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Entrevista com Helcias Pereira sobre os 30 anos dos APNs

3 de julho de 2013 Deixe um comentário

Confira o Programa Pauta Especial, da TVE Alagoas, gravado no dia 29/04/13. O ativista Helcias Pereira abordou sobre a importância e atuação dos Agentes de Pastoral Negros do Brasil (APNs), entidade do Movimento Social Negro que completou 30 anos de existência em 14 março de 2013.

Carta Mensal: Maio de 2013

12 de maio de 2013 Deixe um comentário

apns

AGENTES DE PASTORAL NEGROS

Conscientização, Organização, Fé e Luta

São Paulo, 10 de Maio de 2013

Companheiros(as) da Fé e da Luta,

Saudações fraternas!

Nossos corações ainda estão saudosos das comemorações alusivas aos 30 Anos de nossa entidade. Ser APNs é bom demais!

Certamente alguns ainda se recuperam da longa viagem, porém embalados pelas boas lembranças do que significou pisar o solo sagrado do Quilombo dos Palmares junto com o povo negro vibrante e cheio de expectativas do que viria pela frente, na madrugada serena da Serra da Barriga. Mais emocionante foi prestar homenagem aos nossos ancestrais e dar um grande abraço no símbolo maior da história de luta e resistência de nossos guerreiros da causa Palmarina. Nestes dias pudemos viver na prática a experiência do que deveria ser a educação africana e afro-brasileira para nossas crianças.

Um dos grandes objetivos desta estada em Alagoas foi marcar de forma significativa a nossa caminhada de Agentes de Pastoral Negros do Brasil. Mas também mexer com a emoção, com as lembranças, com os sonhos, com o intelecto e principalmente com a autoestima de cada um. A noite no teatro foi memorável e emocionante.

Meus queridos malungos,

O sentimento de pertença agora deve ser ainda maior, beber daquela fonte e inundar com toda aquela energia foi mais que um presente, foi um convite à reflexão. Será que estou no caminho certo? Será que minha militância valeu apena até aqui? Será que já completei minha jornada? Essa resposta só você poderá dar após suas próprias analises.

De nossa parte a luta continua, ainda este ano realizaremos dois momentos importantes e bem direcionados, o primeiro será com os APNs que trabalham com a educação mais diretamente, a Eles ofereceremos um Seminário Nacional sobre “Educação e Negritude: Avaliando a Prática da Lei 10.639 na sua Década de Vigência”.

O outro momento será direcionado as lideranças, Coordenação Ampliada e Coordenadores de Mocambos para uma Plenária Nacional “Goiânia + 3 – Avanços e Desafios no Plano Político dos APNs para o Decênio“. No momento oportuno e após a elaboração dos referidos projetos a nossa Secretaria Executiva dará mais detalhes sobre esses dois momentos.

O importante é estarmos embalados pelo momento e não perdermos o foco da nossa agenda.

Gostaria ainda de voltar a refletir com vocês sobre a III Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial – (IIICONAPIR) prevista para acontecer de 5 a 7 de novembro do ano corrente, em Brasília, tendo como tema “Democracia e Desenvolvimento sem Racismo – por um Brasil Afirmativo”.

Os APNs de todo o Brasil deverão estar atentos às etapas preparatórias e empreender esforços para elegermos uma das maiores delegações para a etapa final. Assumir compromissos de contribuir com a construção das Conferências Municipais; Regionais e Estaduais. Vestir a camisa dos APNs e ir a campo para incidir na pactuação das políticas afirmativas em nossas bases, no dialogo com o Governo Municipal, Estadual e Federal e estar atento ao monitoramento das políticas públicas, só assim haveremos de ter democracia e desenvolvimento para a população negra no Brasil. A oportunidade esta dada, não podemos perder tempo com embates e nem provocações menores, mas mostrar o quanto somos participantes da construção de um novo Brasil.

Malungos e Malungas,

Nossa luta continua e as nossas homenagens ainda não acabaram, devemos muito a essa entidade e a tudo o que ela significa para nós. Os Estados que ainda não realizaram atividades alusivas aos 30 Anos procurem realizar alguma ação, isso ajuda a animar a nossa militância.

