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AVANÇOS

11 de janeiro de 2009 Deixe um comentário
 
 

Tambor Falante inicia suas atividades e tem depoimentos sobre a Lei 10.639/03

 

 

Foi lançado ontem (10.01), o projeto Tambor Falante – Ciclo de Debates, uma promoção da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira-AL), Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô e a Pastoral da Negritude da Igreja Batista do Pinheiro.
A primeira edição abordou a Lei Federal 10.639/03, que obriga a implantação do ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana no currículo escolar nacional. Estiveram presentes educadores, pesquisadores e lideranças de diversas entidades do movimento negro alagoano, que puderam expor suas críticas, propostas e relatar experiências.
Para dar início a atividades, foram lidos depoimentos adquiridos de pessoas importantes que atuam para o fortalecimento da lei, são eles: Ana Paula Silva, Arísia Barros, Bárbara Heliodora, Irani Neves e Zezito Araújo. Logo em seguida começou um rico debate que iniciou às 16h e se estendeu até a noite.
Confira o conteúdo:

Lei 10.639/03 e o Movimento Negro
Ana Paula Silva: Arte-Educadora, Diretora do Centro de Cultura e Cidadania Malungos do Ilê; Presidente do Fórum de Entidades Negras de Alagoas (Fenal)
“O desafio de construir, juntos, uma pedagogia da diversidade, que nos aproxime do universo simbólico e material pode ser verificado através da implementação da Lei 10.639/2003 que, institui a obrigatoriedade do ensino da História Afro-Brasileira e História da África no currículo escolar, impossível não ressaltar que essa Lei é resultante da luta do movimento e organizações negras do cenário nacional, a partir de constatações e semelhanças associadas e dada ao povo negro como o estigma de escravo, sem afirmar que antes do período escravocrata se tratava de cidadãs e cidadãos livres.
Nas escolas a discriminação racial manifesta-se no momento em que os agentes pedagógicos não reconhecem o direito à diferença própria de cada povo, indígena, negro, branco, asiático e acabam mutilando a particularidade cultural de um importante segmento da população brasileira que é discriminado nas salas de aula, não apenas pelo dito, mas, acima de tudo pelo que é silenciado.
É nosso dever enquanto agentes pedagógicos, educadores sociais e outros, provocar no anulado a manifestação do senso crítico sobre a eliminação da discriminação racial. E nosso compromisso social deve ser o de exigir dos governantes em todas as esferas, políticas públicas de educação que assegure o acesso e a permanência dos alunos na escola, com profissionais da educação que sejam capazes de lidar com temáticas e causas diferentes e assim eliminar de vez essa exclusão.

A LEI 10.639/03 É UMA PODEROSA FERRRAMENTA, CAPAZ DE TRANSFORMAR O SISTEMA EXCLUDENTE DO BRASIL E PROMOVER A DIVERSIDADE”.

 

06 Anos da Sanção da Lei Federal Nº 10.639/03


Arísia Barros: Co-autora da Lei Estadual nº 6.814/07. Consultora para aplicabilidade das políticas educacionais para uma pedagogia anti-racista: Lei Estadual nº 6.814/07 e Lei Federal nº 10.639/03. Coordenadora do Projeto Raízes de África (ONG Maria Mariá), Professora, Redatora Publicitária e autora do livro: A Pequena África chamada Alagoas.
"O preconceito racial muda a vida das pessoas de várias maneiras, estabelecendo relações humanas tensas e conflituosas, gerando a massificação dos estereótipos e a cultura da intolerância, da auto-negação e das angustiantes inquietações hameletianas: ser ou não ser, eis a questão!
O racismo se transfigura em manifestações pessoais e expressões coletivas criando uma certa esquizofrenia social. É preciso render-se ao desafio proporcionado pelo convívio com a cultura africana e o conhecimento múltiplo de quem esteja disposto a aprender e a ensinar. A Lei Federal nº10.639/03 mudou os parâmetros da educação pública, criou uma conversa íntima com as diversas histórias, substantivou as possibilidades de enriquecimento curricular; mas, o Brasil/Alagoas ainda atravessa a rua quando encontra África!"
 
