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Archive for the ‘Religião’ Category

MACRO CRISTIANISMO

7 de março de 2016 Deixe um comentário

Por: Helcias Pereira

Ao longo dos meus quase 53 anos, sendo mais da metade atuando e militando inicialmente na Pastoral da Juventude do Meio Popular – PJMP e Comunidades Eclesiais de Base – CEBs, seguindo-se no Movimento Negro através dos Agentes de Pastoral Negros do Brasil – APNs, entidade pela qual tenho a honra de ser Coordenador Nacional na atualidade. Igualmente honra-me dizer que durante essa caminhada pude desfrutar dos mais memoráveis momentos de reflexão e confraternização intitulados em virtude do pertencimento étnico, como: Kizombas, Mushakás, Xirês de Malungos ou mais recentemente Tambores Falantes… Pude presenciar e vivenciar situações tanto desafiadoras quanto agradabilíssimas no tocante as relações étnicas, culturais, políticas e macrorreligiosas. E todas elas tornaram-se naturalmente momentos impares para se “beber da sabedoria” dos malungos e malungas que se fizeram sujeitos dessa história. Motivos pelos quais ainda continuo acreditando que vale a pena atuar e pertencer de fato e de direito. Pois bem, a narrativa acima serve apenas para atentar, positivamente é lógico, a um fato que pude recentemente VIVENCIAR. Vamos lá!…
No ultimo domingo de fevereiro de 2016 acompanhei minha esposa Marluce no culto da IGREJA BATISTA DO PINHEIRO em Maceió, após quase um mês em que ela se encontrava hospitalizada. Sabia do carinho e do amor que muitos daquela Comunidade de Fé demonstrariam com seu retorno, o que de fato constatou-se. No entanto, algo mais estaria prestes a acontecer para ampliar meu acervo de vivências extraordinárias.
Naquela manhã, anunciou-se que haveria durante o culto uma ASSEMBLEIA para que a Igreja tomasse uma importante decisão, e durante a pregação da Pastora Ódja Barros pude perceber quão iluminada foi ao reportar a todos sobre as primeiras Comunidades Cristãs no Ato dos Apóstolos. Suas palavras me provocaram imediata reflexão e lembranças do que um dia li sobre essas primeiras comunidades, suas articulações, confraternizações, conflitos e dificuldades em geral. No entanto, fez-me a Pastora Ódja reinteirar que tais comunidades eram verdadeiramente constituídas por grupos de seguidores de Jesus, a exemplo dos doze apóstolos.

Posteriormente outros grupos passaram a se reunir identificando seus dirigentes reconhecidos pelos demais, cujas localidades de oração também serviam para as reuniões e todos buscavam praticar a comunhão reforçada pela fé, sobretudo, partilhando seus bens. Essas comunidades uníssonas conviviam fraternalmente distribuindo seus serviços e aceitando os demais que a ela se apresentavam. Elas não se fechavam em si mesmas, mas ao contrário, em nome da sua maior liderança Jesus Cristo haveriam de testemunhar recorrentemente a Boa Nova com a presença do Espírito Santo. Não me cerceei em parabenizar a ilustre Pastora.
Continuando vi em pleno culto, o jovem Pastor Wellington na qualidade de Presidente declarar aberta a Assembleia, cujos membros efetivos da Igreja haveriam de referendar ou não, através do voto aberto uma RECOMENDAÇÃO do corpo diretivo daquela Comunidade de Fé. Leia-se, na presença de visitantes e/ou não associados como Eu por exemplo. A referida recomendação tratava-se de: SE A IGREJA BATISTA DO PINHEIRO DEVERIA OU NÃO ACEITAR MEMBROS HOMO-AFETIVOS NA SUA COMPOSIÇÃO ORGÂNICA. Pronto! Imaginei coisas e logo me questionei quando e em quais lugares seria possível isso acontecer, mediante tamanhas ideologias secularizadas, reforçadas pelo racismo, machismo, homofobia, e outros preconceitos correlatos.
Passei a observar os movimentos da equipe que conferia os votos, o olhar comedido do presidente que atentamente conduzia os trabalhos; o silêncio da maioria, bem como a inquietude de alguns, e no momento certo diante de um tema considerado historicamente complexo, evidenciado e debatido ao longo dos anos, abre-se a votação, e o que vi foi surpreendente. Uma comunidade unida através de um gesto, cuja grande maioria DELIBERAVA positivamente não apenas a inclusão, mas o acolhimento fraterno desses novos membros. Posteriormente quem usou a palavra para se referir ao resultado da votação, classificou-a como vitória incontestável do Amor de Deus.
Dizia um membro em sua cadeira de rodas: “Agradeço à Deus por está aqui neste dia. Pois para mim era uma questão de honra me fazer presente. O resultado da votação não é apenas pelos “meninos” ou pelas “meninas”, o resultado representa a verdadeira importância do amor e do respeito ao próximo”.
Ao término e bastante impactado com tudo o que vi e ouvi, cumprimentei algumas pessoas parabenizando pelo belíssimo resultado, pode constatar também surpreendentemente varias pessoas com os olhos encharcados de lágrimas dado a importância do acontecimento sem dúvida nenhuma, histórico e inabitual.
Sai maravilhado em saber que nem sempre a arrogância, a ignorância e a estupidez humana prevalecem em relação aos desafios de aceitação ao que é diferente ou mesmo inusitado. A Igreja Batista do Pinheiro que já tem uma Pastoral da Negritude como organismo interno, e tantos compromissos sócio-religiosos com várias comunidades carentes, inclusive no Sertão Alagoano, merece todo respeito e admiração. Merece o carinho e o reconhecimento enquanto uma verdadeira COMUNIDADE DE FÉ, sinergicamente aludida as primeiras Comunidades Cristãs. Isso para mim, que sou extremamente leigo, me faz ousar ao chamar de Macro Cristianismo.