Nuno Coelho

Coordenador Nacional

 

ALAGOAS – Nossos agradecimentos

9 de maio de 2013 Deixe um comentário

Logo_APNs30 Anos_by_Helberth OliveiraDe 1º a 5 de maio, teve a grande celebração em homenagem aos 30 anos dos Agentes de Pastoral Negros do Brasil (APNs), nas cidades alagoanas de Maceió e União dos Palmares.

O Estado de Alagoas foi escolhido para sediar a programação final do ano festivo da entidade nacional devido a importância histórica de luta e a busca por justiça e direitos humanos que teve início com o Quilombo dos Palmares. Participaram da organização desse importante momento, os integrantes dos mocambos ANAJÔ, ESPERANÇA e AGOSTINHO, além de amigos e familiares.

Também tivemos parceiros/patrocinadores essenciais: Seppir, Escritório Regional da Fundação Cultural Palmares, Governo de Alagoas, Prefeitura de Maceió, Prefeitura de União dos Palmares, Prefeitura de Viçosa, União Geral dos Trabalhadores (UGT), Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Universidade Estadual de Alagoas (Uneal), Centro Universitário Cesmac, Instituto Zumbi dos Palmares (IZP), Cojira/Sindjornal, Sinteal, Sebrae, Casal, Braskem, Vereadora Fátima Santiago, Vereadora Tereza Nelma, Deputado Federal Paulão.

Com certeza, foi um momento emocionante e que ficará na mente dos malungos(as) por vários anos. Agradecemos a presença de todos os participantes, das pessoas que vieram de 14 estados, convidados internacionais (Moçambique, El Salvador, Espanha e Cabo Verde), personalidades políticas e lideranças de segmentos afros locais.

Esperamos que os APNs torne-se ainda mais fortalecido.

Obrigado a tod@s! Axé!

Carta Mensal – Abril/2013

14 de abril de 2013 Deixe um comentário

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São Paulo, 13 de Abril de 2013

 

Malungos e Malungas,

Companheiros e Companheiras de Fé e Luta!

 

Nesta Carta Mensal, desejo continuar à refletir com vocês o significado do papel que os Agentes de Pastoral Negros do Brasil tiveram nessas três décadas no processo de conscientização e descoberta da negritude em diversos Estados, grupos, pessoas levando o negro a entrar no seu mundo real e assumir uma nova postura diante de si, da vida e da sociedade.

Esta mudança vai marcar a saída de uma posição de não aceitação do seu ser negro, para uma posição de gostar de ser negro e a valorizar os elementos próprios da negritude em especial a cultura, a vestimenta, a fé a partir da experiência e do encontro pessoal de cada um.

Este reconhecer-se negro devolve-lhe a identidade, algo tão difícil de ser recuperado para o negro. Num primeiro momento essa descoberta fica a nível pessoal, passando depois a assumir uma nova dimensão na sua vida: a comunitária, a da militância coletiva.  Dai para diante o retrocesso eu diria, é algo impossível. Ainda me recordo emocionado a minha chegada nos APNs, e ai já se vão nove anos. Depois de muitos conflitos, análises, reflexões, perdas e ganhos, ainda assim o vício do PERTENCIMENTO me dominou completamente e aqui estou para testemunhar que a minha valorização como pessoa, como cidadão, como militante apaixonado por essa causa e sobretudo, pela minha entidade, me faz chegar hoje ao comprometimento total com os Agentes de Pastoral Negros.

Outro ponto importante e que é uma marca da nossa caminhada de APNs é este assumir-se completamente que tem implicações na vivência da fé a partir desde dado, na comunidade negra se começa a perceber formas concretas e elementos da manifestação de Olorun (Deus) na vida do povo negro. O identificar-se como negro e negra ao resgatar sua dignidade converte-se no sentido de liberdade, isso favorece a descoberta da proposta de Olorun (Deus) para todos nós.

