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Frente Alagoana de Apoio a Promoção da Igualdade Racial é oficialmente lançada

2 de fevereiro de 2013 Deixe um comentário

 

Segue abaixo a carta que foi lida nessa sexta-feira (01.01.13), na Praça dois Leões localizada no histórico bairro do Jaraguá em Maceió(AL), durante a festa dos grupos afro-culturais no Jaraguá Folia 2013.

 

 

CARTA ABERTA A SOCIEDADE SOBRE A CRIAÇÃO DA FRENTE ALAGOANA DE APOIO A PROMOÇÃO DA IGUALDADE RACIAL

 

 

Desde a década de 1980, o Movimento Negro Alagoano marcou sua presença denunciando vários casos de racismo e preconceitos raciais em Alagoas; resgatou e fez ser tombada a Serra da Barriga enquanto solo sagrado agregador do maior e mais importante quilombo do mundo que foi o MUKAMBU DE PALMARES.

 

Nas últimas décadas, Zumbi dos Palmares e seus malungos são devidamente homenageados por milhares de ativitas dos mais diversos segmentos. No entanto, o Movimento Negro Alagoano que tem se mostrado forte nas suas bases afro-culturais e religiosas, vem demonstrado nos últimos anos a necessidade de uma articulação mais política e orgânica no sentido de fortalecer sua eficácia mediante os avanços e desafios da contemporaneidade.

 

As datas emblemáticas como: 21 de janeiro – Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa; 01 e 02 de fevereiro – que retratam o dia do “Quebra” e o desenvolvimento do projeto Xangô rezado alto; 06 de fevereiro – dia de vigília na Serra da Barriga em memória da última batalha da Cerca Real dos Macacos, refletindo o morticínio dos guerreiros quilombolas palmarinos enquanto heróis anônimos do povo negro brasileiro; 08 de março – Dia Internacional da Mulher, bem como, o dia 21 de março – Dia Internacional pela Eliminação do Racismo, cuja data também comemora-se a criação do Ministério de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e ainda, dia em que Zumbi dos Palmares é inscrito no livro do Tombo enquanto Herói Nacional do Povo Brasileiro; 25 de julho que se comemora o Dia Internacional da Mulher Afro-latino Americana e Caribenha, além é claro, de todas as dadas e vitórias como a criação do Estatuto da Igualdade Racial, da Lei Caó que acusa os crimes de racismo, da lei 10639 que ainda precisa ser efetivada neste Estado e principalmente o 20 de novembro enquanto Dia Nacional da Consciência Negra e de Zumbi dos Palmares que em muitos Estados da Nação têm sido organizado e politicamente festejado durante todo mês.

 

Portanto:

 

Considerando que Alagoas tem sido um Estado que amarga os primeiros lugares no extermínio da juventude negra, chegando a dolorosa constatação de ter de cada 100 jovens assinados, um total 84 negros.

Considerando que o Plano Juventude Viva, instalado pelo Governo Federal em Alagoas é de suma importância para a promoção políticas públicas, faz-se necessário que a população, sobretudo, a juventude negra seja de fato contemplada por essas políticas;

 

Considerando como uma vitória a aprovação do projeto de Lei que constitui o Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial em Alagoas: Entendemos que é de suma importância que todos nós, artistas, ativistas negros, pesquisadores, educadores, capoeiristas, remanescentes de quilombo, agentes afro-culturais, ritmistas das bandas afros, maracatus e afoxés, babalorixás, ialorixás e outros afins, devemos unir nossas forças para fortalecer a luta através da FRENTE ALAGOANA DE APOIO A PROMOÇÃO DA IGUALDADE RACIAL – FAPIR, e assim podermos de forma macro representativa: Articular e apoiar todas as políticas públicas em favor da Igualdade Racial e de Combate ao Racismo e toda forma de discriminação; Acompanhar, orientar e apoiar a participação dos grupos e entidades nos Conselhos Estadual e Municipais de Promoção a Igualdade Racial e outros correlatos; Acompanhar, participar e apoiar o PLANO JUVENTUDE VIVA (de Enfrentamento a Violência Contra a Juventude Negra), visando à execução plena do mesmo, favorecendo a comunidade negra periférica e seus agentes afro-culturais, a exemplo da capoeira, dança afro, maculêle, coco de roda, maracatu, afoxé, bumba-meu-boi, Afro ONGs e outros devidamente comprometidos com a causa; Realizar ações em favor da FORMAÇÃO POLÍTICA das lideranças afro-culturais ameríndias e membros em geral dos grupos filiados, através de debates, seminários, simpósios e cursos de formação sobre o pertencimento étnico, políticas públicas e ações afirmativas, entre outras.