 
 
Desafios da Implantação da Lei na Rede Privada de Ensino
Bárbara Heliodora Costa e Silva: Presidenta da CEB-CEE/AL; Presidenta da Federação dos Estabelecimentos de Ensino de Alagoas; Diretora do Colégio Galileu.
“A instituição da Lei 10.639/2003, não trata de mudança de foco etnocêntrico marcadamente de raiz européia para um foco africano.

A inclusão de História e Cultura Afro-brasileira e africana nos currículos da Educação Básica é uma decisão política com repercussão pedagógica, inclusive na formação do professor.
O desafio da implantação da Lei 10.639/2003, não é específico da Rede Privada de Ensino, mas de toda “sociedade brasileira” que visa acabar com o modo falso e reduzido de tratar a contribuição dos africanos e seus descendentes na construção desse País.
Esse desafio, além da inclusão de novos conteúdos, compreende a necessidade de mudança nas relações étnico-raciais, sociais e pedagógicas de combate ao racismo, discriminações e equívocos, para garantir a reconstrução de uma sociedade mais justa, igual e equânime, a partir da consciência política e histórica da diversidade, fortalecimento de identidades e direitos e ações educativas que promovam a igualdade racial”.

Perspectiva para 2009
Irani Neves: Professora e Gerente Étnico-Racial da Secretaria Estadual de Educação e Esporte de Alagoas.
“A obrigatoriedade da temática de História e Cultura afro-brasileira e Africana no currículo escolar repercutiu positivamente nas ações pedagógicas das escolas e principalmente na formação de professore/as. Por isso é necessário investir numa sólida formação para professores/as para que os/as mesmos/as percebam a importância destas questões e reflitam sobre as suas posturas, valores e atitudes.
A Gerência de Educação Étnico-Racial e de Gênero da SEE tem como propostas de trabalho para 2009:
•Fortalecer o Fórum Permanente Educação e Diversidade Étnico-Racial;
• Realizar formação continuada para professores/as quilombolas;
• Promover grupos de estudos sobre a questão de gênero;
• Apoiar, dialogando com o movimento negro e GBLTT, a elaboração de planos, projetos ou ações cujo foco seja a educação das relações étnico-raciais e de gênero;
Inicialmente, essa é nossa proposta de trabalho. Pretendemos também dialogar com as CEs para a partir de suas necessidades e realidades construirmos um plano de trabalho coletivo para o ano de 2009”.
 

 

A Importância da Lei 10.639/03

Zezito Araújo: Historiador; Vice-Diretor do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (Neab) da Ufal; Secretário Executivo do Comitê Gestor do Parque Memorial Quilombo dos Palmares.

“A grande importância dessa lei é que não está dirigida apenas para os afro-descendentes, ela possui um conteúdo político que transcende a questão da cor e do racismo, pois, impõe-se a obrigatoriedade do ensino da História da África e da Cultura Afro-Brasileira no ensino fundamental e médio do Brasil.

O Estado brasileiro ao implantar essa lei, reconheceu a necessidade de criar políticas afirmativas para promoção da igualdade racial, com isso, possibilitou uma discussão nova na sociedade brasileira, a diversidade e a pluralidade dos valores e do comportamento do povo brasileiro.

Enquanto instrumento político de afirmação da negritude, lei possibilita quebrar a singularidade histórica, ao tornar possível refazer leituras de fatos históricos onde prevaleçam a pluralidade. Não existirá apenas Zumbi, mais vários Zumbis heróis, não se falará de senzala, mas, dos homens, das mulheres e das crianças que foram obrigados a habitar nela e que construíram este país”.
Categorias:Anajô

ARTICULAÇÃO

8 de janeiro de 2009 Deixe um comentário
 
 

Entidades afro-alagoanas lançam Tambor Falante

 

A Lei Federal 10.639 que obriga a inclusão da temática étnico-racial nas escolas completa seis anos de implantação e lideranças avaliam as transformações na sociedade

 

Por: Helciane Angélica (Jornalista)

 

O Tambor Falante – Ciclo de debates visa articular encontros periódicos entre lideranças dos segmentos afros, educadores e formadores de opinião para discutir temas diversos e, também, propor uma nova maneira de participação na continuidade da luta e organização do povo afro-brasileiro. A primeira edição abordará a Lei Federal 10.639/03 e acontecerá neste sábado (10.01) a partir das 15h, no restaurante Velho Jardim, localizado no bairro do Riacho Doce em Maceió.

