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Archive for novembro \25\America/Maceio 2010

Anajô participará do aniversário da COJIRA/AL

25 de novembro de 2010 Deixe um comentário

O Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô vinculado aos Agentes de Pastoral Negros do Brasil (APNs) confirmou sua participação com alguns representantes no aniversário de três anos da COJIRA-AL.

 

Encontro Estadual de Catadores acontece hoje em Alagoas

25 de novembro de 2010 Deixe um comentário

A atividade reunirá integrantes de Cooperativas, catadores de Maceió, Delmiro Gouveia e Palmeira dos Índios, além de instituições parceiras

 

Por: Helciane Angélica – Jornalista


Nesta quinta-feira (25.11), em Maceió, terá a quarta edição do Encontro Estadual de Catadores do Estado de Alagoas. A articulação está sendo promovida pelo Centro de Estudos Sócio-Ambiental/PANGEA e o Movimento Nacional dos Catadores, e conta com o apoio do Centro de Educação Ambiental São Bartolomeu (CEASB), Cáritas Brasileiras Reg. NE II, e da Cooperativa dos Catadores da Vila Emater (COOPVILA).

As atividades terão início com a recepção das comitivas oriundas dos municípios de Delmiro Gouveia e Palmeira dos Índios, além de representantes das cooperativas e catadores de Maceió. A concentração será na Praça Sinimbu às 10h, cerca de 100 participantes seguirão em caminhada com faixas e palavras de ordem pelas ruas do Centro, bairro do Jaraguá, até chegar à Prefeitura Municipal de Maceió.

No Gabinete do Prefeito, pretende-se entregar o documento oficial dos catadores ao Prefeito Cícero Almeida, sobre a Lei Nº 12.305, de 02 de agosto de 2010 sobre os Resíduos Sólidos – que só tem a contribuir para a geração de renda dos catadores, melhorias quanto à limpeza do município e bem-estar da sociedade. Em seguida, os catadores e parceiros irão para a Associação Comercial de Maceió, onde serão repassados os informes gerais da coordenação e terá o almoço.

Por volta das 14h, inicia oficialmente o Encontro Estadual dos Catadores e Catadoras do Estado de Alagoas, que terá a formação da mesa de honra, a poesia “Do Êxodo Rural as Favelas da Capital – Realidade dos catadores do antigo lixão de Maceió”, pronunciamentos das autoridades e instituições presentes. Os participantes farão um intenso debate sobre a Lei Nacional dos Resíduos Sólidos, terá a eleição dos(as) representantes para o Encontro Nacional dos Catadores que acontecerá no próximo mês em Brasília/DF, onde serão recebidos pelo Presidente Lula. E no encerramento previsto para às 17h, serão deliberadas as demais estratégias de integração e articulação no ano de 2011 entre os catadores de Alagoas.

 

SERVIÇO

IV Encontro Estadual de Catadores(as) de Alagoas

Dia: 25 de novembro de 2010

Horário: 14h

Local: Associação Comercial de Maceió – Jaraguá – Maceió/AL

Mais informações: (82) 9937-7369 / 9937-7359 / 9600-9941 / 3355-5196

COJIRA-AL completa três anos

24 de novembro de 2010 Deixe um comentário

O Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô – mocambo estadual dos Agentes de Pastoral Negros do Brasil (APNs) – parabeniza a Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial de Alagoas (COJIRA-AL) pelos três anos de atuação em nosso Estado que completa hoje (24 de novembro).

Parabéns malungos e malungas (companheiros de luta), pela dedicação, compromisso social e pelas contribuições na visibilidade das questões étnicorraciais e das ações político-culturais do movimento social negro.

Vocês são nossos guerreiros e guerreiras da atualidade! São nossos representantes na mídia e tem contribuído para a abertura de espaços nos veículos de comunicação. Parabéns pela Coluna Axé, Informes Afros, Cobertura jornalística dos eventos, a retrospectiva afro-alagoana e recentemente pelo Encarte Afro “AXÉ!” publicado no jornal Tribuna Independente, no Dia Nacional da Consciência Negra deste ano.

Vida longa ao grupo!