Essa conscientização da nossa negritude e a recuperação da nossa identidade e pertença aos APNs tem um momento muito forte, que é quando se retoma a história do nosso povo negro. A começar pelo tráfico de africanos para o Brasil, gravo na memória até hoje as tristes imagens da Ilha de Goré no Senegal de onde partiram os últimos navios negreiros para o país, enfim os horrores da escravidão até a situação de povo marginalizado hoje. Dentro dessa caminhada constatou-se no passado a necessidade de organizações de luta e contestação ao regime de opressão instaurado aos negros na América Latina, em especial no Brasil. Assim entre outras organizações surgimos também nós imbuídos do desejo da organização, fé e luta.

Companheiros e Companheiras,

Três décadas se passaram e aqui estamos nós, para rever a história, fazer memória, lembrar os que passaram, chorar os que se foram e deixaram suas marcas.

Em minhas andanças pelo Brasil, tenho encontrado nossos Griôs, alguns cansados ou ainda em forma de combater o bom combate; nossa juventude aguerrida e sonhadora; nossas mulheres aguerridas e capazes de agrupar, dinamizar, animar nossos Mocambos; nossos malungos na luta cotidiana para vencer os preconceitos e sonhar por um país mais justo e humano. Os APNs tem percorrido seu caminho sempre amparado pelo combate ao racismo e os preconceitos, a capacitação humana e social, a descoberta de novas lideranças, o despertar da negritude, a expressão cada vez mais ampla da inter-religiosidade.

Nosso projeto político surge dessa dinâmica própria do ser APNs e é nele que está pautada toda nossa ação para essa década. Embora estejamos na fase da celebração dos nossos 30 anos ao longo deste ano, não podemos deixar de seguir trilhando nossa jornada pelo empoderamento do povo negro. A III Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (IIICONAPIR), prevista para acontecer de 5 a 7 de novembro deste ano, em Brasília, tendo como tema “Democracia e Desenvolvimento sem Racismo: por um Brasil Afirmativo”. Os APNs de todo o Brasil deverão estar atentos às etapas preparatórias e empreender esforços para elegermos uma das maiores delegações na etapa final.

Nosso trem esta partindo rumo à Alagoas com parada final na estação central de União dos Palmares, a Serra é nosso destino final para renovar o nosso PERTENCIMENTO e oxigenar a nossa militância e descermos mais fortes e mais irmanados na luta cotidiana.

No axé e na esperança!

                       

Nuno Coelho

Coordenador Nacional

Coordenador Nacional dos APNs participa de reunião geral dos 30 anos

2 de abril de 2013 Deixe um comentário

 

 

No período de 3 a 6 de abril, Nuno Coelho, Coordenador Geral  dos Agentes de Pastoral Negros do Brasil (APNs) estará em Alagoas para se reunir com o Comitê Estadual de Organização da celebração dos 30 anos que ocorrerá em maio.

Esse será um momento importante para definir as estratégias e encaminhamentos finais do evento; além de avaliar a infraestrutura que já estar garantida e definir as equipes de trabalho. Também serão articuladas visitas de cortesia em órgãos públicos e parlamentares.

A reunião geral acontecerá no dia 05 de abril (sexta-feira), a partir das 16h, no auditório da Fundação Municipal de Ação Cultural (FMAC/Prefeitura de Maceió).

Bastidores: Cerimônia de dez anos da Seppir

24 de março de 2013 Deixe um comentário

Confira algumas imagens de Helcias Pereira, Coordenador Nacional de Formação dos APNs e Presidente do Anajô, durante a solenidade em homenagem aos 10 anos da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, realizada em Brasília, no dia 21 de março.

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Helcias Pereira representa sociedade civil na cerimônia da Seppir

23 de março de 2013 Deixe um comentário

577101_545222522189730_1934978227_nNessa quinta-feira, 21 de março, ocorreu em Brasília a cerimônia em homenagem aos 10 anos da Secretaria de Políticas na Promoção da Igualdade Racial (Seppir). Na atividade, o ativista alagoano Helcias Pereira, foi escolhido para representar a sociedade civil que faz parte do Conselho Nacional de Políticas para Igualdade Racial (CNPIR).