Com periodicidade bimestral, a proposta é unir entretenimento com troca de experiências, onde serão registrados todos os relatos e transformá-los em produções bibliográficas. De acordo com o idealizador do projeto, Helcias Pereira, coordenador de Cultura do Anajô, a proposta do ciclo de debates é fomentar a reflexão crítica e a transformação da realidade. “Buscamos provocar, articular e estimular a consolidação de novas idéias, ações e realizações em favor do povo afro-alagoano e a sociedade em geral”. Informou ainda que: “não é necessariamente um encontro de delegados e representantes negros, e sim, de amigos e pessoas interessadas em discutir temas importantes. O Movimento Negro contribuiu de forma efetiva na consolidação de muitas conquistas, inclusive, na instalação dessa Lei e muitos ignoram isso”, afirmou.

A Lei 10.639 foi aprovada no dia 09 de janeiro de 2003, quando reformulou a Lei 9.394/96, para inserir o ensino sistemático de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana em toda a rede de ensino nacional: Educação Básica (Infantil, Fundamental e Ensino Médio), Educação de Jovens e Adultos, além da Educação Superior, em especial, no que se refere à formação continuada dos professores. Inicialmente, era para ser aplicada nos conteúdos de Educação Artística, Literatura e História do Brasil. Porém, pode ser facilmente estendida em outras disciplinas como Geografia, Biologia, Ensino Religioso e até na Matemática.

Nesses seis anos, muitos avanços foram conquistados, professores se sensibilizaram com a importância da temática, começaram a participar de palestras e desenvolver atividades coletivas nas salas de aula. O Estado de Alagoas, foi o pioneiro no país a estadualizar a Lei federal, quando o governador Teotonio Vilela Filho sancionou a Lei 6.814 no dia 02 de julho. No entanto, ainda existem deficiências, quanto a avaliação profissional e a ausência de material didático-pedagógico qualificado.

 

Proponentes

O projeto inovador surgiu timidamente e depois foi organizado de forma coletiva e independente entre os representantes do Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô, da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial em Alagoas (Cojira-AL) e pela Pastoral da Negritude. As três entidades já promoveram outras ações conjuntas e buscam fortalecer o movimento social negro, além de investir na consciência sócio-política dos alagoanos.

O Anajô foi rearticulado há três anos, mas suas primeiras ações iniciaram em 1988 e tinha um forte vínculo com os Agentes de Pastoral Negros (APNs) – entidade nacional. Atualmente, investe em ações sobre a conjuntura da população afro-descendente e promove estudos sobre a história do Quilombo dos Palmares. Já a Pastoral da Negritude atua na Igreja Batista do Pinheiro, é a única no Estado e suas atividades visam a releitura da Bíblia partindo da ótica étnico-racial e prioriza o diálogo inter-religioso.

A Cojira-AL tem apenas um ano de atuação, porém contribui para a interlocução entre os segmentos afros, meios de comunicação e a sociedade. Interligada ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Alagoas (Sindjornal), foi o quinto coletivo a ser instalado no país e o primeiro do Nordeste.

 

 

SERVIÇO

Tambor Falante – Ciclo de Debates

Tema: Lei 10.639/03 – avanços e desafios

Dia: 10/01/2009 (sábado)

Local: Restaurante Velho Jardim – AL 101/ Norte, 59, em frente à Igreja na pista principal.

Horário: 15h

Aberto ao público / Consumo individual

Contatos: 8893-9495 (Helcias) / 9999-1301 (Valdice) / 9119-5730 (Jorge)

Categorias:Anajô

EVENTOS

8 de janeiro de 2009 Deixe um comentário
 
 

Informes Afros

 

 

v 09/01 (sexta-feira) – Reunião do Fenal

 

A presidente do Fórum de Entidades Negras de Alagoas (Fenal), Ana Paula da Silva, convida representantes das atividades filiadas e demais interessados para participar de uma reunião extraordinária às 10h no Espaço Cultural da Ufal, Praça Sinimbu – Centro de Maceió. Pauta: Posicionamento da entidade sobre a escolha de delegados para o CONNEB, que acontecerá em Belém-PA nos dias 30, 31 de janeiro e 1º de fevereiro – busca fortalecer as entidades e construir um projeto político para a população negra do Brasil. O Estado de Alagoas poderá enviar 14 delegados. Contatos: 8807-1803.

