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Nota dos APNs: Violência Contra Militante de Alagoas

26 de dezembro de 2011 Deixe um comentário

Conscientização, Organização, Fé e Luta
www.apnsbrasil.org

A Direção Nacional dos Agentes de Pastoral Negros do Brasil – APNs, tem acompanhado, com muita preocupação, a constante onda de violência praticada contra as mulheres no Brasil.
Embora o Brasil tenha conquistado a duras penas a Lei Maria da Penha, não temos visto uma ação mais efetiva por parte das autoridades policiais afim de fazer valer a lei que garante segurança e amparo legal as vitimas de violência, principalmente as mulheres.
Os APNs se sente profundamente atingidos e indignados diante da violência sofrida pela nossa associada e militante negra Cássia da Silva Nicandio, ocorrido no último dia 22 de dezembro no Supermercado GBarbosa localizado no bairro da Cruz das Almas na capital alagoana pelo funcionário James das Neves Bernardes. Reafirmamos que nada justifica a violência!
Os APNs continuará empenhados na luta pela justiça e pela paz porque acredita na dignidade da pessoa humana e na solidariedade entre os povos e lembra: a impunidade é uma das causas do aumento da violência.
Manifestamos, mais uma vez, nossa solidariedade a companheira Cássia da Silva Nicandio, acreditando que as mulheres negras, continuem perseverantes, fiéis aos objetivos da nossa entidade que é lutar contra toda forma de discriminação e injustiça social e moral.
São Paulo, 24 de dezembro de 2011

Nuno Coelho
Coordenador Nacional dos APNs

Rejane Maria Rosa
Secretária Geral dos APNs

Funcionária é agredida dentro do Supermercado GBarbosa

24 de dezembro de 2011 1 comentário

A vítima que é uma mulher negra sofreu violência moral e física, e o gerente da loja evitou prisão em flagrante

Texto e fotos: Helciane Angélica – Jornalista/integrante da Cojira-AL

O Natal é considerado o período mais esperado do ano para as famílias e empresas, onde as pessoas pregam a paz, união e o amor ao próximo, além de irem às compras para adquirir os produtos das confraternizações e garantir a troca de presentes. Porém, a Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial em Alagoas (Cojira-AL/Sindjornal) denuncia um fato lamentável que ocorreu na última quinta-feira (22.12) em Maceió.

Por volta das 10h30, no Supermercado GBarbosa localizado no bairro da Cruz das Almas na capital alagoana, a funcionária Cássia da Silva Nicandio, 37, foi covardemente agredida por outro funcionário chamado James das Neves Bernardes no próprio local de trabalho. Segundo a vítima, James era uma pessoa reservada e tranquila, mas nos últimos dias estava sendo grosseiro com todos, inclusive, com a encarregada do setor.
Eu fui conversar para saber o que estava acontecendo, ele tinha faltado e perguntei se estava doente, se estava tudo bem. Ele disse que tinha todas as doenças do mundo e que ninguém do trabalho acreditava”. Cássia terminou perguntando se aquilo era destinado a ela, e aos gritos James respondeu: “se a carapuça serviu o problema é seu”. Diante da resposta ríspida, pediu para abaixar o tom de voz e foi quando ele partiu para cima, ela se protegeu com um empurrão e depois foi atingida com uma lata de refrigerante na cabeça.
A partir daí, as agressões se multiplicaram sobre os olhares de outros funcionários e clientes. James tentou dar uma “gravata” no pescoço, jogou-a no chão, deu socos e pontapés, enquanto, as pessoas gritavam pedindo para parar e tentavam afastá-lo. Com a chegada do gerente, o ataque cessou e os demais funcionários queriam linchá-lo, mas, ele foi conduzido para o setor pessoal onde ficou um tempo, deixou seu atestado médico, e em seguida liberado.

A polícia não foi acionada e com a demora da SAMU, a vítima saiu desacordada em um carro de um amigo e foi atendida em um hospital particular. Posteriormente, seguiu para a 1ª Delegacia Especializada no Atendimento a Mulher; onde prestou queixa e o boletim de ocorrência, depois foi até o Instituto Médico Legal (IML) fazer o exame de corpo de delito.
Para a ativista do movimento negro alagoano, Filomena Felix Costa – Presidenta do Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô, entidade vinculada aos Agentes de Pastoral Negros do Brasil (APNs), onde Cássia também é integrante – sua amiga foi duplamente agredida. “Foi um absurdo o agressor não ter sido preso em flagrante. Se fosse uma cliente que tivesse sido espancada, ele seria liberado? E se fosse alguém que estivesse roubando a loja, mesmo que fosse um confeito também seria liberado? Onde estavam os seguranças? Esse caso não pode ser esquecido, temos que denunciar na mídia porque a empresa foi conivente durante o momento e também por se tratar de uma mulher humilde e negra, que foi humilhada e teve seus direitos violados”, exaltou.
De acordo com Cássia Nicandio, o gerente mencionou que pretende demitir o funcionário, assim como, afirmou que a empresa está à disposição dela para o que for preciso, e que ela junto à família fizesse o que estivesse ao seu alcance para denunciar o agressor. Neste momento, Cássia anda com dificuldades devido ao inchaço na perna e dores no corpo, e afirma está se sentindo envergonhada com o que aconteceu.


Assessoria jurídica

 

 

O advogado Alberto Jorge Ferreira dos Santos, conhecido por Betinho, que é Presidente da Comissão de Defesa das Minorias Étnicas e Sociais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-Alagoas) está acompanhando o caso. Ele informou que entrará com uma ação de rescisão indireta de contrato de trabalho, pois a vítima encontra-se em estado de choque e sem condições de exercer suas funções no local, além disso, a omissão da empresa ainda pode acarretar em danos morais.
Em relação a James, o advogado comparecerá com a vítima na próxima terça-feira (27.12) às 9h na Delegacia das Mulheres para conversar com a delegada Paula Mercês da Silva e saber se a intimação referente à lesão corporal foi entregue e seguir com trâmites legais necessários para punir o agressor.