Arquivo

Posts Tagged ‘Ato público’

Ato público por manutenção do auxílio emergencial e vacina acontece em Maceió

18 de fevereiro de 2021 Deixe um comentário

Dos casos confirmados, 68% são pessoas negras (soma de pretos e pardos segundo o IBGE)

Um ato público pela manutenção do auxílio emergencial e vacina para todos aconteceu na manhã desta quinta-feira (18), em frente da Assembleia Legislativa de Alagoas, na praça D. Pedro II – Centro, representantes de entidades integrantes da Coalizão Negra Por Direitos em Alagoas.

68% da população acometida pela Covid-19 em Alagoas são negras e 71% que vieram a óbito também são negros.

O ato simbólico acontece em 19 estados com o objetivo a defender a manutenção do auxílio emergencial de R$ 600,00 até o fim da pandemia e por vacina para todos e todas pelo SUS.

De acordo com a jornalista e membro do Centro de Cultura e de Estudos Étnicos Anajô, Valdice Gomes, o documento elaborado pela Coalizão Negra é hoje, a maior articulação  do movimento negro no Brasil são 200 entidades participando e que vem denunciando o racismo e a falta de políticas públicas para a população negra no Brasil e do mundo.

A iniciativa foi justamente porque sabemos que diante das pesquisas a população negra é a mais afetada por essa pandemia, não só socioeconomicamente, mas também com a saúde, quem mais está infectada e e que mais morre da doença”, ressaltou Valdice.

Então no momento em que se discute redução do auxílio emergencial é um absurdo que a população tenha ainda que passar fome e mais dificuldade do que já está passando. O Brasil  já errou com relação a compra de vacinas, não tomou as providências necessárias, e agora estamos aí nessa segunda onda e a população morrendo. Então temos que lutar”, explicou.

Vanda Menezes, coordenadora do Movimento Coalizão Negra por Direitos, enfatizou que a falta do auxílio afeta principalmente os negros e o intuito é mobilizar deputados e vereadores para que se somem nesta luta e cumpram o seu papel. “É impossível sobreviver com R$ 200 por três meses, então nossa luta é que se estenda até o fim da pandemia. Nós queremos R$ 600 até o fim da pandemia, assim como o vacina que seja para todos pelo SUS”, declarou.

Ainda conforme Vanda Menezes, 68% da população acometida pela Covid-19 em Alagoas são negras e 71% que vieram a óbito também são negros.  “Queremos viver e ter comida na mesa, a nossa imunidade é importante para a sobrevivência”, destacou.

A manifestação faz parte de uma série de atos que a Coalizão Negra por Direitos realiza hoje em frente às Assembleias Legislativas Estaduais e Câmaras Municipais em todo o país.

COALIZÃO NEGRA

A Coalizão Negra por Direitos, uma organização composta por 200 entidades dos movimentos negros vai protocolar, nas casas legislativas, documentos que exijam a criação de ações de combate à miséria, como a implementação do auxílio emergencial estadual e municipal, a retomada do auxílio emergencial federal de R$ 600 até o fim da pandemia e a vacinação em massa para todas e todos pelo Sistema Único de Saúde.

O mundo ultrapassou a marca de 106 milhões de pessoas diagnosticadas com Covid-19 e mais de dois milhões e trezentos mil óbitos. No Brasil, oficialmente, passamos de 9,5 milhões de casos e mais de 230 mil vítimas fatais, número que corresponde a mais de 10% das mortes pela doença em todo o planeta. O Brasil é o segundo país no mundo que mais tem mortes em decorrência da pandemia. A cada grupo de mil pessoas, uma morreu por complicações causadas pelo novo coronavírus no país. A maioria dessas vidas poderia ter sido poupada, caso o governo brasileiro tivesse adotado os procedimentos recomendados pela Organização Mundial da Saúde – OMS. Um ato deliberado que conduziu uma tragédia humanitária, provocado por decisões políticas da presidência.