Atualmente, Helcias é o Coordenador Nacional de Formação dos Agentes de Pastoral Negros do Brasil (APNs) e Presidente do Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô, e nos encheu de alegria e orgulho, ao representar nossa entidade nesse importante evento.

Confira abaixo o seu discurso:

Teatro Nacional – Brasília (DF) – 21 de março de 2013.

Prezados (as) malungos e malungas (companheiros e companheiras de caminhada)

Senhores e senhoras,

No dia de hoje, 21 de março de 2013, deveríamos fechar nossos olhos mesmo que por alguns segundos apenas, para fazermos uma rápida reflexão da imensurável importância desta data. Poderíamos reproduzir em nossas mentes, os vários flashes que nos permitiriam reviver uma série de fatos imprescindíveis para a nossa autotransformação, sobretudo pela condição de sujeitos da história, que somos.

Obviamente, sendo esta data o Dia Internacional Pela Eliminação do Racismo, por ocasião do massacre ao povo negro Sul-Africano em 1960, fato em que parte do mundo repudiou o regime segregacionista do Apartheid, apontando para uma possível mobilização mundial de combate ao racismo, não nos faz refletir outra imagem, se não a de centenas de homens, mulheres e crianças sendo atingidas por balas assassinas comandadas pela tirania hegemônico-militar daquele país. Neste caso, nossa reflexão deve ser de pesar e de solidariedade permanente aos que sofreram as irreparáveis e profundas dores tanto físicas quanto morais, vitimadas pelo racismo.

Em relação ao nosso querido Brasil, com dimensão absolutamente continental, não podemos nem devemos esquecer as lamúrias que nossos povos negros e indígenas passaram durante o colonialismo e depois da Lei Áurea em 1888, quando sem qualquer política de Estado foram condicionados a viver sem direito a terra, educação, saúde e a todas as políticas capazes de proporcionar  vida digna ao povo que literalmente construiu esta nação.

Por décadas nosso povo lutou derramando suor e sangue em busca da transformação deste país; tentou ecoar seu grito de liberdade, fomentando grupos de base, fortalecendo as organizações, se inserindo nas instâncias político-sindical-cultural e econômica, no entanto, o preconceito e as discriminações continuaram segregando a nossa gente e alimentando essa chaga repudiável que e o RACISMO.

Nas últimas décadas, o Movimento Negro Nacional  fez um papel de extrema relevância para o processo de mudança na história deste país.   Seu envolvimento conjunto e constante nas lutas, protagonizou grandes marchas e caminhadas, congressos, seminários e outros de igual importância; evidenciou-se nesta contextualidade, um processo de perseverança e imensurável coragem de valorosos negros petistas que com determinação articularam a criação deste órgão que se transformou no símbolo de luta pela igualdade racial, e foi justamente no dia 21 de março de 2003 que os brasileiros puderam celebrar a grande conquista que foi a criação da Secretaria Nacional de Políticas pela Promoção da Igualdade Racial – SEPPIR.

São dez anos de aprendizados, organicidades, desafios e conquistas; dez anos de fomento e construção de novas etapas, de novas histórias, novos valores. A SEPPIR, bem como o CNPIR advêm dos sonhos, das esperanças, dos compromissos da caminhada, e principalmente das lutas daqueles que sempre acreditaram nesse instrumento de transformação.

Temos absoluta certeza que o então presidente Lula não encamparia essa proposta, se de fato não houvesse uma importância real e vital para a promoção de políticas públicas direcionadas para a igualdade racial. Essa certeza é redobrada quando vivenciamos por conta da importância da SEPPIR os diversos momentos históricos com suas devidas conquistas, exemplificadas pelos diversos marcos legais, a exemplo da criação da Lei 10.639/2003 que infelizmente ainda precisa ser efetivada; A Política Nacional de Saúde Integral da População Negra; o Programa Brasil Quilombola, o Plano Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, a Lei 12.888/2010 que instituiu o Estatuto da Igualdade Racial, outras leis e sanções defendendo as Cotas, a exemplo da votação histórica no STF aprovando por unanimidade as Cotas nas Universidades, dentre outras.