 

v 10/01 (sábado) – Tambor Falante

A Cojira-AL em parceria com o Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô e a Pastoral da Negritude da Igreja Batista do Pinheiro iniciarão no sábado o Tambor Falante – Ciclo de Debates. Trata-se de um projeto inovador, que visa articular encontros ordinariamente, reunindo um maior número de lideranças, militantes e personalidades em geral para discutir, aprofundar e propor uma nova maneira de participação na continuidade da luta e organização do povo afro-brasileiro; além de proporcionar o entretenimento e troca de experiências. A primeira edição abordará a Lei Federal 10.639/03 (obrigatoriedade da História e Cultura Afro-Brasileira e Africana no currículo escolar) – que completará seis anos no dia 09 de janeiro. A atividade acontecerá no dia 10 (sábado) a partir das 15h, no restaurante Velho Jardim localizado no bairro do Riacho Doce (pista principal, ao lado da Igreja) – consumo individual. Contatos: 8893-9495 / 9119-5730

 

v 11/01 (domingo) – VII Lavagem do Bomfim

A Casa de Iemanjá promoverá a VII Lavagem do Bomfim, a partir das 15h, no Pátio da Igreja do Bomfim (Poço). A caminhada é realizada pelas ruas de Maceió, e busca a integração entre as Casas de Axé de Alagoas, simpatizantes e artistas, todos reunidos contra a Intolerância Religiosa, clamando respeito entre todas as formas de crença e culto religioso. A concentração será na Rua São João, nº 03, Jacintinho, tendo como Ponto de referência a primeira entrada no fundo do Hospital Geral São Rafael, antiga Maternidade Santa Lúcia, seguindo em cortejo para o pátio da Igreja (local da cerimônia religiosa), até a sede do Núcleo na Rua Dona Alzira Aguiar, 429, Ponta da Terra. Contatos: 3231-0064 / 8819-6762.

 v 14/01 (quarta-feira) – Quarta do Reggae

Com o objetivo de comemorar os dois anos da casa de show REGGAE NIGHT (praça Dois Leões – Jaraguá), os dez melhores Djs do movimento reggae em Maceió irão fazer uma grande animação positiva neste inicio de 2009. A programação tem início às 22 h, os ingressos custam R$ 5. Mais informações: 8832-5394 / 9135-1171.

 v Todos os finais de semana – Baque Alagoano

O Maracatu Baque Alagoano intensificará os ensaios gerais, como preparatório para o carnaval. A atividade é aberta ao público, acontecerá todos os sábados e domingos no histórico bairro do Jaraguá. Confira a agenda e outras informações no blog: http://www.maracatubaquealagoano.blogspot.com.

                                             

Material enviado pela Cojira-AL, outras informações no blog: www.cojira-al.blogspot.com.

Categorias:Informes

MOBILIZAÇÃO

6 de janeiro de 2009 Deixe um comentário
 

 

O Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô em parceira com a Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial em Alagoas (Cojira-AL) e a Pastoral da Negritude da Igreja Batista do Pinheiro iniciarão no domingo o Tambor Falante – Ciclo de Debates. Trata-se de um projeto inovador, que visa articular encontros ordinariamente, reunindo um maior número de lideranças, militantes e personalidades em geral para discutir, aprofundar e propor uma nova maneira de participação na continuidade da luta e organização do povo afro-brasileiro; além de proporcionar o entretenimento e troca de experiências.

A primeira edição abordará a Lei Federal 10.639/03 (obrigatoriedade da História e Cultura Afro-Brasileira e Africana no currículo escolar) – que completará seis anos no dia 09 de janeiro. A atividade acontecerá no dia 10 (sábado) a partir das 15h, no restaurante Velho Jardim localizado no bairro do Riacho Doce (pista principal, ao lado da Igreja) – consumo individual.

Categorias:Anajô