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ANGOLA JANGA, ANCESTRALIDADES E HONRAS

7 de fevereiro de 2019 Deixe um comentário

Helcias Roberto Paulino Pereira
Membro do Centro de Cultura e Estudos Étnicos ANAJÔ
Militante do Movimento Negro desde 1988

 

Poderia ser apenas um ato ou sentimento nostálgico de identificar a nova terra como “Pequena Angola”, ou simplesmente a sensação literal de “voltar pra terrinha”, ou ainda, remeter tudo isso ao passado na forma indubitável e singular de ser, de se organizar, resistir, lutar e viver. Angola Janga passou a ser de maneira imensurável uma utopia vital para se galgar uma longínqua experiência rumo ao inimaginável apogeu da liberdade.

A princípio tornaram-se imprescindíveis os rompimentos dos grilhões, tantos físicos, quanto psicológicos. Era preciso insurgir-se contra os opressores para terem de volta o mínimo necessário de dignidade humana, aliás, nem assim eram considerados (as) visto suas condições miseráveis de homens e mulheres escravizados (as), tratados (as) abruptamente como animais de carga, moedas de barganha, objetos de escambos, etc. etc. Lutar era mais que preciso!

Depois de aproximadamente trinta e três anos de resistência (1597-1630) e busca incansável por resiliência, o Quilombo dos Palmares finalmente mostrava-se aos governantes de Pernambuco que sua existência estava sem sombra de dúvidas sedimentada na Zona da Mata, cujos malungos desta feita aquilombados e livres, poderiam deleitar-se em Xirês (rodas e danças invocando Orixás, N´kises e Vodus) e Quizombas (grandes festas) por ser essa, uma expressão cultural eminentemente africana, considerando sua complexidade continental.

E assim, entre tempos de paz e alguns de guerra, Palmares que se tornou República livre, mesmo que edificada em montes íngremes repletos de “cafuas” e pequenos Mukambus, e se fortificou a cada dia ampliando sua população e se fazendo valer como um Estado independente dentro do Estado de Pernambuco.

Durante algumas décadas, seus habitantes passaram de três mil em média para mais de vinte mil, constituídos por agricultores, ferreiros, lenhadores, caçadores, conselheiros, guerreiros, e outros, cuja participação feminina apesar de em menor quantidade se fez forte e certamente com indiscutível equanimidade. As pindobas ou pindoramas assim chamadas pelos indígenas (grande quantidade de palmeiras) foram determinantes quanto a origem do nome do quilombo, mas foi a Serra do outeiro que se chamou Macacos, hoje SERRA DA BARRIGA a capital inconteste do grande Quilombo (Mukambu) dos Palmares, cuja extensão geográfica se expandiu para um raio superior a duzentos quilômetros quadrados em toda Zona da Mata, hoje, entre Pernambuco e Alagoas. Palmares, o grande Quilombo conseguiu manter-se organizado por um século quando sofreu sua grande derrocada na madruga do dia seis de fevereiro de 1694, entretanto, mesmo com o tombo fatal do seu último Comandante-em-chefe ZUMBI em vinte de novembro de 1695, ainda assim em meados de 1704, em pleno século XVIII Camuanga, Banga e Souza tentavam corajosamente fazer resistir a Saga de Palmares.

Subir o SOLO PALMARINO em vigília na madrugada do seis de fevereiro, tem sido uma forma singular do Movimento Negro Contemporâneo em todas as suas faces organizativas e representativas, enquanto momento de honras e homenagens aos ancestrais que sonharam, vivenciaram, resistiram e lutaram até o ultimo momento de suas vidas, pela verdadeira liberdade, aquela que se entranhou no solo tornando-o sagrado ao ser fecundado com todo sangue derramado dos guerreiros e guerreiras ali tombados.

Ancestralmente, não é motivo de choro nem lamento por causa da derrocada inaceitável, é de fato uma oportunidade impar de se refletir, entender e saudar todos os guerreiros e guerreiras ali martirizados e materializados no chão das entranhas da barriga da Serra, a qual se constitui hoje numa forma de Muxima, pulsando em cada um de nós que naturalmente nos deixamos enveredar pelas mesmas utopias do passado, na certeza que nossa liberdade está dentro de nossas mentes e corações. Sejamos guerreiros na luta e fortaleçamos a coletividade.