Acredito que neste dia 21 de março de 2013, na luta internacional pela Eliminação do Racismo, é necessário que comemoremos os dez anos da SEPPIR, por entendermos que a mesma é o sonho e a conquista do nosso povo, portanto: em nome da sociedade civil que compõe o pleno do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial – CNPIR, conselho este ao qual tenho a honra de integrar e conviver com tantas lideranças nacionais, cujas entidades representam a força dos movimentos: cito: APNs, UNEGRO, ANCEABRA, REDE AMAZÔNIA NEGRA, CNAB, EDUCAFRO, CEAP, PAB/CNBB, CENARAB, ENEGRECER, AMNB, FNMN, CONAQ, CUT, UGT, ABPN: FENAFAL, UNE,    COMUNIDADE CIGANA (CEDRO),  COMUNIDADE JUDAICA (CONIB),  COMUNIDADE ÁRABE (Fepal), bem como, as três companheiras do Notório Conhecimento nas Questões Raciais:

Nesse contexto, quero render homenagens a Ministra da SEPPIR – Srª Luiza Bairros e toda sua Equipe; a Presidenta da República Srª Dilma Roussef, bem como, o ex-presidente Lula que sancionou a criação da SEPPIR, e ainda, render homenagens também a todos que passaram e fizeram sua parte na SEPPIR, a exemplo da Ex-Ministra Matilde Ribeiro, dos Ex-ministros Edson Santos e Eloi Ferreira, naturalmente com suas respectivas equipes de trabalho.

Neste ensejo, quero agradecer profundamente ao Pleno do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial que referendou o meu nome para honrar este momento aqui de todos, e com carinho e emoção estendo esse agradecimento em nome dos AGENTES DE PASTORAL NEGROS DO BRASIL – APNs entidade do Movimento Negro Nacional presente em doze Estados da Nação, cuja organização galgou o ápice dos seus trinta anos no ultimo dia 14 de março de 2013, e que está contando os dias para realizar a sua grande Kizomba no período próximo de 01 a 05 de maio em Alagoas, na Terra de Zumbi dos Palmares, celebrando a sua história de organização, fé e luta, com seus malungos e malungas no solo sagrado da Serra da Barriga, bebendo o axé dos ancestrais quilombolas palmarinos e fortalecendo ainda mais a sua caminhada de combate ao racismo e em defesa da igualdade  Racial no nosso Brasil.

Axé povo de Zumbi! Axé SEPPIR! Axé CNPIR.

Helcias Roberto Paulino Pereira

Representante do Agentes de Pastoral Negros do Brasil no Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial– CNPIR / SEPPIR.

APNs: 30 anos de fé e luta pela Igualdade Racial

10 de março de 2013 Deixe um comentário

Por: Nuno Coelho (*)

Este é um mês particularmente especial para os Agentes de Pastoral Negros do Brasil (APNs). Diante dos desafios cotidianos, por vezes, corremos o risco de não celebrar com a merecida importância a chegada dos nossos 30 anos, que celebraremos quinta-feira, dia 14 de março.

 

Nesta carta mensal resgato um pouco da nossa história e a sua relação frutuosa com o movimento social e a redemocratização do Brasil.

 

A trajetória dos APNs sempre esteve ligada diretamente a questão da fé como elementos fundamentais para salvaguardar entre outras coisas dos valores do povo negro. Esse elemento, juntamente com sua cosmovisão e práxis solidária, trouxe para a comunidade negra uma rica contribuição. A participação junto às Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) possibilitou que negros e negras podia manifestar sua fé de forma concreta e comprometida e foi a partir daí que se deu a ampliação da consciência dos problemas que afligiam a vida dos empobrecidos e que despontou a questão do racismo e da discriminação racial. A percepção de que a discriminação racial e o racismo agravavam ainda mais a situação da população negra trouxe novos desafios para os negros na Igreja.

