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Archive for março \28\UTC 2013

Comitê Estadual de organização consegue alojamento para participantes

28 de março de 2013 Deixe um comentário

 

Foto: www.almanaquebrasileirao.blogspot.com.br

Na manhã do dia 25 de março, integrantes do Comitê Estadual de Organização da celebração referente aos 30 anos dos Agentes de Pastoral Negros do Brasil (APNs), visitaram as instalações do Estádio Rei Pelé localizado na região sul de Maceió(AL). Estiveram presentes: Helcias Pereira, Helciane Angélica, Allex Sander Porfírio e Maria das Graça Silva – Gerente de Diversidades da Secretaria Estadual de Educação e Esportes (SEE). 

O grupo foi recebido por Márcia Maia, integrante da equipe da Superintendência de Esportes da SEE e que é responsável pelos alojamentos. Na ocasião, a funcionária mostrou as instalações dos apartamentos que possuem beliches, ar condicionado, banheiros e armários. No local também existe um auditório que pode ser solicitado para alguma reunião ou até mesmo o 2º Encontro Nacional da Juventude APNs.

O Mocambo Anajô/APNs-AL havia solicitado da Secretaria Estadual o apoio com o Centro Estadual de Formação (Cenfor) que encontra-se ocupado durante o período de 1º a 5 de maio, então, os alojamentos do Estádio Rei Pelé tornou-se uma opção adequada para acomodar os participantes do evento em segurança e com conforto.

Foram solicitadas 200 vagas e os quartos serão dividos em duas alas (feminino e masculino) e terão coordenadores para facilitar a comunicação com o comissão organizadora. Para garantir a vaga, o(a) interessado(a) precisa comunicar imediatamente ao(a) seu(sua) Coordenador(a) Estadual. E todos os participantes, independente de ficarem ou não no alojamento, precisam encaminhar a ficha de inscrição no evento para o email: onganajo@hotmail.com.

Confira algumas imagens da visita:

 

 

 

 

Bastidores: Cerimônia de dez anos da Seppir

24 de março de 2013 Deixe um comentário

Confira algumas imagens de Helcias Pereira, Coordenador Nacional de Formação dos APNs e Presidente do Anajô, durante a solenidade em homenagem aos 10 anos da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, realizada em Brasília, no dia 21 de março.

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Helcias Pereira representa sociedade civil na cerimônia da Seppir

23 de março de 2013 Deixe um comentário

577101_545222522189730_1934978227_nNessa quinta-feira, 21 de março, ocorreu em Brasília a cerimônia em homenagem aos 10 anos da Secretaria de Políticas na Promoção da Igualdade Racial (Seppir). Na atividade, o ativista alagoano Helcias Pereira, foi escolhido para representar a sociedade civil que faz parte do Conselho Nacional de Políticas para Igualdade Racial (CNPIR).

Atualmente, Helcias é o Coordenador Nacional de Formação dos Agentes de Pastoral Negros do Brasil (APNs) e Presidente do Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô, e nos encheu de alegria e orgulho, ao representar nossa entidade nesse importante evento.

Confira abaixo o seu discurso:

Teatro Nacional – Brasília (DF) – 21 de março de 2013.

Prezados (as) malungos e malungas (companheiros e companheiras de caminhada)

Senhores e senhoras,

No dia de hoje, 21 de março de 2013, deveríamos fechar nossos olhos mesmo que por alguns segundos apenas, para fazermos uma rápida reflexão da imensurável importância desta data. Poderíamos reproduzir em nossas mentes, os vários flashes que nos permitiriam reviver uma série de fatos imprescindíveis para a nossa autotransformação, sobretudo pela condição de sujeitos da história, que somos.

Obviamente, sendo esta data o Dia Internacional Pela Eliminação do Racismo, por ocasião do massacre ao povo negro Sul-Africano em 1960, fato em que parte do mundo repudiou o regime segregacionista do Apartheid, apontando para uma possível mobilização mundial de combate ao racismo, não nos faz refletir outra imagem, se não a de centenas de homens, mulheres e crianças sendo atingidas por balas assassinas comandadas pela tirania hegemônico-militar daquele país. Neste caso, nossa reflexão deve ser de pesar e de solidariedade permanente aos que sofreram as irreparáveis e profundas dores tanto físicas quanto morais, vitimadas pelo racismo.