“Olorum Kolofé Axé!” (Deus te abençoe e te dê força)

 

ANAJÔ/APN-AL

COMENDA ZUMBI DOS PALMARES

24 de novembro de 2010 Deixe um comentário

Estimad@s  Malung@s, amigos e parceiros,

CONVITE

O motivo desta é CONVIDAR vossa senhoria para participar da entrega da COMENDA ZUMBI DOS PALMARES – Câmara dos Vereadores de Maceió, pela qual tenho a honra de ser contemplado, a mesma tem o decreto da Vereadora Tereza Nelma e Será na FITs – Bairro de Cruz das Almas as 10h00, caso seja possível sua presença ficarei imensamente feliz.

Desde 13 de maio de 1988, em pleno centenário da tal Abolição da Escravatura, de fato me tornei militante do Movimento Negro ao criar junto com amigos do Jacintinho o MOCAMBO ANAJÔ.

Hoje após 22 anos, posso dizer que estou colhendo valorosos frutos das “arvores” que ajudei voluntariamente a cultivar.  2010 tem sido um ano de felizes conquistas na minha vida que perpassam sonhos de pelo menos 15 anos.

Quero externar que cometi muitos erros nos passos da caminhada, e quem de alguma maneira se sentiu atingindo por eles, peço humildemente minhas desculpas. No entanto, tenho certeza absoluta que em muito procurei acertar, acertos esses presentes em minha memória de forma inesquecível e naturalmente inquebrantável.

UM POUCO DA HISTÓRIA

Nos últimos 22 anos além do ANAJÔ que o representei pela primeira vez no Encontro N/NE do APNs e São Luis do Maranhão, ajudei na articulação da Coordenação Estadual de Entidades Negras – CENAL (1993), criei e coordenei o Mocambo Ilê-Axé (1994), fui representante Norte-Nordeste na coordenação Nacional dos APNs (1993-1995); contribui na articulação da Coordenação Nacional de Entidades Negras – CONEN (1993-1994); coordenei o Escritório Nacional do Projeto: 300 anos de Zumbi em Alagoas junto aos companheiros da CENAL e CONEN/NE (1994) inclusive Semanas da Consciência Negra; Fui Coordenador Estadual no XIV Encontro Nacional dos Agentes de Pastoral Negros do Brasil – Momento em que em pleno 300 anos de Zumbi, levamos no trem da liberdade em média 500 participantes para a primeira e única vigília na Serra da Barriga (julho-1995) Elaborei e coordenei o Projeto da Banda Meninos da Praça junto ao Projeto Alternativo de Apoio a Meninos e Meninas de Rua /MNMMR (1994 – 1995); fui diretor de Arte e Cultura da Secretaria Municipal de Educação – SEMED  coordenando o Projeto Kizomba Ayê Zumbi –Gincana Afro-cultural envolvendo várias escolas, alem de participar diretamente no processo de consecução e inauguração da Escola Municipal Zumbi dos Palmares em Maceió (1995); fui coordenador Nacional de Formação dos APNs (1996 – 1998); durante o Governo de Ronaldo Lessa (1998 – 2003) fui Técnico (comissionado) Diretor de Cultura e Diretor Geral do CAIC Virgem dos Pobres (Trapiche da Barra) pela Secretaria Estadual de Educação e posteriormente Coordenador Geral de Programas da Secretaria Estadual de Projetos Especiais – SEPES,  em 2004-2005 fui Gerente Afro da Secretaria Estadual de Defesa e Proteção das Minorias momento em que tive a alegria de contribuir com a criação do Fórum Intergovernamental de Políticas de Promoção da Igualdade Racial – FIPIR/NE em Recife e Fortaleza; 2006 – 2007 fui consultor e mobilizador  do Projeto de construção do Parque Memorial Quilombo dos Palmares junto ao Instituto Magna Mater e Fundação Cultural Palmares, em 2008 alem de me dedicar ao Centro de Cultura e Estudos Étnicos ANAJÔ que re-afirmou filiação a Associação Nacional dos Agentes de Pastoral Negros do Brasil – APNs, também assumi compromissos ao me incorporar na equipe técnica do Centro de Educação Ambiental São Bartolomeu que executa projetos de apoio aos moradores da Vila Emater II (antiga favela do lixão) bem como, mobilização, organização e fortalecimento da Cooperativa dos Catadores da Vila Emater – COOPVILA.