 

A FAPIR que começou a ser idealizada durante festividades no “20” de novembro na Serra da Barriga, teve sua articulação anunciada em 05 de setembro de 2012 em reunião informal com representantes do Governo Federal durante momento de  apresentação da proposta do Plano Juventude Viva para Alagoas. Assim sendo, foram realizadas várias reuniões de articulação para adesão e organização da FAPIR, a qual deverá ser composta por todas as representações étnicas, culturais e religiosas, bem como ativistas devidamente referendados por sua comissão executiva.

A FAPIR será um instrumento de articulação, macro-organização em defesa do povo afro alagoano, no sentido de juntos defendermos os reais direitos, combater a marginalidade política e promover a comunidade negra mediante as ações afirmativas, inclusive valorando sua ascensão nos organismos públicos e privados.

 

Nesse sentido, e diante de tantos malungos e malungas, neste momento de união e integração afro-cultural, DECLARAMOS o 01 de fevereiro de 2013 como o dia de criação da FRENTE ALAGOANA DE APOIO A PROMOÇÃO DA IGUALDADE RACIAL – FAPIR.

 

Olorum Kolofé Axé.

 

Maceió-Alagoas, 01 de fevereiro de 2013.

 

Entidades do Movimento Negro criam Frente Alagoana de apoio à Promoção da Igualdade Racial

1 de fevereiro de 2013 Deixe um comentário

Por: Valdice Gomes – Jornalista (MTE/AL 288)

Várias entidades do movimento social negro de Alagoas lançam nesta sexta- feira (1º de fevereiro) a Frente Alagoana de apoio à Promoção da Igualdade Racial (Fapir), a partir das 19h, na Praça 2 Leões no bairro histórico de Jaraguá em Maceió. O objetivo é possibilitar um espaço de articulação e organização do Movimento Negro Alagoano frente a demandas da atual conjuntura, sobretudo, em relação à luta pela igualdade racial, formação política dos segmentos e lideranças, bem como, o acompanhamento com intervenções do Plano Nacional Juventude Viva em Alagoas.
Segundo informa Helcias Pereira, membro do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR) e um dos articuladores da Fapir, há cerca de dois meses representantes de várias entidades do movimento negro, incluindo casas de axé e grupos de capoeira, vem participando de reuniões de mobilização e discussão sobre a necessidade de uma frente de articulação dos vários segmentos, onde possam discutir pautas de interesse comum. A finalidade é o fortalecimento da luta em defesa de políticas públicas de promoção da igualdade racial no Estado, combate ao racismo, à intolerância religiosa e todo tipo de preconceito.
Para a yawó da Comunidade Legioniré Nitó Xoroquê, Mônica Carvalho, “a Fapir tem uma missão central que é estimular o empoderamento, onde possamos interagir, articular ações e trabalhar em prol do desenvolvimento de políticas públicas. E para a comunidade religiosa de matriz africana é um espaço novo e de grande importância, já que a gente nunca teve um espaço legítimo de fala para expor nossa realidade”.
Mesmo antes do lançamento oficial da Fapir, a articulação dos segmentos já vem obtendo resultados positivos, a exemplo da aprovação do Projeto de Lei que cria o Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial na Assembleia Legislativa, e a eleição dos representantes do Movimento Negro e de Juventude para integrar o Comitê Gestor do Plano Nacional Juventude Viva em Alagoas.
O ato de lançamento da Fapir acontecerá durante a concentração do Cortejo Afro Tia Marcelina, no palco AfroCaeté, onde haverá apresentações dos grupos Arê Yorubá, Afro Mandela, AfroGurungumba (de Viçosa) e o Coletivo Afro Caeté, com participação de Demis Santana e Fagner Dubrown. O Cortejo sairá às 22h, passando pela Rua Barão de Jaraguá, em direção às praças Rayol e Marcílio Dias, entrando pela Avenida Sá e Albuquerque. Após a saída do Cortejo o comando da festa na praça 2 Leões ficará com Igbonan Rocha e Wilma Araújo, com o show Nosso Samba.
O Cortejo Afro Tia Marcelina também será fortalecido com a participação do Afoxé Povo de Exu (Ilê Axé Legionirê/Benedito Bentes), do Afoxé Oju Omin Omorewá (Jacintinho), do Afoxé Ofaomin (Ilê Axé Ofaomin/Ponta Grossa), do Núcleo Cultural da Zona Sul, do CEPA Quilombo (Jacintinho) e da Articulação dos grupos da Cultura Popular e Afro-Alagoana.
Fonte: Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial em Alagoas (Cojira-AL)
(82) 8878-7484 / 9999-1301