Em relação ao nosso querido Brasil, com dimensão absolutamente continental, não podemos nem devemos esquecer as lamúrias que nossos povos negros e indígenas passaram durante o colonialismo e depois da Lei Áurea em 1888, quando sem qualquer política de Estado foram condicionados a viver sem direito a terra, educação, saúde e a todas as políticas capazes de proporcionar  vida digna ao povo que literalmente construiu esta nação.

Por décadas nosso povo lutou derramando suor e sangue em busca da transformação deste país; tentou ecoar seu grito de liberdade, fomentando grupos de base, fortalecendo as organizações, se inserindo nas instâncias político-sindical-cultural e econômica, no entanto, o preconceito e as discriminações continuaram segregando a nossa gente e alimentando essa chaga repudiável que e o RACISMO.

Nas últimas décadas, o Movimento Negro Nacional  fez um papel de extrema relevância para o processo de mudança na história deste país.   Seu envolvimento conjunto e constante nas lutas, protagonizou grandes marchas e caminhadas, congressos, seminários e outros de igual importância; evidenciou-se nesta contextualidade, um processo de perseverança e imensurável coragem de valorosos negros petistas que com determinação articularam a criação deste órgão que se transformou no símbolo de luta pela igualdade racial, e foi justamente no dia 21 de março de 2003 que os brasileiros puderam celebrar a grande conquista que foi a criação da Secretaria Nacional de Políticas pela Promoção da Igualdade Racial – SEPPIR.

São dez anos de aprendizados, organicidades, desafios e conquistas; dez anos de fomento e construção de novas etapas, de novas histórias, novos valores. A SEPPIR, bem como o CNPIR advêm dos sonhos, das esperanças, dos compromissos da caminhada, e principalmente das lutas daqueles que sempre acreditaram nesse instrumento de transformação.

Temos absoluta certeza que o então presidente Lula não encamparia essa proposta, se de fato não houvesse uma importância real e vital para a promoção de políticas públicas direcionadas para a igualdade racial. Essa certeza é redobrada quando vivenciamos por conta da importância da SEPPIR os diversos momentos históricos com suas devidas conquistas, exemplificadas pelos diversos marcos legais, a exemplo da criação da Lei 10.639/2003 que infelizmente ainda precisa ser efetivada; A Política Nacional de Saúde Integral da População Negra; o Programa Brasil Quilombola, o Plano Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, a Lei 12.888/2010 que instituiu o Estatuto da Igualdade Racial, outras leis e sanções defendendo as Cotas, a exemplo da votação histórica no STF aprovando por unanimidade as Cotas nas Universidades, dentre outras.

Acredito que neste dia 21 de março de 2013, na luta internacional pela Eliminação do Racismo, é necessário que comemoremos os dez anos da SEPPIR, por entendermos que a mesma é o sonho e a conquista do nosso povo, portanto: em nome da sociedade civil que compõe o pleno do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial – CNPIR, conselho este ao qual tenho a honra de integrar e conviver com tantas lideranças nacionais, cujas entidades representam a força dos movimentos: cito: APNs, UNEGRO, ANCEABRA, REDE AMAZÔNIA NEGRA, CNAB, EDUCAFRO, CEAP, PAB/CNBB, CENARAB, ENEGRECER, AMNB, FNMN, CONAQ, CUT, UGT, ABPN: FENAFAL, UNE,    COMUNIDADE CIGANA (CEDRO),  COMUNIDADE JUDAICA (CONIB),  COMUNIDADE ÁRABE (Fepal), bem como, as três companheiras do Notório Conhecimento nas Questões Raciais:

Nesse contexto, quero render homenagens a Ministra da SEPPIR – Srª Luiza Bairros e toda sua Equipe; a Presidenta da República Srª Dilma Roussef, bem como, o ex-presidente Lula que sancionou a criação da SEPPIR, e ainda, render homenagens também a todos que passaram e fizeram sua parte na SEPPIR, a exemplo da Ex-Ministra Matilde Ribeiro, dos Ex-ministros Edson Santos e Eloi Ferreira, naturalmente com suas respectivas equipes de trabalho.

