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ASSEMBLEIA

28 de fevereiro de 2010 Deixe um comentário

Maceió-AL, 28 de fevereiro de 2010.

 

CONVOCATÓRIA

 

A Diretoria do Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô convoca todos os membros
associados para participar de um encontro de formação e da ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA
no dia 07 de março de 2010 (domingo). A atividade acontecerá das 9h às 16h na
sede do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Alagoas (Sindjornal)
localizado na
Rua
Sargento Jaime, 370, Prado (esquina com a Av. Assis Chateaubriand) – Cep:
57010-200 em Maceió-AL.

Tem como objetivo
aprovar o calendário anual de atividades; discutir os textos-bases, propostas e
referendar
as delegadas e delegados para o 1º
Congresso Nacional dos Agentes de Pastoral Negros do Brasil (APN’s)
, que
acontecerá na cidade de Goiânia (GO) nos dias 21 a 24 de abril do corrente ano. A entidade é a única representante
do estado de Alagoas!

Todos os membros são extremamente importantes nesta
atividade deliberativa. Lembramos que é preciso contribuir com a taxa de R$10
(dez reais) para as despesas com a alimentação e solicitamos que seja entregue
até o dia 04 de março à Srª Madalena Silva (1ª Secretária de Finanças/Anajô) –
contato: (82) 3336-7464/ 8882.0364. Contamos com a sua presença.

 

 

Helciane
Angélica Santos Pereira

Presidenta

 

____________________________________________________________________

 

CNPJ: 09110155/0001-55

Endereço
para correspondências: Rua Manoel Porciúncula, nº 139, Jacintinho. Maceió-AL.
Cep: 57040-100

Contatos:
(82) 8831-3231 e 3356-5049 (Helciane) / 8893-9495 (Helcias) / 8882-0364
(Madalena) / 9999-1301 (Valdice)

Emails:
mocamboanajo@yahoo.com.br / onganajo@hotmail.com

Blog: www. anajoonline.spaces.live.com

Categorias:Anajô

NEGRITUDE E PERIFERIA

3 de fevereiro de 2010 Deixe um comentário

AO ECOAR DO TAMBOR

*De:  Helcias
Pereira

 


Talvez para algumas pessoas
nada pudesse significar a realização de um debate no meio de uma favela, e como
se não bastasse, justamente ao lado do grande lixão de Maceió. É possível até que
a própria terminologia do debate ecoasse aos ouvidos de muitos como algo
“incultural” ou primitivamente obsoleto.

O Espaço Cultural Guerreiros
da Vila
onde aconteceu a 5ª Edição do Tambor Falante, foi construído
utilizando-se materiais advindos do lixão, e graças à força de vontade do atual
presidente da Associação de Moradores Jailson Carnaúba – o Pelé, que inspirado
no projeto chamado “quintal cultural” existente no bairro do Vergel do
Lago, articulou o terreno e com o apoio de alguns moradores e do CEASB,
arregaçou as mangas e “mandou vê”. Depois de inaugurado com importantes
depoimentos e festa em agosto de 2009, o Espaço Cultural tem sido utilizado
para realização de reuniões, debates, encontros, assembleias, ensaios
artístico-culturais, atividades com os Guerreirinhos do Baú (outra coisa boa na
Vila), projeção de filmes, documentários, entre outros.

Pois é… Neste sábado, 30
de janeiro de 2010, reuniram-se no Espaço Cultural da Vila Emater II,
representantes do Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô, Pastoral da
Negritude da Igreja Batista do Pinheiro, Centro de Educação Ambiental São
Bartolomeu (CEASB) / Ponto de Cultura Guerreiros da Vila, Cooperativa dos
Catadores da Vila Emater II (COOPVILA), Centro Cultural Quilombo dos Palmares,
professores, moradores e lideranças locais da Associação de Moradores da Vila
Emater II.

Os moradores foram chegando
aos poucos e quando menos se esperou, “o tambor começou a ecoar”. Primeiro foi
explicado o significado do TAMBOR FALANTE, suas temáticas e formas de 
realização, bem como o porquê desta vez ter sido escolhido a VILA EMATER para
tal debate. Naturalmente os moradores demonstraram total interesse no assunto,
principalmente quando se tocou nas questões de se viver na periferia e não ter
a pele branca, nem qualquer requisito europeu para que alguns direitos sejam
respeitados e conquistados. Falou-se do CENSO 2010 como um desafio para o
Movimento Negro em conscientizar a população AFROBRASILEIRA quanto à
importância de assumir sua NEGRITUDE, visto que a maioria descende dos povos
africanos e indígenas. Questionou-se também se o IBGE teria “pernas” para que
seus recenseadores alcançassem verdadeiramente as periferias, principalmente as
favelas quase sempre desordenadas geograficamente, e ainda, sobre outras particularidades
a exemplo dos homossexuais, desempregados, deficientes, etc.

