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TAMBOR FALANTE

Censo e Periferia


Por: Helciane Angélica – jornalista

Infelizmente,
o racismo tem se escondido em discursos “sutis” e encontra-se presente
em nosso cotidiano. É comum ouvirmos as pessoas chamarem negros de
“moreninhos”, como se fosse mais “aceitável” ou menos “feio” para a
pessoa. Além disso, ainda tem as piadinhas “inocentes” que só ajudam a
consolidar uma cultura inconsequente e que acredita na “democracia
racial”, ou seja, extremamente contrárias as ações que promovam o
respeito e a garantia de direitos aos diferentes.

Os
afrodescendentes (negros e pardos) são a maioria no país com 50,6% da
população, mas tem muita gente espalhada por esse mundão que tem
vergonha de suas origens, e o que ainda pior desconhece sua própria
história. O Censo 2010 irá avaliar a realidade dos brasileiros, e em
cada residência os entrevistados responderão um extenso questionário,
inclusive, sobre a cor da pele, etnia, crença religiosa e opção sexual.

O
Tambor Falante – ciclo de debates fortalece a reflexão crítica sobre a
pesquisa demográfica que acontecerá em toda a América Latina, é uma
iniciativa do Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô em parceria com
a Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial em Alagoas (Cojira-AL)
e a Pastoral da Negritude da Igreja Batista do Pinheiro. Desta vez,
abordará o tema “Censo 2010 – Negritude e Periferia”, e o local
escolhido para a quinta edição do projeto foi a comunidade que vive ao
lado do lixão de Maceió.

A concentração para o evento será
às 14h na sede do Ponto de Cultura Guerreiros da Vila/Centro de
Educação Ambiental São Bartolomeu (Ceasb), em seguida, os participantes
seguirão em caminhada até o espaço cultural da Vila Emater II
localizada no Sítio São Jorge onde serão executadas as trocas de
opiniões, propostas e experiências. Mais informações sobre o evento:
(82) 9119-5730 / 8893-9495 / 9999-1301.

O objetivo é ampliar
a discussão junto com os diversos segmentos afros, além de garantir a
conscientização sobre a importância dos dados coletados e
contabilizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), que posteriormente podem servir de subsídio na elaboração de
políticas públicas adequadas aos diversos segmentos sociais.

Os
moradores das periferias são secularmente vítimas da marginalização, há
locais que nem os agentes de endemias conseguem entrar, devido ao forte
tráfico de drogas ou por puro preconceito. Será que os recenseadores
conseguirão aplicar a pesquisa nesses locais? E as pessoas que moram
nas tribos indígenas, comunidades quilombolas e assentamentos da
reforma agrária estão esclarecidas sobre o censo e serão realmente
ouvidas? E os que irão aplicar os questionários estão preparados?!
Continuaremos pensando sobre o assunto e buscando novos avanços. Axé!

Fonte: Coluna Axé / Tribuna Independente – 26.01.10

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