Este ano de 2010 sem sombra de dúvidas tem sido especial pelas seguintes razões:

Em abril na cidade de Goiânia –  GO durante o Congresso Nacional dos Agentes de Pastoral Negros que tem núcleos de base em 16 Estados do Brasil, fui eleito Membro do Conselho Fiscal e na última reunião da Coordenação Nacional em outubro na cidade de Belo Horizonte – MG, foi convidado para assumir a COORDENAÇÃO NACIONAL DE FORMAÇÃO DOS APNs (gestão 2010-2012).

Em novembro cheguei ao apogeu:

Dia 11 – Tive a honra de ser agraciado  com a COMENDA DANDARA pelas mãos da Vereadora Fátima Santiago na Câmara dos Vereadores de Maceió, em sessão especial presidida pela Veredadora Heloísa Helena.

Dia 20 (Dia Nacional da Consciência Negra) tive a alegria de ser informado pelo Jornalista Nuno Coelho (Coordenador Nacional dos Agentes de Pastoral Negros do Brasil e presidente do Conselho Estadual do Negro – SP) que  meu  nome numa lista tríplice foi aprovado para representar os APNs no Conselho Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial – CNPIR com posse prevista para dezembro pelo valoroso Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva..

E nesta data (26/11/2010) tenho a honra de receber junto a valorosos malungos, a COMENDA ZUMBI DOS PALMARES pela nobre Vereadora Tereza Nelma que tem sido uma grande malunga para vários segmentos do Movimento Negro Alagoano.

Portanto, quero dizer o quanto estou imensuravelmente feliz, agradecendo ao Deus de tantos nomes (Javé, N´Zambi, Zaniapombo, Olorum, Obatalá, Olodumaré, Oxalá, Tupã, Abà, Alá,  e outros) por tantas vitórias e ainda por ter amigos como vocês que direto ou indiretamente contribuem para o meu acreditar na luta que apesar de árdua é concomitantemente prazerosa.


Muito obrigado!

Olorum Kolofé Axé (que o senhor deus do firmamento nos abençoe e nos dê força)

K`Ó MÁ BÈRÙ ´JÁ  (não temamos a luta)

KÒ MÁÀ DÙN MO (que seja cada vez mais prazeroso)

Grande abraço!

HELCIAS PEREIRA

Informes afros desta semana

22 de novembro de 2010 Deixe um comentário

 

Confira a programação afro-alagoana de 22 a 28 de novembro de 2010!

 

RELIGIÃO

Nos dias 22 e 23 de novembro acontece aJornada Religare Mídia e Religião” na Universidade Federal de Alagoas (Ufal), é uma realização do Núcleo de Pesquisa Mídia, Religiosidade e Ciências da Religião do curso de Comunicação Social e que é financiado pela CNPq/UFAL. A atividade acontece no prédio conhecido como Severinão no Campus de Maceió e na programação tem grupos de trabalho, apresentação de trabalhos e artigos que serão publicados na Revista Eletrônica da Jornada, além de palestras, inclusive, sobre intolerância religiosa.


ANIVERSÁRIO

No dia 24 de novembro, a Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial de Alagoas (Cojira-AL) que é vinculada ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Alagoas (Sindjornal) completa três anos de atuação no Estado, e de contribuições para um jornalismo comprometido com a diversidade étnicorracial,  de crenças e gênero.

EDUCAÇÃO

O Fórum Alagoano em Defesa da Educação Infantil (Fadedi) e o Fórum Alagoano de Educação e Diversidade Étnicorracial realizam nessa quarta-feira (24.11) das 8h30 às 16h, no auditório da Secretaria Estadual de Educação, o seminário “Relações Raciais e Políticas Educacionais: Repensando A Educação Afro-brasileira em Alagoas”.


COMENDA

Na sexta-feira (26) às 10h no auditório da Faculdade Integrada Tiradentes (Fits), a Câmara Municipal de Maceió por intermédio da vereadora Teresa Nelma (PSB) entregará a Comenda Zumbi dos Palmares. A solenidade homenageará pessoas que lutam em prol da igualdade racial e pelo respeito à diversidade étnico-cultural. Os escolhidos foram: o historiador e babalorixá Célio Rodrigues; o psicólogo e professor universitário Jorge Riscado; o ativista e arte-educador Helcias Pereira; e o mestre de capoeira e professor de Educação Física, Claudio Figueiredo (Mestre Claudio). Próximo ano, ela entregará a Comenda Dandara apenas para mulheres.