Vida longa a Igreja Batista do Pinheiro!

Olorum Kolofé Axé!

* HELCIAS ROBERTO PAULINO PEREIRA
Coordenador de Formação do Centro de Cultura e Estudos Étnicos ANAJO / APNs-AL
Coordenador Nacional dos Agentes de Pastoral Negros do Brasil – APNs
Membro do Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial – CONEPIR

APNs participam de celebração na Serra da Barriga

8 de fevereiro de 2015 Deixe um comentário

Integrantes dos Agentes de Pastoral Negros do Brasil (APNs) em Alagoas participaram da celebração “De volta a Angola Janga” que significa “Minha terra” na madrugada do dia 06 de fevereiro, na Serra da Barriga em União dos Palmares. A atividade faz alusão à última grande guerra no Quilombo dos Palmares em 1694. Guerreiros e guerreiras quilombolas que lutaram até a morte por justiça e liberdade, porém, o massacre culminou na destruição da Cerca Real dos Macacos (sede administrativa e política do quilombo) e tornou-se símbolo de resistência negra mundial.  

Confira algumas imagens:

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Celebração: De volta a Angola Janga

4 de fevereiro de 2015 Deixe um comentário

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Marcha LGBT em Maceió

16 de dezembro de 2014 Deixe um comentário

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Nessa sexta-feira(19.12) das 8h às 12h30, no auditório do Sindicato dos Urbanitários (Rua Moreira e Silva, 54, – Farol, Maceió), acontecerá o seminário “Estado Laico – Sua Religião Não É Nossa Lei”, com a apresentação do trabalho de pesquisa “Cristianismo, Política e Crimininalização da Homofobia no Brasil” de autoria do Mestre em Psicologia Paulo Nascimento, em seguida, a conferência da Pastora e Educadora Odja Barros (Igreja Batista do Pinheiro).

A atividade é uma realização do Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô e Afinidades GLSTAL, respectivamente, vinculados aos Agentes de Pastoral Negros do Brasil (APNs) e a ong Grupo Gay de Maceió.

Também integra a programação da II Marcha Pelos Direitos LGBT 2014, no domingo (21) a partir das 15h, com concentração na Av. Antônio Gouveia na Praia de Pajuçara em direção a Praça Multieventos, onde a população LGBT e ativistas denunciarão os índices de assassinatos relacionados à homofobia, que foram levantados pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.

Esse é o momento propício para revindicar a efetivação de políticas públicas e o respeito ao direito de amar quem quiser. Mais informações e inscrições: marchalgbt.al@hotmail.com / (82) 8868.4838 – 9980.1099 –  9171.5115.

Parabéns malungos(as) pelos 30 anos!

14 de março de 2013 Deixe um comentário

Por: Helcias Pereira – Coordenador Nacional de Formação dos APNs e Presidente do Anajô

Como fogueirinhas os APNs se organizavam em inúmeros mocambos espalhados pelo Brasil, antes, sua maioria católica fazia ecoar ao som de tambores nos inúmeros encontros de formação, celebrações afros e mushakás, os cânticos:: “dança aí negro nagô”, “eu sou negro sim”, “ei meu pai quilombo” e outros. Ouvimos bispos como Dom Helder Câmara e Dom José Maria Pires (Dom Zumbi) clamando por “Mariama” para olhar e cuidar do seu povo, além de dizerem que não bastava a Igreja pedir perdão pelos males causados aos negros escravizados. Vimos padres e várias lideranças de congregações religiosas portando “filás” e “abadas” brancos e/ou coloridos; cantando e dançando circularmente ao som de tambores; abraçando com alegria e respeito o seu semelhante ao som do refrão “um abraço negro, um sorriso negro, trás felicidade…”. Posteriormente, era possível ver negros e não negros envolvidos nesse novo jeito de celebrar a vida, sobretudo, pessoas das Igrejas Batista, Metodista, Anglicana e principalmente das religiões de matriz africana.

Bastidores: Festa das Águas / Dia de Iemanjá (08.12.12)

10 de dezembro de 2012 Deixe um comentário

Confira algumas imagens desse momento de fé, luta contra a intolerância religiosa e valorização sócio-cultural. E integrantes do Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô/APNs prestigiaram esse momento importante. Axé!

 

Feliz Páscoa!

8 de abril de 2012 Deixe um comentário

O Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô/APNs-Alagoas deseja uma ótima páscoa para tod@s! Que a paz, o respeito e o amor ao próximo se propaguem todos os dias de nossas vidas! Páscoa significa renovação! Axé!