Neste ensejo, quero agradecer profundamente ao Pleno do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial que referendou o meu nome para honrar este momento aqui de todos, e com carinho e emoção estendo esse agradecimento em nome dos AGENTES DE PASTORAL NEGROS DO BRASIL – APNs entidade do Movimento Negro Nacional presente em doze Estados da Nação, cuja organização galgou o ápice dos seus trinta anos no ultimo dia 14 de março de 2013, e que está contando os dias para realizar a sua grande Kizomba no período próximo de 01 a 05 de maio em Alagoas, na Terra de Zumbi dos Palmares, celebrando a sua história de organização, fé e luta, com seus malungos e malungas no solo sagrado da Serra da Barriga, bebendo o axé dos ancestrais quilombolas palmarinos e fortalecendo ainda mais a sua caminhada de combate ao racismo e em defesa da igualdade  Racial no nosso Brasil.

Axé povo de Zumbi! Axé SEPPIR! Axé CNPIR.

Helcias Roberto Paulino Pereira

Representante do Agentes de Pastoral Negros do Brasil no Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial– CNPIR / SEPPIR.

APNs-AL celebram aniversário da entidade nacional

15 de março de 2013 Deixe um comentário

Na noite do dia 14 de março de 2013, integrantes dos Agentes de Pastoral Negros do Brasil (APNs) do Estado de Alagoas se reuniram para celebrar os 30 anos da entidade nacional. No aniversário teve mística, cine-fórum, lanche e alegria; além da leitura de poema, e, da moção de aplausos defendida pela vereadora Fátima Santiago (PP) que foi aprovada na Câmara Municipal de Maceió.

Confira o registro fotográfico.

 

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Parabéns malungos(as) pelos 30 anos!

14 de março de 2013 Deixe um comentário

Por: Helcias Pereira – Coordenador Nacional de Formação dos APNs e Presidente do Anajô

Como fogueirinhas os APNs se organizavam em inúmeros mocambos espalhados pelo Brasil, antes, sua maioria católica fazia ecoar ao som de tambores nos inúmeros encontros de formação, celebrações afros e mushakás, os cânticos:: “dança aí negro nagô”, “eu sou negro sim”, “ei meu pai quilombo” e outros. Ouvimos bispos como Dom Helder Câmara e Dom José Maria Pires (Dom Zumbi) clamando por “Mariama” para olhar e cuidar do seu povo, além de dizerem que não bastava a Igreja pedir perdão pelos males causados aos negros escravizados. Vimos padres e várias lideranças de congregações religiosas portando “filás” e “abadas” brancos e/ou coloridos; cantando e dançando circularmente ao som de tambores; abraçando com alegria e respeito o seu semelhante ao som do refrão “um abraço negro, um sorriso negro, trás felicidade…”. Posteriormente, era possível ver negros e não negros envolvidos nesse novo jeito de celebrar a vida, sobretudo, pessoas das Igrejas Batista, Metodista, Anglicana e principalmente das religiões de matriz africana.

Atividade dos APNs-ALAGOAS no dia 14 de março‏

13 de março de 2013 Deixe um comentário

Logo_APNs30 Anos_by_Helberth OliveiraOlá malung@s!

Convoco todos os membros dos Agentes de Pastoral Negros do Brasil (APNs) do Estado de Alagoas – mocambos ANAJÔ, ESPERANÇA e AGOSTINHO – para participarem de uma programação especial nessa quinta-feira (14.03.13) em homenagem aos 30 anos da nossa entidade nacional.

A ação acontecerá a partir das 19h, na nova sede do Anajô localizada na Rua Caetés, nº46-A, Jacintinho. Ao chegar na principal do bairro, deve entrar na rua que tem o Varejão dos Medicamentos (antiga farmácia São José) e um Pet shop que tem de esquina (fica entre a rádio 96fm e a Tv Alagoas); a sede fica próxima da casa da Madal. Quem tiver dificuldade de encontrar a casa, tem que ligar.

Na ocasião vamos fazer um cine-fórum, assistiremos o documentário de 36min: OJÚOBA – LIBERDADE RELIGIOSA, EU TENHO FÉ!. E também teremos um bate papo sobre a missão da nossa entidade: “Conscientização, Organização, Fé e Luta!!!”, e, um breve repasse sobre a organização da cleebração que ocorrerá em maio deste ano.

