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APNs inicia a 14ª Assembleia Nacional no Maranhão

Representantes dos Estados de AL, ES, MG, PI, PR, RJ, RS, SP e TO debaterão e defenderão as mudanças do Estatuto e Regimento dos APNs 

Por: Helciane Angélica – Jornalista/APN-AL   

Nesta quinta-feira, 21 de abril, foi oficialmente aberta a 14ª Assembleia Nacional dos Agentes de Pastoral Negros do Brasil (APNs) no Espaço Oásis – Centro de Oração, Encontros e Cursos localizado na ilha de São Luiz, no estado nordestino do Maranhão. Tem como objetivo central a construção de um novo regimento interno e a revisão do Estatuto Social, da entidade nacional que possui 28 anos de trajetória no país.

As atividades foram iniciadas com uma mística especial conduzida pelo Mocambo do Estado anfitrião e o pronunciamento do Coordenador Geral Nuno Coelho. Logo após, foram lidas mensagens de congratulações da Ministra Luiza Bairros da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), da Ministra Iriny Lopes, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres; o Ministro de Estado Gilberto Carvalho, Chefe da Secretaria Geral da Presidência da República; e Eloi Araújo, Presidente da Fundação Cultural Palmares/Ministério da Cultura.

Conheço os APNs, que são firmes com a missão de construção de um Brasil mais justo, fraterno e com igualdade entre negros e não-negros”, mencionou Eloi Araújo, ex-Ministro da Seppir e atual Presidente da FCP, durante sua carta de apoio e parabenização pelo evento.

Ao som dos atabaques, agogô e xequerê, em todos os intervalos, os militantes cantam, dançam e exaltam a conscientização, organização, fé e luta dos APNs.

Representação

Participam da Assembleia: delegados, observadores e convidados das mais diversas manifestações culturas, de todas as idades e crenças religiosas, na sua maioria mulheres. Estão presentes representantes dos estados do Alagoas, Espírito Santo, Maranhão, Minas Gerais, Paraná, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo e Tocantins. Infelizmente, tivemos a ausência dos estados da Bahia e Goiás.

O primeiro dia da Assembleia foi marcado por formação e o debate sobre “Ser negro e ser APNs no Brasil”. O Coordenador Nacional de Formação, Helcias Pereira, ministrou a palestra “Pertencimento e Resistência Negra” que traz a reflexão referente aos estereótipos sobre o povo negro, a ancestralidade e os conhecimentos desenvolvidos no continente africano, a importância da Imprensa Negra, efeitos do racismo, identidade, consciência negra, militância e ser APN.

Debate

Na plenária, o debate sobre empoderamento negro nos mais diversos setores foi fortalecido. Em relação ao pertencimento étnico, o Prof. Msc. João Carlos Pio (APN/MG) destacou que palavra pertencer é bastante discutida no campo da Sociologia, a exemplo do teórico Max Weber, e significa “fazer parte de uma comunidade política que faz sentido”.

Já a pedagoga Jacinta Maria dos Santos (APN/MA) refletiu sobre a importância da consciência étnica e a responsabilidade dos militantes. “O que é consciência negra, o que é eu assumir a minha negritude e ser de um povo de luta? Tem muita gente que se fantasia de negro, mas na prática possui uma atitude diferente, não tem o mesmo posicionamento. Tem muito militante que utiliza a causa para proveito próprio, enquanto, a comunidade continua sofrendo e passando dificuldades. E isso é ser militante?”, questionou.

A educadora Darci da Penha (APN/RJ) pediu a palavra para relembrar sobre a aplicabilidade da Lei 10.639/03 e cobrar maior engajamento. “Eu não quero trabalhar a questão do negro apenas no dia 20 de novembro, e só aí, mostrar a roda de capoeira, falar da feijoada e de outras coisas. Eu gostaria que nós [APNs em Assembleia] saíssemos daqui com a missão de sermos fiscalizadores da Lei em nossos Estados”, defendeu.

A jornalista Valdice Gomes (APN/AL) aproveitou para destacar que a luta da imprensa negra é antiga e teve um hiato durante o período da ditadura, mas atualmente, existe um movimento nacional de jornalistas sindicalizados discutindo a visibilidade étnica no Brasil e o profissional negro. “A comunicação é um espaço de poder, e não é a toa que a grande mídia não dê espaço para temática étnico-racial, mas precisamos intervir e participar da discussão da democratização da comunicação no Brasil”, ressaltou.

Em relação a questão de “Ser APNs”, o Coordenador Nacional Nuno Coelho (APN/SP) afirmou que o pertencimento não foi trabalhado quando chegou à entidade, e só foi percebendo por meio das leituras e da vivência. “Ser APNs pra mim hoje é ser família, e isso não faz parte do Estatuto e do nosso regimento, e sim, faz parte da nossa formação. E eu não vejo isso em outro movimento negro do Brasil, é aqui entre vocês que eu busco o meu horizonte”, destacou.

À noite, teve uma kizomba cultural com a participação do cantor e compositor maranhense Luiz Carlos Guerreiro, que interpretou canções que exaltam a cultura e a história do povo afro-descendente. Também ocorreu a apresentação da tese de Mestrado do professor João Carlos Pio, com o tema “Currículo e Diversidade Étnico-racial na materialidade da Lei 10.639/03 em duas escolas da rede municipal de Contagem”, pesquisa defendida no dia 05 de abril na PUC-MG.

Fonte: http://www.apnsbrasil.org/

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