 

Ao me preparar para as comemorações dos 30 Anos dos APNs me propus a reler alguns artigos dos nossos fundadores e lideranças, verdadeiras heranças biográficas. Em uma delas me deparei com o diálogo dos fundadores, os padres Batista, Toninho e Edir, no viaduto do Chá, na cidade de São Paulo, sobre a necessidade que na época aparecia como cada vez mais evidente que era de se fazer algum trabalho com os negros e negras atuantes nas igrejas. A partir desta demanda, os três, resolveram então convocar o primeiro encontro com os interessados, não importando de que religião ou denominação cristã pertencessem. Três eram os critérios de participação: viver uma experiência religiosa de fé, ser um agente de pastoral, isto é, ser atuante; e, assumir-se como negro ou negra. O embrião do que seriam os APNs mais tarde estava sendo preparado a partir daquele histórico diálogo.

 

O encontro ocorrido no Convento dos Carmelitas, na rua Martiniano de Carvalho reuniu oitenta e três pessoas. Algumas coisas ficaram evidentes desde aquele primeiro momento, e uma delas foi a convicção de que um trabalho na perspectiva pastoral com a população negra só pode ser realizada na abertura e na prática ecumênica. Desde este primeiro momento e ao longo dos anos a agenda da entidade foi seguindo um caráter social e político, que foi consolidando os APNs como uma organização social do movimento negro.

 

Como afirma o Pe. Toninho em seus textos, os “APNs na década de 80 eram uma promessa, uma busca, uma interrogação. Hoje é uma realidade, uma presença, não mais uma promessa […]”. Diferentemente de outros agentes de pastoral, os APNs, segundo o Pe. Toninho cultivam três posturas: a) tomada de consciência quanto a discriminação na sociedade; b) levar o debate sobre a questão do racismo para dentro das Igrejas, despertando-as para a tomada de consciência sobre o racismo internalizado, inclusive em suas práticas e procedimentos; c) alicerçar a luta contra o racismo e a discriminação a partir da experiência fundante de fé de cada integrante.

 

Ao longo destas três décadas os Agentes de Pastoral Negros do Brasil, contribuíram de forma considerável para a política anti-racista e de ação afirmativa no Brasil, dentre as quais podemos destacar as seguintes:

 

a) 1988 – Centenário da Abolição: abre-se um profícuo debate na nação sobre o resultado dos 100 anos do fim do regime escravista, momento que avaliam as condições socioeconômicas e políticas da população negra, a presença do racismo no Brasil, o uso de instrumentos políticos e ideológicos para manutenção da profunda hierarquia e desigualdade entre brancos e negros. Ao mesmo tempo, revisionamos o oficialismo das narrativas históricas sobre a presença do negro no Brasil, além de intensificar a presença do pensamento do movimento negro e antirracismo na narrativa histórica do Brasil. Nessa fase o mito da democracia racial é rigorosamente colocado em questão de forma massiva e para além dos muros das universidades.

 

b) 1995 – Tricentenário da Imortalidade de zumbi dos Palmares: movimento negro apresenta uma plataforma unificada para o Estado brasileiro e organiza uma caravana nacional para entregá-la à Presidência da República. O Estado reconhece oficialmente a presença do racismo e a necessidade de criar instrumentos políticos e institucionais para combatê-lo.

 

c) 2001 – Conferência Mundial contra o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerâncias Correlatas: unificam-se internacionalmente diagnósticos, princípios, diretrizes, estratégias, remédios teóricos, políticos e institucionais para combate ao racismo. Estabelecem as vítimas, a obrigatoriedade da intervenção dos Estados Nacionais para superação do racismo. Prevê reparações às populações vitimadas pelo escravismo e pelo colonialismo. O Brasil, além de signatário da Declaração de Durban e do Plano de Ação foi o grande protagonista desse processo. Governo e sociedade civil tiveram uma participação muito positiva contribuindo para o desfecho da Conferência. A partir de Durban várias propostas do movimento negro ganharam legitimadade.