É importante que as pessoas levem algum lanche para degustarmos todos juntos. Mas, a pipoca e o guaraná já estão garantidos!!!

Abraço

Helciane Angélica – Coordenadora Estadual dos APNs/AL
(82) 8831.3231 / 9984.2063

Categorias:Anajô, APN's

APNs: 30 anos de fé e luta pela Igualdade Racial

10 de março de 2013 Deixe um comentário

Por: Nuno Coelho (*)

Este é um mês particularmente especial para os Agentes de Pastoral Negros do Brasil (APNs). Diante dos desafios cotidianos, por vezes, corremos o risco de não celebrar com a merecida importância a chegada dos nossos 30 anos, que celebraremos quinta-feira, dia 14 de março.

 

Nesta carta mensal resgato um pouco da nossa história e a sua relação frutuosa com o movimento social e a redemocratização do Brasil.

 

A trajetória dos APNs sempre esteve ligada diretamente a questão da fé como elementos fundamentais para salvaguardar entre outras coisas dos valores do povo negro. Esse elemento, juntamente com sua cosmovisão e práxis solidária, trouxe para a comunidade negra uma rica contribuição. A participação junto às Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) possibilitou que negros e negras podia manifestar sua fé de forma concreta e comprometida e foi a partir daí que se deu a ampliação da consciência dos problemas que afligiam a vida dos empobrecidos e que despontou a questão do racismo e da discriminação racial. A percepção de que a discriminação racial e o racismo agravavam ainda mais a situação da população negra trouxe novos desafios para os negros na Igreja.

 

Ao me preparar para as comemorações dos 30 Anos dos APNs me propus a reler alguns artigos dos nossos fundadores e lideranças, verdadeiras heranças biográficas. Em uma delas me deparei com o diálogo dos fundadores, os padres Batista, Toninho e Edir, no viaduto do Chá, na cidade de São Paulo, sobre a necessidade que na época aparecia como cada vez mais evidente que era de se fazer algum trabalho com os negros e negras atuantes nas igrejas. A partir desta demanda, os três, resolveram então convocar o primeiro encontro com os interessados, não importando de que religião ou denominação cristã pertencessem. Três eram os critérios de participação: viver uma experiência religiosa de fé, ser um agente de pastoral, isto é, ser atuante; e, assumir-se como negro ou negra. O embrião do que seriam os APNs mais tarde estava sendo preparado a partir daquele histórico diálogo.

 

O encontro ocorrido no Convento dos Carmelitas, na rua Martiniano de Carvalho reuniu oitenta e três pessoas. Algumas coisas ficaram evidentes desde aquele primeiro momento, e uma delas foi a convicção de que um trabalho na perspectiva pastoral com a população negra só pode ser realizada na abertura e na prática ecumênica. Desde este primeiro momento e ao longo dos anos a agenda da entidade foi seguindo um caráter social e político, que foi consolidando os APNs como uma organização social do movimento negro.

 

Como afirma o Pe. Toninho em seus textos, os “APNs na década de 80 eram uma promessa, uma busca, uma interrogação. Hoje é uma realidade, uma presença, não mais uma promessa […]”. Diferentemente de outros agentes de pastoral, os APNs, segundo o Pe. Toninho cultivam três posturas: a) tomada de consciência quanto a discriminação na sociedade; b) levar o debate sobre a questão do racismo para dentro das Igrejas, despertando-as para a tomada de consciência sobre o racismo internalizado, inclusive em suas práticas e procedimentos; c) alicerçar a luta contra o racismo e a discriminação a partir da experiência fundante de fé de cada integrante.

 

Ao longo destas três décadas os Agentes de Pastoral Negros do Brasil, contribuíram de forma considerável para a política anti-racista e de ação afirmativa no Brasil, dentre as quais podemos destacar as seguintes:

 

a) 1988 – Centenário da Abolição: abre-se um profícuo debate na nação sobre o resultado dos 100 anos do fim do regime escravista, momento que avaliam as condições socioeconômicas e políticas da população negra, a presença do racismo no Brasil, o uso de instrumentos políticos e ideológicos para manutenção da profunda hierarquia e desigualdade entre brancos e negros. Ao mesmo tempo, revisionamos o oficialismo das narrativas históricas sobre a presença do negro no Brasil, além de intensificar a presença do pensamento do movimento negro e antirracismo na narrativa histórica do Brasil. Nessa fase o mito da democracia racial é rigorosamente colocado em questão de forma massiva e para além dos muros das universidades.

