e étnica-cultural) para a população afro-descendente, que durante vários anos foi impedida de estudar, de garantir o desenvolvimento social e sofreu as mais variadas formas de discriminação.

No processo de seleção, os candidatos que se inscrevem pelo sistema de cotas concorrem com pessoas que estão no mesmo patamar, ou seja, mesma etnia e oportunidades semelhantes. Os critérios de avaliação são os mesmos para conquistar a vaga, é preciso atender a média mínima de cada curso, caso contrário a vaga é repassada para o montante maior, dos que não são cotistas.  "Não é só uma questão étnica e de capacidade, e sim de oportunidade. Ao contrário do pensamento popular, os cotistas não roubam as vagas dos brancos, ou candidatos capacitados", informou Helcias.

 Trata-se de um paliativo, por exemplo, na Universidade Federal de Alagoas (Ufal) a expectativa é de atuar em 10 anos. E os cotistas, mesmo com as dificuldades financeiras, estão surpreendendo até mesmo os mais otimistas e defensores das políticas de ações afirmativas. Os estudantes que entraram pelo processo de cotas são bons alunos, possuem desempenhos favoráveis com notas significativas; assíduos, participam de importantes atividades acadêmicas – projetos de pesquisa e extensão. Porém, as cotas ainda incomodam muito porque são ações reparadoras e trarão benefícios extraordinários, a médio e longo prazo, para o povo afro-descendente. 

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