BAR DA SEXTA

O Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal de Alagoas (DCE-Ufal) realiza nesta sexta-feira (26) a partir das 20h mais uma edição do Bar da Sexta no Espaço Cultural localizado em frente à Praça Sinimbu em Maceió. O tema escolhido foi “Resistência e Cultura Negra: A experiência dos Quilombos e a luta por liberdade”, em seguida terá a apresentação artística da banda Liberdade Roots, Zé Pequeno e Asu. Contatos: (82) 8843-7754 / 9968-2645.


COJIRA-AL

A Cojira-AL realiza no sábado (27) no Sindicato dos Bancários de Alagoas um café da manhã especial para comemorar os três anos de atuação no Estado. Na atividade também terá uma conferência sobre Mídia e Racismo ministrada pelo advogado e ativista Alberto Jorge Ferreira, o Betinho, que está como Presidente da Comissão de Defesa das Minorias Étnico-Sociais da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Alagoas (OAB-AL). A inscrição é gratuita, mas as vagas são limitadas! Para participar, deve-se enviar o nome completo, contato (email e telefone) e ocupação (se é jornalista profissional, estudante de jornalismo ou ativista) para o email: cojira.al@gmail.com. Contatos: (82) 9999-1301 / 8831-3231.


CAPOEIRA

Nos dias 26 e 27 de novembro, terá o 7º Ginga Terapia – Encontro e Seminário Nacional de Capoeira Inclusiva, no Centro Inclusivo Genilda Porto localizado na Av. Santa Rita de Cássia, nº 140, Farol em Maceió-AL. Mais informações: gigaterapia@hotmail.com / (82) 3336-6008 e 8831-5750 / http://www.gingaterapia.blogspot.com.


ROMARIA DA TERRA

A Comissão Pastoral da Terra de Alagoas e as Comunidades Eclesiais de Base (CEB’s) realizam nos dias 27 e 28 de novembro a 23ª Romaria da Terra e das Águas, que acontecerá no município de Porto Calvo, com o tema “Menos terra concentrada, mais famílias assentadas”. Mais informações: (82) 3221-8600 / www.cptalagoas.blogspot.com.


Todas essas informações, fotos, artigos, reportagens e as ações da mídia afro-alagoana você encontra no blog: www.cojira-al.blogspot.com.

Envie sua sugestão de pauta!

Axé para tod@s!

COJIRA-AL

Jornalista da CPT recebe menção honrosa em Alagoas

21 de novembro de 2010 Deixe um comentário
Helciane Angélica concorreu com o Case “Feira Camponesa: Ações de comunicação e valorização dos feirantes/agricultores”


No sábado (20.11), Dia Nacional da Consciência Negra, ocorreu no espaço de eventos Armazém Uzina o 21º Prêmio Braskem de Jornalismo 2010, que é considerado o mais importante prêmio da categoria no Estado de Alagoas. A atividade é promovida pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Alagoas (Sindjornal) e tem como patrocinador a Braskem.
A jornalista Helciane Angélica presta serviços na área de assessoria de comunicação desde março de 2009 na Comissão Pastoral da Terra (CPT-AL), pastoral social e ecumênica vinculada à Arquidiocese de Maceió. Ela se inscreveu no prêmio, na categoria assessoria de imprensa, q ue teve ao todo sete profissionais atuantes em instituições públicas e privadas.
O trabalho inscrito foi “Feira Camponesa: Ações de comunicação e valorização dos feirantes/agricultores”, que foi apresentad o por meio de um Case. Trata-se de um relato com no máximo 50 li nhas sobre o conjunto de ações desenvolvidas com o objetivo de alcançar a resolução de um problema no relacionamento com a imprensa; contendo análise da situação anterior, as providências tomadas, os resultados atingidos e uma conclusão, com a avaliação da eficácia das ações executadas entre os d ias 25 de setembro de 2009 e 23 de setembro de 2010.
Helciane Angélica ficou entre as finalistas da categoria, e concorreu co m as jornalistas Isa Mendonça e Simoneide Araújo, respectivamente, assessoras de imprensa da Eletrobrás Distribuição de Alagoas e da Procuradoria Regional do Trabalho de Alagoas (PRT) da 19ª Região. A grande campeã foi Simoneide Aráujo com a divulgação da Campanha de combate ao trabal ho infantil. Porém, o júri também decidiu entregar uma menção honrosa à jornalista da CPT pelo importante trabalho executado na divulgação do projeto que valoriza a produção agroecológica das famílias camponesas em áreas da reforma agrária; além de parabenizar pela visibilidade que tem adquirido junto aos veículos de comunicação locais.