 

b) 1995 – Tricentenário da Imortalidade de zumbi dos Palmares: movimento negro apresenta uma plataforma unificada para o Estado brasileiro e organiza uma caravana nacional para entregá-la à Presidência da República. O Estado reconhece oficialmente a presença do racismo e a necessidade de criar instrumentos políticos e institucionais para combatê-lo.

 

c) 2001 – Conferência Mundial contra o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerâncias Correlatas: unificam-se internacionalmente diagnósticos, princípios, diretrizes, estratégias, remédios teóricos, políticos e institucionais para combate ao racismo. Estabelecem as vítimas, a obrigatoriedade da intervenção dos Estados Nacionais para superação do racismo. Prevê reparações às populações vitimadas pelo escravismo e pelo colonialismo. O Brasil, além de signatário da Declaração de Durban e do Plano de Ação foi o grande protagonista desse processo. Governo e sociedade civil tiveram uma participação muito positiva contribuindo para o desfecho da Conferência. A partir de Durban várias propostas do movimento negro ganharam legitimadade.

 

d) 2003 – Instituição da SEPPIR: inicia o processo de maior incidência do Estado na implantação das políticas de igualdade racial: sanciona a Lei 10.639/03; pactua as políticas entre governo e sociedade civil através das Conferências de Igualdade Racial; sanciona o Estatuto da Igualdade Racial; sanciona a Lei de Cotas nas Universidades Públicas Federais. O movimento negro atinge um patamar positivo em matéria de ações afirmativas, eloquentemente prestigiadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). No momento, estamos diante de certo esgotamento e urge pensar novos objetivos, novas pautas e novos métodos para avançar na luta contra o racismo e seus nefastos efeitos. Diante disso, o movimento negro precisa elaborar mecanismos que permitam ampliar a presença de negros e negras nos espaços de poder, no âmbito do estado e da iniciativa privada.

 

Pela mística da negritude, os APNs, resgatam os valores afros, mantendo atitudes de fé e luta, no exercício de construção de um Brasil sem racismo e mais igual para todas e todos. Assim, muitas lutas da negritude têm encontrado no projeto dos APNs uma atenção toda especial.

 

O ano de 2013 será especial para os APNs. Ao longo deste ano temos que intensificar a luta para consolidar os espaços de poder, garantir as estruturas de promoção da igualdade racial, acompanhar o processo da reforma política, monitorar o Plano Juventude Viva, garantir uma ampla delegação na III CONAPIR e realizar a revisão do nosso plano de ação 2010-2020, entre outras ações.

 

Às vezes, como seres humanos que somos, escolhemos os caminhos tortuosos e inóspitos que parecem afastar de nossas lutas originárias, de companheiros e de ideais. Depois refazemos o rumo, retomamos a força, buscamos aqueles de quem nos afastamos e renovamos nosso comprometimento com justiça e equidade.

 

Não posso deixar de renovar junto aos nossos Malungos e Malungas o convite para a nossa grande Kizomba em Alagoas junto dos mártires da nossa história e subir a Serra da Barriga para renovar a nossa luta.

 

Esse momento esta sendo construído coletivamente e com muitas emoções, seja pelo resgate da história ou pelas condições políticas do momento. O instante é de desafios, provações, mas também de conquistas de novos espaços e consolidação da nossa agenda.

 

Oxalá nos permita avançar por águas profundas, unir esforços para vislumbrar novos tempos tanto de nossa militância consciente, organizada, com fé viva e garantia de luta.

 

Enfim, os APNs completam 30 anos e renovando a esperança de um futuro sem racismo e de muitas conquistas para a população negra.

 

 

(*) Nuno Coelho é atualmente coordenador nacional dos Agentes de Pastoral Negros do Brasil e Chefe da Representação Regional da Fundação Cultural Palmares no Estado de São Paulo.