COVID EM ALAGOAS

Em Alagoas, dados do Informe Epidemiológico do Centro de Informações Estratégicas e Resposta em Vigilância em Saúde (CIEVS-AL), de 16 de fevereiro, apontam que os casos confirmados de Convid-19 em Alagoas já somam 125.676, com 2.883 óbitos, sendo a maioria da população negra. Dos casos confirmados, 68% são pessoas negras (soma de pretos e pardos segundo o IBGE). Com relação ao número de óbitos, o índice de negros atingidos é ainda maior, chegando a 71% das mortes.

A subnotificação é uma realidade a ser considerada quando se trata dos números da Covid-19 no Brasil. Estudos apontam que as mortes provocadas pela doença são entre 30 e 50% superiores aos dados oficiais, considerando consistentes informações de que o vírus circula em território nacional desde novembro de 2019. Nesse período, houve um aumento de mortes provocadas por quadros de síndromes respiratórias. Além disso, muitos óbitos ocorreram nas residências das vítimas e muitas dessas não entraram nos registros oficiais. Dados do IBGE apontam que o país tem mais de 13 milhões de pessoas na extrema pobreza, aquelas que, de acordo com o Banco Mundial, vivem com até R$ 151 por mês. E quase 52 milhões na pobreza, com renda de até R$ 436 por mês.

RACISMO

A dinâmica de contaminação e mortalidade da Covid-19 espelha o histórico de racismo e segregação que se perpetua em nossa sociedade e se materializa na enorme desproporção, tanto em números de pessoas infectadas, como pela elevada mortalidade na comunidade negra urbana e rural. Somos nós, povo negro, moradoras e moradores de regiões periféricas, faveladas, quilombolas, pescadores e de comunidades tradicionais, ribeirinhas e em situação de vulnerabilidade social, sem dúvidas, o segmento populacional mais afetado pela doença.

Essa tragédia de mortes causadas pela Covid-19 no Brasil é fruto da política de morte implementada pelo governo Bolsonaro. É uma agenda desse governo de extrema-direita, declaradamente racista e inimigo dos direitos humanos. Um estudo da Faculdade de Saúde Pública da USP e da Conectas Direitos Humanos mapeou a resposta jurídica emitida pelo governo em relação à epidemia e concluiu que o governo atuou de forma efetiva pela disseminação do vírus e sob a liderança do presidente da república. O governo brasileiro incorreu em graves violações dos direitos humanos, muitas delas que reverberam em crimes de responsabilidade, e mostrou que essas violações tinham alvo: as populações negras e indígenas, segmentos historicamente invisibilizados pelo Estado Brasileiro. Foi com base nesses aspectos jurídicos e políticos que a Coalizão Negra por Direitos protocolou uma das dezenas de pedidos de impedimento do presidente Bolsonaro, ainda em agosto de 2020.

A Coalizão Negra por Direitos exige:

  • Ampla cobertura vacinal;
  • Imediata retomada do Auxílio Emergencial até o fim da pandemia e consequente aprovação de uma Renda Básica permanente, sem prejuízo do Bolsa Família;
  • Fortalecimento dos Benefícios de Prestação Continuada;
  • Atendimento a todos os protocolos de proteção determinados pela Organização Mundial de Saúde enquanto perdurar a pandemia;
  • Erradicação da política genocida do governo contra a população negra e indígena;
  • Fim da Emenda Constitucional 95 que retirou investimentos da saúde e provocou o sucateamento do Sistema Único de Saúde – SUS (perdemos 18 bilhões de investimentos somente em 2019).