Fonte: www.cptalagoas.blogspot.com

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A jornalista também faz parte do movimento negro de Alag oas! Atualmente, é a Presidenta do Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô, Coordenadora Estadual dos Agentes de Pas toral Negros do Brasil (APNs) e faz parte da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial de Alagoas (COJIRA-AL), além de ser editora da Coluna Axé que é publicada todas às terças-feiras no jornal Tribuna Independente.

POESIA: ZUMBI, o Mestre da Liberdade

20 de novembro de 2010 Deixe um comentário

Por:  Helcias Pereira (*)

Zumbi meu mestre, onde estais agora?

será que estais por ai afora, fazendo a hora

como é praxe acontecer?

Hei Zumbi, meu mestre!  Tem negro no mato, afoito,

agitado, meio louco, escondendo-se aos poucos,

querendo viver.

Onde estais meu mestre?

Dizem que lá no mocambo,

nosso povo aos tombos rolou pelo chão,

que nossa muralha, construída sem falha,

foi de longe atingida por um tal de canhão.

Será meu mestre que nosso sonho acabou?

Será que Dandara está com você?

Olorum tomara!   Pois ninguém como ela

ensinou-me a viver,

aprendi com ela que na vida

não se pode nunca parar,

e que por sermos humilhados, subestimados,

temos que ter forças para lutar,

pois somos negros, guerreiros, coragem nunca falta,

como não falta também, a ternura de amar.

E onde quer que tu estejas,

eu sei meu mestre que almejas

construir nova nação,

que lutas por liberdade, e em nome da verdade,

queres confirmar a razão.

A razão da independência, da alma, da inteligência,

do brio, da dignidade, da força, da coerência,

da quase perfeita humanização.

A razão da esperança,

do homem livre a criança,

da alma do cidadão.

A razão que tudo espera,

não importa época ou era,

a razão do coração.

De sentir-se a qualquer momento,

esperto, ousado, atento,

pronto pra defender um irmão.

É assim que eu acredito ZUMBI,

é assim que eu acredito!

E quando vejo hoje em dia

nosso povo nesta agonia,

numa suposta moradia,

nas barbas da humilhação.

Muitos semi escravizados,

outros por muito explorados,

outros piores, na prisão.

Muitos perderam a identidade

e quem domina na verdade

continua sendo o opressor,

que paga pouco ou quase nada

em  cima  de uma Lei ousada,

alias, bem secular.

É tão triste meu mestre, é tão triste!

Saber que ainda existe

quase tudo por lutar,

saber que o nosso povo

tem muito mais pra resgatar,

e fazer da tua existência

o maior exemplo que há.

Pois onde quer que tu estejas agora

está por chegar a hora

do nosso povo avançar.

E fazer da coragem, a força da união;

da luta, a causa do irmão;

da inteligência, a voz da razão,

e fazer principalmente do teu nome,

o fruto da libertação.

VALEU  ZUMBI !!!

 

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Arte-Educador – Popular

Membro-Diretor do Centro de Cultura e Estudos Étnicos ANAJÔ

Membro da Coordenação Nacional dos APNs do Brasil

Mobilizador Social do Centro de Educação Ambiental São Bartolomeu

Recebeu em 11/11/2010 a COMENDA DANDARA – Câmara Municipal de Maceió

COJIRA-AL lança encarte afro no Dia Nacional da Consciência Negra

20 de novembro de 2010 Deixe um comentário

A ação faz parte da comemoração dos três anos do coletivo sindical no Estado de Alagoas, que também foi o primeiro a ser implantado na região Nordeste

 

Por: Helciane Angélica

 

A Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial em Alagoas (COJIRA-AL) integra o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Alagoas (Sindjornal) e no dia 24 de novembro completa três anos de implantação no Estado, foi o primeiro coletivo do Nordeste e o quinto do país. Para comemorar em grande estilo, produziu pela primeira vez, o encarte afro especial “Axé!” que foi publicado hoje (20.11) – Dia Nacional da Consciência Negra – no Jornal Tribuna Independente.