De repente um fala da parte
mais alta da pequena arquibancada, apresentando seu repúdio ao preconceito
racial. Outra pessoa mais a frente, levanta a mão e denuncia sobre protesto os
grandes supermercados cujos seguranças acompanham o cidadão negro por todos os
recantos da empresa, disfarçando para não explicitar a desconfiança. Do outro
lado alguém completa: E isso é porque somos negros ou não estamos bem vestidos,
imagine se souberem que moramos na favela… Aí lascou! Exclamou outra
participante.

O debate foi dinamizado com
algumas exemplificações de casos reais de CRIME DE RACISMO, cuja população
precisa estar atenta para saber como lhe dar em ocasiões parecidas. Na medida
em que os fatos eram relatados, a platéia ia interagindo e aprofundando com
bastante seriedade o tema em questão. Uma moradora sentada à frente pediu a
palavra para dizer com voz firme que “o povo da Vila Emater é tratado como
bicho, como coisas, por isso querem tirar a gente daqui como se agente fosse
lixo. Eles querem tirar a gente daqui só porque somos pobres e pretos, na
verdade eles querem que essas terras sejam entregues aos grandões, para fazerem
suas mansões… é por isso que querem se livrar da gente. Não é por outra coisa
não”. Concluiu.

Alguns convidados se
pronunciaram e trouxeram uma rica reflexão sobre as questões do capitalismo
mundial que exerce um papel fundamental entre a riqueza de poucos e a
miserabilidade de muitos, cuja maioria é constituída por negros há muito
empobrecidos. Foi dito com veemência que o RACISMO é uma prática que fortalece
o capitalismo, porque interessa aos poderosos na manutenção de suas hegemonias
e poderio econômico.

Na medida em que as
intervenções eram aprofundadas, duas propostas foram apresentadas e pelo menos
um compromisso real em relação aos casos de preconceito e crime racial. Os
membros do ANAJÔ enquanto ONG ligada ao Movimento Negro se colocou à disposição
da comunidade para acompanhar e orientar qualquer um que seja discriminado por
conta da sua cor ou condição social.  

Com relação às propostas: A
primeira é mais imediata por se tratar de um CINE FORUM com a projeção
de um filme sobre a história de Nelson Mandela (mostrando um pouco as
questões de racismo na África do Sul) e a segunda, que seria para o mês de março,
com a realização de um “ENCONTRO PERIFÉRICO SOBRE QUESTÕES ÉTNICAS E DE
GÊNERO”
, considerando que a maioria das pessoas da periferia, inclusive da
VILA EMATER descende do êxodo rural, cujas origens étnicas prevalecem dos povos
negros e indígenas.

O 5º Tambor Falante foi
concluído com uma foto coletiva e em seguida todos foram convidados para
assistirem o ensaio da banda Guerreiros da Vila que sairá no carnaval com o
bloco Afro Guerreiros.

VALEU GUERREIROS E
GUERREIRAS DA VILA EMATER!

O que é o Tambor Falante

É uma nova forma de
interatividade e transversalidade entre lideranças, ativistas, pesquisadores,
amigos e quantos queiram, no sentido de se encontrarem para debater assuntos
estratégicos e juntos discutirem propostas de ação, fomentando e promovendo
interfaces entre públicos diretamente interessados e a sociedade em geral,
inclusive atuar quando necessário junto aos setores governamentais e outras
instituições. Na verdade não se tratam de encontros de coordenadores,
delegados, diretores, etc. Trata-se de encontros de PESSOAS que se preocupam e
buscam juntas contribuir com uma nova forma de atuação e transformação da
sociedade. Um “tambor” ao ser acionado é capaz de “ecoar” com veemência todo um
sentimento de dor ou alegria; um anúncio, uma reunião; uma busca de organização
e luta. O “Tambor Falante” tem essa dimensionalidade e se fará presente em
qualquer recanto em que seja necessária sua realização.

 

Helcias Roberto Paulino Pereira

Ativista
negro desde 1988; foi membro da Coordenação Nacional dos APNs; É Arte-Educador;
Membro Diretor do Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô; Coordenador do
Ponto de Cultura Guerreiros da Vila / CEASB.

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RELIGIÃO

1 de fevereiro de 2010 Deixe um comentário
Categorias:Movimento negro