 

d) 2003 – Instituição da SEPPIR: inicia o processo de maior incidência do Estado na implantação das políticas de igualdade racial: sanciona a Lei 10.639/03; pactua as políticas entre governo e sociedade civil através das Conferências de Igualdade Racial; sanciona o Estatuto da Igualdade Racial; sanciona a Lei de Cotas nas Universidades Públicas Federais. O movimento negro atinge um patamar positivo em matéria de ações afirmativas, eloquentemente prestigiadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). No momento, estamos diante de certo esgotamento e urge pensar novos objetivos, novas pautas e novos métodos para avançar na luta contra o racismo e seus nefastos efeitos. Diante disso, o movimento negro precisa elaborar mecanismos que permitam ampliar a presença de negros e negras nos espaços de poder, no âmbito do estado e da iniciativa privada.

 

Pela mística da negritude, os APNs, resgatam os valores afros, mantendo atitudes de fé e luta, no exercício de construção de um Brasil sem racismo e mais igual para todas e todos. Assim, muitas lutas da negritude têm encontrado no projeto dos APNs uma atenção toda especial.

 

O ano de 2013 será especial para os APNs. Ao longo deste ano temos que intensificar a luta para consolidar os espaços de poder, garantir as estruturas de promoção da igualdade racial, acompanhar o processo da reforma política, monitorar o Plano Juventude Viva, garantir uma ampla delegação na III CONAPIR e realizar a revisão do nosso plano de ação 2010-2020, entre outras ações.

 

Às vezes, como seres humanos que somos, escolhemos os caminhos tortuosos e inóspitos que parecem afastar de nossas lutas originárias, de companheiros e de ideais. Depois refazemos o rumo, retomamos a força, buscamos aqueles de quem nos afastamos e renovamos nosso comprometimento com justiça e equidade.

 

Não posso deixar de renovar junto aos nossos Malungos e Malungas o convite para a nossa grande Kizomba em Alagoas junto dos mártires da nossa história e subir a Serra da Barriga para renovar a nossa luta.

 

Esse momento esta sendo construído coletivamente e com muitas emoções, seja pelo resgate da história ou pelas condições políticas do momento. O instante é de desafios, provações, mas também de conquistas de novos espaços e consolidação da nossa agenda.

 

Oxalá nos permita avançar por águas profundas, unir esforços para vislumbrar novos tempos tanto de nossa militância consciente, organizada, com fé viva e garantia de luta.

 

Enfim, os APNs completam 30 anos e renovando a esperança de um futuro sem racismo e de muitas conquistas para a população negra.

 

 

(*) Nuno Coelho é atualmente coordenador nacional dos Agentes de Pastoral Negros do Brasil e Chefe da Representação Regional da Fundação Cultural Palmares no Estado de São Paulo.

Convocatória: Coordenadores estaduais encaminhem suas informações

17 de fevereiro de 2013 Deixe um comentário

Atenção, Malung@s!

A Comissão Organizadora da celebração dos 30 anos dos Agentes de Pastoral Negros do Brasil (APNs), mais uma vez, solicita a contribuição dos coordenadores estaduais no envio de informações até o dia 28 de fevereiro de 2013.

Cada Quilombo Estadual dos APNs deve enviar  o questionário preenchido sobre a atuação dos grupos de base (mocambos), quantidade de membros, projetos de destaque, áreas de atuação, contribuições no desenvolvimento de políticas públicas, principais parceiros e 15 fotos no máximo.  Esses dados serão utilizados na exposição de banners e no catálogo especial.

Em relação aos homenageados(as) para a Noite Okê Odum – expressão que significa “A graça do ano” – que ocorrerá no dia 02 de maio de 2013, no Teatro Deodoro em Maceió(AL), cada Estado poderá fazer até duas (2) indicações, além de enviar uma foto e um breve currículo. Podem ser escolhidos:

  • Um(a) integrante dos APNs de reconhecida contribuição para a trajetória da entidade em seu Quilombo Estadual.
  • Uma personalidade, membro-benemérito ou organização que tenha contribuído no seu Estado para o fortalecimento dos APNs ao longo desses 30 anos de atuação nacional.