Fonte: Tribuna Independente – 19/02/2021 – Página 11

https://tribunahoje.com/noticias/cidades/2021/02/18/ato-publico-por-manutencao-do-auxilio-emergencial-e-vacina-acontece-em-maceio/

TV Pajuçara – Religiosos fazem protesto no Fórum de Maceió

4 de dezembro de 2012 Deixe um comentário

Entidades protestam e acusam prefeitura de intolerância religiosa

4 de dezembro de 2012 Deixe um comentário

Vanessa Alencar e Railton Teixeira

Alagoas24horas

Entidades protestam e acusam prefeitura de intolerância religiosa

Entidades protestam e acusam prefeitura de intolerância religiosa

Um grupo de representantes de entidades religiosas, do movimento negro e outras instituições realizou um ato público na tarde desta segunda-feira, 3, no Fórum Jairon Maia Fernandes, no Barro Duro, em protesto contra a determinação da Prefeitura de Maceió em limitar o horário e o espaço das manifestações das religiões de matrizes africanas no próximo dia 8 de dezembro, Dia de Nossa Senhora da Conceição ou Iemanjá.

O grupo ingressou com Mandado de Segurança junto à 17ª Vara Cível para garantir a liberdade da celebração religiosa e das atividades afro-culturais na Praça Multieventos, onde a prefeitura autorizou a realização do show gospel “Maceió de joelhos”.

Segundo os representantes das religiões de matrizes africanas, o espaço foi solicitado com antecedência por eles, mas, o pedido foi indeferido pela Secretaria Municipal de Controle e Convívio Urbano (SMCCU).

Após protocolar o Mandado de Segurança, o grupo formado por cerca de 50 pessoas seguiu ao som de músicas africanas em direção a Promotoria do Ministério Público Estadual, onde foram recebidos pela promotora Marluce Falcão.

Helcias Pereira, integrante do Conselho Nacional  da Promoção da Igualdade Racial, disse que várias articulações já estão ocorrendo junto aos órgãos de defesa dos assuntos africanos e das pessoas negras. “A posição da Prefeitura de Maceió é de intolerância religiosa e fere a Constituição, principalmente o Estatuto da Igualdade Racial”, afirmou, acrescentando que até a próxima quinta-feira, 6, a Ouvidoria do Conselho irá acionar o Governo do Estado para que ele se posicione em relação as determinações da Prefeitura.

Benedito Jorge, da Pastoral Negra da Igreja Batista do Pinheiro afirmou que, embora no dia 8 de dezembro seja comemorado o Dia de Iemanjá, infelizmente, por intolerância religiosa, sempre há o confronto entre as religiões do cristianismo e as de matrizes africanas. “Não tem nada a ver a prefeitura instituir um show evangélico no dia 8. Com isso, a prefeitura coloca a comunidade evangélica em confronto com a comunidade afro”, lamentou.

O pai de santo Paulo Silva, presidente da Federação das Matrizes Africanas resumiu o desejo do grupo: “Só queremos um espaço para reverenciar o nosso culto. Não vemos nada demais nisso”, afirmou, lembrando que esse é o segundo ano consecutivo que, pelas mesmas razões, a Prefeitura de Maceió entra em confronto com representantes das religiões de matrizes africanas.

SMCCU nega intolerância

No final da tarde, a Prefeitura, por meio da SMCCU divulgou uma Nota à imprensa esclarecendo que nunca houve a intenção de discriminar, de nenhuma forma, os praticantes das religiões de matriz africana e repudiando qualquer tipo de intolerância religiosa.

Segundo a SMCCU, o propósito das determinações da Prefeitura é o de organizar as festividades na orla marítima de Maceió, garantindo a preservação do patrimônio público, a liberdade e a segurança de todos os cidadãos.

Ainda de acordo com a Nota, no dia 26 de novembro foi marcada uma reunião entre a SMCCU, o Ministério Público Estadual e os representantes dos grupos religiosos para que fosse firmado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre as partes, mas, não houve o comparecimento dos líderes religiosos, o que impossibilitou um acordo.

De acordo com informações da SMCCU, em novembro do ano passado, houve uma reunião entre os representantes religiosos e diversos órgãos da administração municipal, onde ficaram acordados as normas e horários das manifestações na orla.

“A preocupação da SMCCU e todos os órgãos da Prefeitura é o de manter a ordem e o bem-estar social, proporcionando espaço para todos os cidadãos, sejam eles praticantes das religiões de matriz africana ou não”, encerra a nota.