 

O produto midiático é inovador e busca homenagear todos os guerreiros e guerreiras do cotidiano, que lutam por respeito e tem orgulho das suas heranças africanas. Também, presta uma homenagem ao herói negro Zumbi, um grande líder que lutou por justiça, igualdade racial e liberdade no Quilombo dos Palmares, uma comunidade auto-sustentável durante o período colonial e escravagista, que teve sua sede político-administrativa e militar na Serra da Barriga localizada em Alagoas.

 

No suplemento, o leitor tem acesso a reportagens especiais, artigo, entrevista e uma edição extra da coluna axé (nº 125) que foram produzidas por jornalistas experientes e acadêmicos de jornalismo que são “cojiranos”. Durante essa semana comemorativa do aniversário da Cojira alagoana, o material também será publicado no blog da entidade: www.cojira-al.blogspot.com. Essa é mais uma ação voltada para um jornalismo que respeita a diversidade étnicorracial, crenças e opção sexual!

 

A COJIRA-AL, aos poucos, tem se tornado uma referência nacional devido à credibilidade adquirida junto ao movimento social negro e as produções midiáticas comprometidas com a identidade étnica e a auto-estima, atividades de sensibilização dos jornalistas sobre a temática negra, divulgação das ações político-culturais dos segmentos afros na Coluna Axé publicada todas às terças-feiras no jornal Tribuna Independente e nas redes sociais Orkut (Cojira-AL) e no Twitter (@cojiraal); envio dos informes afros para os veículos de comunicação, além da produção da retrospectiva afro-alagoana.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

No próximo sábado, 27 de novembro, a COJIRA-AL realiza no Sindicato dos Bancários de Alagoas localizado no Centro de Maceió, um café da manhã seguido de uma conferência sobre “Mídia e Racismo” que será ministrada pelo advogado Alberto Jorge Ferreira, Presidente da Comissão de Defesa das Minorias Étnicas e Sociais da OAB-AL.

 

O evento acontecerá das 8h às 12h, busca contribuir para a auto-estima da população negra e investir na sensibilização e formação da categoria informando sobre a Lei Anti-racismo e o número de casos acompanhados em Alagoas, além de orientar sobre as punições em relação a este crime, principalmente, quando é promovido por veículos de comunicação.

 

A inscrição é gratuita, mas as vagas são limitadas! Para participar, deve-se enviar o nome completo, contato (email e telefone) e ocupação (identificar se é jornalista profissional, estudante de jornalismo ou ativista) para o email cojira.al@gmail.com; ou entrar em contato pelos telefones (82) 8831.3231 e 9999-1301.

O APOGEU DO QUILOMBO DOS PALMARES

19 de novembro de 2010 Deixe um comentário

Helcias Pereira (*)

 

Sabe-se pouco, muito pouco, porém farto o suficiente para expandir consideravelmente o quanto foi rica e dinâmica a história da mais misteriosa e imensurável forma de resistência chamada República Palmarina Quilombola. Certamente ficaram pasmos os senhores da corte com tanta resistência e técnicas de defesa invejáveis, dado à organização dos sublevados. Haveriam de ser impecavelmente organizados e unidos.

O que antes parecera uma simples e indefesa cafua por parte dos senhores de engenho e dos militares da época, o Quilombo dos Palmares passou a ser uma constante dor de cabeça para todos eles, principalmente os governantes que se revezaram por certo impotentes durante um século.

O Quilombo dos Palmares tinha vida própria, munido de regimentos e leis; de culturas e diversidade religiosas, mas, sobretudo, de utopias em busca de dignidade humana, liberdade, justiça e paz.