Todo o material deve ser encaminhado para o email: onganajo@hotmail.com. E também auxiliará  o trabalho da Comissão de Comunicação e Mobilização da entidade nacional.

BLOG

Outro ponto em destaque, é que o blog oficial do evento encontra-se disponível para os membros dos APNs! Encaminhem fotos históricas sobre os surgimento de mocambos nos estados; artigos; relatos sobre a importância da entidade; e envio de material correspondente ao ano de 1995, durante os 300 anos de Zumbi e o XIV Encontro Nacional que foi a última atividade de âmbito nacional no Estado de Alagoas.

Comitê Estadual de Organização –  APNs 30 anos

 

Fonte: http://apns30anos.blogspot.com/

Oficina nacional dos APNs-Brasil discute políticas públicas para a juventude

1 de fevereiro de 2013 Deixe um comentário

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O evento reúne um grupo seleto de lideranças jovens oriundas de várias partes do país

Por: Helciane Angélica

Jornalista e Coordenadora Nacional de Comunicação e Mobilização/APNs

jovens.apnsA Associação Cultural dos Agentes de Pastoral Negros do Brasil (APNs) realiza em Curitiba (PR), no período de 31 de janeiro a 3 de fevereiro de 2013, uma oficina nacional intitulada: “A inserção da Juventude APNs no monitoramento das Políticas Públicas de juvenil no Enfrentamento à mortalidade da juventude negra”.

Estão presentes lideranças jovens que representam vários estados do Brasil, e de acordo com Nuno Coelho, Coordenador Geral dos APNs, “os jovens foram escolhidos pelo compromisso com a entidade, o espírito de liderança, o tempo de caminhada e o perfil dinâmico de cada um”, disse.

Já o coordenador nacional de Juventude da entidade, Eduardo Dutra, defende que essas atividades além de servir para o aprofundamento de conhecimentos, contribuem diretamente com o protagonismo juvenil.

Estamos aqui para agregar, elaborar e desenvolver ações de monitoramento e instrumentos de reflexão e formação permanente sobre as políticas para juventude, em especial juventude negra. Jovem APNs é aquele que não se limita, que se refaz, que se redescobre e se potencializa. E na atual conjuntura, é importante que o jovem negro seja um agente de transformação”, destacou o coordenador.

O evento é uma realização dos Agentes de Pastoral Negros (APNs) por meio da Comissão Nacional de Juventude, e conta com o apoio da Fundação Friedrich Ebert do Brasil (FES).

Programação

Dentre as temáticas a serem discutidas estão: A participação nas políticas públicas para a juventude; Juventude APNs: Possibilidades e Expectativas; Juventude APNs: Afetividade, Sexualidade e Pertencimento; Um novo momento para a juventude no Brasil; Projeto de prevenção à violência contra a juventude negra (Plano Juventude Viva). Também está previsto a exibição do vídeo “Preto contra branco” produzido pela FES.

No encerramento, os participantes irão expor suas opiniões na plenária para definir a linha de ação que as jovens lideranças desenvolverão em suas bases (mocambos). Tem o intuito de garantir uma atuação pró-ativa para a juventude: desenvolver ações de monitoramento e instrumentos de reflexão e formação permanente; conhecer as iniciativas governamentais em curso, que são implementadas pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) em parceria com a Secretaria Nacional de Juventude.

Juventude Negra

Atualmente no Brasil, os homicídios são a principal causa de morte de jovens entre 15 a 29 anos e atingem especialmente jovens negros do sexo masculino, moradores das periferia e áreas metropolitanas dos centros urbanos. Para diminuir os altos índices que representam um extermínio da juventude negra, o Governo Federal lançou a primeira fase do Plano Juventude Viva em setembro de 2012, na cidade de Maceió (AL). Saiba mais no site: www.juventude.gov.br/juventudeviva/o-plano.