Viva Aqualtune dos Palmares e todos os Gangas, Viva Zumbi, Dandara e Andalaquituche.  Saravá N´Zambi!

 

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CONVOCATÓRIA – FORMAÇÃO (14.02.16)

6 de fevereiro de 2016 Deixe um comentário

SERRA DA BARRIGA

Atenção malung@s do Anajô/APNs-AL!

No dia 14 de fevereiro (domingo) em nossa sede, teremos uma formação importante sobre o Quilombo dos Palmares e o Parque Memorial Quilombo dos Palmares localizado no platô da Serra da Barriga em União dos Palmares (AL).

Esse é o momento de fortalecermos o projeto Palmares in loco! A atividade será iniciada às 8h e o encerramento previsto para às 12h.

Quem puder, leve frutas e lanche para tomarmos café juntos e a manhã ser mais produtiva.

Abraço
Helciane Angélica- Secretaria Geral e de Comunicação

APNs participam de celebração na Serra da Barriga

8 de fevereiro de 2015 Deixe um comentário

Integrantes dos Agentes de Pastoral Negros do Brasil (APNs) em Alagoas participaram da celebração “De volta a Angola Janga” que significa “Minha terra” na madrugada do dia 06 de fevereiro, na Serra da Barriga em União dos Palmares. A atividade faz alusão à última grande guerra no Quilombo dos Palmares em 1694. Guerreiros e guerreiras quilombolas que lutaram até a morte por justiça e liberdade, porém, o massacre culminou na destruição da Cerca Real dos Macacos (sede administrativa e política do quilombo) e tornou-se símbolo de resistência negra mundial.  

Confira algumas imagens:

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Celebração: De volta a Angola Janga

4 de fevereiro de 2015 Deixe um comentário

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20 de novembro – Mais um dia de luta e resistência

20 de novembro de 2014 Deixe um comentário

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Serra da Barriga – solo sagrado e palco da resistência negra (Foto: Helciane Angélica / 2012)

O 20 de novembro – Dia Nacional da Consciência Negra e de Zumbi dos Palmares – é mais um dia de luta por igualdade racial e justiça social. É um dia de reflexão e exaltação da história e cultura afrobrasileira, um momento importante para renovarmos o compromisso na valorização do pertencimento étnico.

Palmares in loco para jornalistas

8 de abril de 2014 Deixe um comentário

No último sábado(05.04),  ocorreu uma edição especial do projeto Palmares in loco produzido pelo Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô na Serra da Barriga em União dos Palmares(AL).  A atividade foi apoiada pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Alagoas (Sindjornal) e destinou-se a um grupo de jornalistas que estavam participando do 36º Congresso Nacional em Maceió.

Estiveram presentes profissionais comprometidos com a igualdade racial oriundos de sete estados, foram eles: Angélica Basthi, Sandra Martins e Dulce Tupy (RJ); Jacira (DF); Flavio Carrança e Rosane Borges (SP); Jeanice Ramos e Ricardo (RS); Douglas Dantas (ES); Vera Godoi e Verônica Pimenta (MG); Pinheiro Sales, Luis Claudio e Weber Felix (GO).

Coube a Helcias Pereira – Vice presidente do Mocambo Anajô, coordenador nacional de formação dos APNs e membro do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR) – apresentar todos os espaços temáticos e contemplativos do Parque Memorial Quilombo dos Palmares, além de repassar as explanações históricas sobre a organização sócio-política e militar no Quilombo dos Palmares.

Confira algumas imagens:

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Registro fotográfico – 30.03.14

31 de março de 2014 Deixe um comentário

Mais um momento marcante na Serra da Barriga em União dos Palmares: passeio com capoeiristas, formação e homenagem para guardas florestais… que foi realizada de forma simples, mas, com muito carinho e gratidão.

 

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