Seus grandes chefes se valeram de inegáveis inspirações de guerra para manter livre seu povo, articulavam seus postos avançados de inteligência; interagiam juntos a certas pessoas ligadas aos engenhos; infiltravam-se através de seus agentes espiões nas cortes e arraiais e por fim se preparavam para a batalha.  Antes, porém, deslocavam grandes partes de sua população para lugares estratégicos, enquanto seus guerrilheiros preparavam no campo e na mata, diversificadas armadilhas, espalhando fossos repletos de estrepes, camuflagens insuspeitas, entre tantas artimanhas de guerrilha avançada.

Sabiam os mesmos o quanto podiam resistir aos inimigos, que antes de serem surpreendidos, haveriam de ter enfrentado toda falta de sorte, desde os obstáculos naturais da mata repleta de insetos e espinhos às mais íngremes serras cujos caminhos abertos a facões inevitavelmente os levava ao cansaço absoluto, deixando-os inertes e indefesos perante a tática palmarina, por sua vez preparados e acostumados aos ”encantos” da mata inóspita.

É natural querermos dinamizar a história, ao imaginarmos tais performances dos aquilombados.  Igualmente natural é o entendimento que nem tudo fora tranqüilidade no seio palmarino, devido principalmente às diversidades étnico-culturais e a importância da constante preparação dos seus no tocante a defesa militar daquela comunidade.

Por vezes, vários dos moradores foram punidos inclusive com pena de morte, por infligir certamente aos mandamentos das leis locais, fosse pelo fato de algo material ou qualquer outro tipo de crime que pudesse alterar a vida naquele sistema político.  Foi exatamente por conta da forma organizacional e da extensão do Quilombo que os mocambos elegiam seus respectivos chefes, bem como conselhos e comandos militares, além dos grupos de produção tanto na agricultura quanto nas forjas e espaços artesanais.

Outro fato importante, era a necessidade que tinham, principalmente, os mais jovens em se prepararem fisicamente para a guerra, subtende-se aqui que haveriam de se exercitarem em forma de luta, não obstante, não se pode subestimar a possibilidade de haver, já nesta época, um treinamento que nos levaria na contemporaneidade a nos reportar a atual capoeira ou mais primitivo como a caa-puera do tupi-guarani.

Obviamente, pensar no Quilombo dos Palmares não poderia ser diferente de uma sociedade macropolítico-cultural e religiosa onde reinava a liberdade plena e a certeza da unicidade em nome da vida e da dignidade de um povo. Suas lideranças ainda que sistematicamente “monárquicas” visto que Ganga-Zumba era tratado com pompas de Rei, vivenciaram igualmente a realidade de um Estado independente, cujas características republicanas eram absolvidas por um socialismo real e, sobretudo, estrategicamente “poliândrico” onde suas poucas mulheres conviviam maritalmente com até cinco homens ou mais, para não haver disputas internas pelas poucas “fêmeas” presentes nos mocambos.

Aliás, as mulheres quilombolas palmarinas eram observadas como quem “tinham o comportamento leve de uma lebre e o olhar penetrante de uma tigresa’. As mesmas, alem de conviverem e parirem de seus companheiros, ordenavam na casa, cuidavam da roça e ainda se vestiam para a guerra.

No mais, a tática de guerrilha implementada pelos quilombolas palmarinos fora indubitavelmente o grito constante para manter viva a chama da utopia e do apogeu da liberdade e da dignidade de todos.

De Ganga-Zumba (chefe-supremo), filho de Aqualtune (a grande comandante) a Zumbi dos Palmares o último comandante-em-chefe, é preciso reconhecer também a importância de outros nomes que juntos e por tanto tempo organizaram e fizeram resistir o Quilombo dos Palmares. Aqui lembro igualmente: Ganga-Muiça (o chefe soberbo), Ganga-Zona (o prudente), Acaíuba (o grande demolidor), Acotirene (a grande leoa), Andalaquituche (aquele que desaparece), Ozenga (o atalho) e ainda, Camuanga, Dambrabanga, Canhongo, Banga, Camuange, Amaro, Sabalangá e Subupira, naturalmente estendendo “in memorian” todos os guerreiros (as) quilombolas que sucumbiram anonimamente em devesa de seu povo, enquanto sujeitos da história.

 

Axé Povo de Palmares, Axé povo banto e nagô, axé todas as nações afro-ameríndias que constituíram o maior e mais resistente Quilombo do Mundo.