(Atualizada às 17h30)

Fonte: Com Ascom SMCCU

Galeria de Imagens

Entidades protestam e acusam prefeitura de intolerância religiosa
Entidades protestam e acusam prefeitura de intolerância religiosa
Entidades protestam e acusam prefeitura de intolerância religiosa
Helcias Pereira, integrante do Conselho Nacional da Promoção da Igualdade Racial
Pai de santo Paulo Silva, presidente da Federação das Matrizes Africanas

Ato contra a intolerância religiosa em Maceió

3 de dezembro de 2012 Deixe um comentário

Temos que continuar lutando por respeito à liberdade de cultos.  A celebração realizada por diversas casas de axé no dia 08 de dezembro em homenagem à Iemanjá, na orla de Maceió, não pode desaparecer e não podemos mais aceitar a arbitrariedade da Prefeitura em definir horários e locais para realizar as oferendas.

O Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô, vinculado aos Agentes de Pastoral Negros do Brasil (APNs), apóia as manifestações afro-culturais e participa das ações de protesto realizadas pelos religiosos de matrizes africanas, simpatizantes e outras representações do movimento negro alagoano.

Basta de Intolerância Religiosa!

http://sphotos-a.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-ash4/381767_113346972163399_984601196_n.jpg

APNs denunciam o extermínio da juventude negra

15 de julho de 2011 1 comentário

Lideranças jovens de vários estados percorreram as principais ruas de Campinas (SP). Mesmo sendo uma manifestação pacífica, policiais militares tentaram cercear a liberdade de expressão

 

Texto e fotos: Helciane Angélica – Jornalista e integrante dos APNs

               

Na tarde de quinta-feira (14.07), os participantes do 1º Encontro Nacional da Juventude dos Agentes de Pastoral Negros do Brasil (APNs) fizeram a Caminhada “APNs na Luta contra o Genocídio e Extermínio da Juventude Negra” pelas principais ruas do Centro de Campinas (SP) que foi encerrada em frente à Prefeitura Municipal.

 

A concentração aconteceu no Largo do Pará onde ocorreu a confecção de faixas e cartazes, com frases de impacto sobre a luta da população negra em busca de políticas públicas. Na caminhada, tiveram vários depoimentos referentes a importância do engajamento da juventude nos movimentos sociais e denúncias sobre o grande índice de jovens negros mortos em todo o país, o analfabetismo e miserabilidade que atingem diretamente a população negra. “É triste saber que em cada 100 jovens assassinados, 73 são negros e pobres. Temos que mobilizar toda a sociedade contra a violência e a exploração da juventude negra”, exaltou Nuno Coelho, coordenador nacional dos APNs.

Durante todo o percurso, os manifestantes também tiveram que resistir a opressão de militares, onde por várias vezes tentaram cercear a liberdade de expressão. “Nós estávamos na praça, já vi a cavalaria e um carro da Guarda Municipal, depois chegaram outras viaturas que foram nos seguindo, e para encerrar apareceu o helicóptero Águia da Polícia Militar. É um absurdo tudo isso que aconteceu, aqui, já teve ato público com mais de 1000 pessoas e nunca teve um aparato policial tão expressivo” declarou Maria Aparecida do Carmo, coordenadora do Mocambo de Campinas.

 

As tentativas em acabar o ato pacífico, acirraram os ânimos e chamou ainda mais a atenção da população campineira. “Porque será que na nossa manifestação a Polícia para? Se fosse um ato com brancos, ninguém parava! Somos gente como vocês, pagamos os impostos e também temos que exigir os nossos direitos”, indagou Sara, jovem APN do Estado de Minas Gerais.

 

Participam do Encontro, cerca de 50 lideranças jovens oriundas dos estados de Alagoas, Espírito Santo, Maranhão, Minas Gerais, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Tocantins e São Paulo. O Encontro Nacional da Juventude APNs segue até domingo (17.07).