 

Oficina nacional dos APNs-Brasil discute políticas públicas para a juventude

1 de fevereiro de 2013 Deixe um comentário

bandeira - Juventude APNs

O evento reúne um grupo seleto de lideranças jovens oriundas de várias partes do país

Por: Helciane Angélica

Jornalista e Coordenadora Nacional de Comunicação e Mobilização/APNs

jovens.apnsA Associação Cultural dos Agentes de Pastoral Negros do Brasil (APNs) realiza em Curitiba (PR), no período de 31 de janeiro a 3 de fevereiro de 2013, uma oficina nacional intitulada: “A inserção da Juventude APNs no monitoramento das Políticas Públicas de juvenil no Enfrentamento à mortalidade da juventude negra”.

Estão presentes lideranças jovens que representam vários estados do Brasil, e de acordo com Nuno Coelho, Coordenador Geral dos APNs, “os jovens foram escolhidos pelo compromisso com a entidade, o espírito de liderança, o tempo de caminhada e o perfil dinâmico de cada um”, disse.

Já o coordenador nacional de Juventude da entidade, Eduardo Dutra, defende que essas atividades além de servir para o aprofundamento de conhecimentos, contribuem diretamente com o protagonismo juvenil.

Estamos aqui para agregar, elaborar e desenvolver ações de monitoramento e instrumentos de reflexão e formação permanente sobre as políticas para juventude, em especial juventude negra. Jovem APNs é aquele que não se limita, que se refaz, que se redescobre e se potencializa. E na atual conjuntura, é importante que o jovem negro seja um agente de transformação”, destacou o coordenador.

O evento é uma realização dos Agentes de Pastoral Negros (APNs) por meio da Comissão Nacional de Juventude, e conta com o apoio da Fundação Friedrich Ebert do Brasil (FES).

Programação

Dentre as temáticas a serem discutidas estão: A participação nas políticas públicas para a juventude; Juventude APNs: Possibilidades e Expectativas; Juventude APNs: Afetividade, Sexualidade e Pertencimento; Um novo momento para a juventude no Brasil; Projeto de prevenção à violência contra a juventude negra (Plano Juventude Viva). Também está previsto a exibição do vídeo “Preto contra branco” produzido pela FES.

No encerramento, os participantes irão expor suas opiniões na plenária para definir a linha de ação que as jovens lideranças desenvolverão em suas bases (mocambos). Tem o intuito de garantir uma atuação pró-ativa para a juventude: desenvolver ações de monitoramento e instrumentos de reflexão e formação permanente; conhecer as iniciativas governamentais em curso, que são implementadas pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) em parceria com a Secretaria Nacional de Juventude.

Juventude Negra

Atualmente no Brasil, os homicídios são a principal causa de morte de jovens entre 15 a 29 anos e atingem especialmente jovens negros do sexo masculino, moradores das periferia e áreas metropolitanas dos centros urbanos. Para diminuir os altos índices que representam um extermínio da juventude negra, o Governo Federal lançou a primeira fase do Plano Juventude Viva em setembro de 2012, na cidade de Maceió (AL). Saiba mais no site: www.juventude.gov.br/juventudeviva/o-plano.