Axé Zumbi dos Palmares Herói Nacional!

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(*)  Arte-Educador – Popular

Membro-Diretor do Centro de Cultura e Estudos Étnicos ANAJÔ

Membro da Coordenação Nacional dos APNs do Brasil

Mobilizador Social do Centro de Educação Ambiental São Bartolomeu

Negras e negros na Bíblia?

17 de novembro de 2010 Deixe um comentário

Por: Edmilson Schinelo


Os evangelhos sinóticos são unânimes em afirmar que um certo Simão de Cirene ajudou Jesus a carregar a cruz, a caminho do Calvário (Mt 27.32; Mc 15.21; Lc 23, 26). Ora, Cirene fica no norte da África, mas alguma vez você ouviu em prédica ou sermão, na catequese, na escola dominical ou no ensino confirmatório, que um africano ajudou Jesus a carregar a cruz? Estudiosos dirão que se trata de um judeu da diáspora, visto que no norte da África havia várias colônias judaicas. Mas com que argumentos ou intenções fazem esta escolha na interpretação?

Por contrariar os interesses da corte de Jerusalém, pouco antes da destruição da cidade pelas tropas babilônicas, o profeta Jeremias foi preso e lançado numa cisterna. Um africano, funcionário do rei (seu nome, Ebed-Melec, significa “ministro do rei”), liderou um movimento para libertar Jeremias (Jr 38,1-13). Quantas vezes você se lembra de ter estudado este texto, dando atenção a este “detalhe”?

Moisés, conta-nos Nm 12, casou-se com uma africana, da região de Cush – Etiópia. Na verdade, quase toda a historia do êxodo se passa na África. Uma simples leitura do Canto de Miriã (Ex 15,19-21), com certeza um dos textos mais antigos de toda a Bíblia, nos permite notar a proximidade da cena com a rica cultura dos povos negros: canto e dança ao redor dos tambores. Você já parou para pensar nisso?

O missionário Filipe, ao “aceitar a carona” na carruagem do negro e alto funcionário de Candace, rainha da Etiópia, tem uma grata surpresa: o africano já tem em suas mãos o livro do profeta Isaías (At 8, 26-40). E há quem continue afirmando que os foram os europeus que levaram a Bíblia para a África!

Pois bem, os exemplos acima são suficientes para nos provocar ao desafio: olhar a Bíblia na perspectiva da negritude!

Em primeiro lugar, porque seguimos acreditando que o Deus da Bíblia faz opção pelas pessoas e pelos grupos mais marginalizados. Em nossa sociedade, as mulheres, as pessoas negras e indígenas continuam sendo as maiores vítimas da gritante exclusão social. Com elas aprendemos a resistir. Em segundo lugar, porque queremos e podemos descobrir as raízes negras do povo hebreu e de toda a Bíblia. De fato, antes de ser européia, a Bíblia é afro-asiática. Não negamos a contribuição européia ao nosso continente, queremos seguir trocando saberes com o chamado “Velho Continente”. Mas denunciamos o cristianismo branco e opressor, com teologias que chegaram ao absurdo de justificar a escravidão negra (feita pelos brancos) e que continuam, muitas vezes, negando nossas raízes.

Não queremos fazer isso apenas pinçando textos bíblicos nos quais apareçam personagens africanas. Este até pode ser o primeiro passo, um exercício necessário e interessante. Mas é preciso mais do que isso, é preciso olharmos toda a Bíblia na perspectiva da negritude. Porque essa é nossa experiência, ainda que negada: vivemos num país onde metade da população é afro-descendente. “Coincidentemente”, é a metade mais pobre.

Que aceitemos o desafio de mergulharmos na Bíblia e na vida com nosso olhar afro-descendente. Afinal, por muitos séculos, fizemos isso apenas com o olhar europeu. Erramos e acertamos, agora vemos que é preciso mais. Ou manteremos a opção, muito mais cômoda e bem menos questionadora para nossa sociedade preconceituosa e racista, de continuar enxergando apenas um Jesus loiro, de olhos azuis e cabelos cacheados?

Fonte: Extraído de Bíblia e Negritude – Pistas para uma leitura afro-descendente.

São Leopoldo: CEBI/EST, 2005.
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