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Noite Afro na 3ª feira de Carnaval em Maceió

28 de fevereiro de 2019 Deixe um comentário

É Carnaval! E a raça negra tem muito a contribuir com a maior festa popular do País, destacando toda a beleza da cultura afro alagoana.

Para celebrar com muita alegria o Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô realizará a “Noite Afro”, na terça-feira de Carnaval, dia 05 de março, às 19h, na Praia da Pajuçara, em Maceió. Será uma grande festa, encerrando os festejos, com apresentação dos blocos: Afro Afoxé, Maracatu Baque Alagoano e Afro Mandela. No palco, a folia será conduzida pelo show do grupo “Mulheres na Roda de Samba”, empoderando ainda mais este momento.

Durante o evento, acontecerá a Feira Afroempreendedoras com Olegário Turbantes, Camilete Arte em Linhas, Expressão de Estilo Biju e Tereza Cristina Artes. A “Noite Afro” faz parte da programação de Carnaval realizada pela Prefeitura de Maceió, através da Fundação Municipal de Ação Cultural (FMAC).

Este é o segundo ano, que o Anajô foi contemplado por edital, para realizar a “Noite Afro”, no Polo Praia – um dos oito polos descentralizados em bairros da Capital, selecionados por meio de chamadas públicas.

ENTRADA FRANCA!

 

Serviço:

Carnaval 2019 – Polo Praia com Noite Afro

Dia: 05/03/18 – terça-feira, às 19h

Local: Praia da Pajuçara (em frente ao Lopana) –  Av. Silvio Carlos Viana

Concentração dos Blocos: Bar do Pirata

Programação:

¨    Banda Afro Mandela;

¨    Banda Afro Afoxé.

¨    Maracatu Baque Alagoano

¨    Grupo Mulheres na Roda de Samba

¨    Feira Afroempreendedoras

Comunicação: (82) 99614-1658 – Salete Bernardo

E-mail: ascom.anajo@gmail.com

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ANGOLA JANGA, ANCESTRALIDADES E HONRAS

7 de fevereiro de 2019 Deixe um comentário

Helcias Roberto Paulino Pereira
Membro do Centro de Cultura e Estudos Étnicos ANAJÔ
Militante do Movimento Negro desde 1988

 

Poderia ser apenas um ato ou sentimento nostálgico de identificar a nova terra como “Pequena Angola”, ou simplesmente a sensação literal de “voltar pra terrinha”, ou ainda, remeter tudo isso ao passado na forma indubitável e singular de ser, de se organizar, resistir, lutar e viver. Angola Janga passou a ser de maneira imensurável uma utopia vital para se galgar uma longínqua experiência rumo ao inimaginável apogeu da liberdade.

A princípio tornaram-se imprescindíveis os rompimentos dos grilhões, tantos físicos, quanto psicológicos. Era preciso insurgir-se contra os opressores para terem de volta o mínimo necessário de dignidade humana, aliás, nem assim eram considerados (as) visto suas condições miseráveis de homens e mulheres escravizados (as), tratados (as) abruptamente como animais de carga, moedas de barganha, objetos de escambos, etc. etc. Lutar era mais que preciso!

Depois de aproximadamente trinta e três anos de resistência (1597-1630) e busca incansável por resiliência, o Quilombo dos Palmares finalmente mostrava-se aos governantes de Pernambuco que sua existência estava sem sombra de dúvidas sedimentada na Zona da Mata, cujos malungos desta feita aquilombados e livres, poderiam deleitar-se em Xirês (rodas e danças invocando Orixás, N´kises e Vodus) e Quizombas (grandes festas) por ser essa, uma expressão cultural eminentemente africana, considerando sua complexidade continental.

E assim, entre tempos de paz e alguns de guerra, Palmares que se tornou República livre, mesmo que edificada em montes íngremes repletos de “cafuas” e pequenos Mukambus, e se fortificou a cada dia ampliando sua população e se fazendo valer como um Estado independente dentro do Estado de Pernambuco.

Durante algumas décadas, seus habitantes passaram de três mil em média para mais de vinte mil, constituídos por agricultores, ferreiros, lenhadores, caçadores, conselheiros, guerreiros, e outros, cuja participação feminina apesar de em menor quantidade se fez forte e certamente com indiscutível equanimidade. As pindobas ou pindoramas assim chamadas pelos indígenas (grande quantidade de palmeiras) foram determinantes quanto a origem do nome do quilombo, mas foi a Serra do outeiro que se chamou Macacos, hoje SERRA DA BARRIGA a capital inconteste do grande Quilombo (Mukambu) dos Palmares, cuja extensão geográfica se expandiu para um raio superior a duzentos quilômetros quadrados em toda Zona da Mata, hoje, entre Pernambuco e Alagoas. Palmares, o grande Quilombo conseguiu manter-se organizado por um século quando sofreu sua grande derrocada na madruga do dia seis de fevereiro de 1694, entretanto, mesmo com o tombo fatal do seu último Comandante-em-chefe ZUMBI em vinte de novembro de 1695, ainda assim em meados de 1704, em pleno século XVIII Camuanga, Banga e Souza tentavam corajosamente fazer resistir a Saga de Palmares.

Subir o SOLO PALMARINO em vigília na madrugada do seis de fevereiro, tem sido uma forma singular do Movimento Negro Contemporâneo em todas as suas faces organizativas e representativas, enquanto momento de honras e homenagens aos ancestrais que sonharam, vivenciaram, resistiram e lutaram até o ultimo momento de suas vidas, pela verdadeira liberdade, aquela que se entranhou no solo tornando-o sagrado ao ser fecundado com todo sangue derramado dos guerreiros e guerreiras ali tombados.

Ancestralmente, não é motivo de choro nem lamento por causa da derrocada inaceitável, é de fato uma oportunidade impar de se refletir, entender e saudar todos os guerreiros e guerreiras ali martirizados e materializados no chão das entranhas da barriga da Serra, a qual se constitui hoje numa forma de Muxima, pulsando em cada um de nós que naturalmente nos deixamos enveredar pelas mesmas utopias do passado, na certeza que nossa liberdade está dentro de nossas mentes e corações. Sejamos guerreiros na luta e fortaleçamos a coletividade.

Viva Aqualtune dos Palmares e todos os Gangas, Viva Zumbi, Dandara e Andalaquituche.  Saravá N´Zambi!