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Bastidores: Uma pro santo (27.11.11)

28 de novembro de 2011 Deixe um comentário

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“UMA PRO SANTO” supera expectativas do Anajô/APNs

28 de novembro de 2011 Deixe um comentário

Por: Helciane Angélica

Jornalista / Integrante do Anajô / Coordenadora Estadual dos APNs-Alagoas

Descontração, ambiente agradável, samba e pessoas legais… foram os ingredientes primordiais para o evento “Uma pro santo – Feijoada entre amig@s”! A atividade ocorreu no domingo (27.11), no bar/restaurante Sertão e Mar localizado no bairro do Poço em Maceió. Foi uma realização do Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô – entidade vinculada aos Agentes de Pastoral Negros do Brasil (APNs) – e todo recurso arrecadado será destinado para a estruturação da sede.

Na ocasião, além da feijoada – um dos pratos afro-brasileiros mais emblemáticos, desenvolvido pelos negros escravizados durante o período colonial – teve chequetê (bebida africana), sorteio de brindes e a apresentação artística do grupo “Da moda antiga” que mesclou sambas tradicionais e pagodes da atualidade.

A banda existe há quatro anos e nasceu após a realização da oficina de percussão Batukatu no bairro de Ipioca, onde reuniu cerca de 50 crianças e adolescentes que aprenderam a tocar vários instrumentos. Atualmente, é composta pelos músicos Regis Curió (vocal e pandeiro), Cícero (vocal e cavaco), Juliana (rebolo ou tantã), Anderson (vocal), Leandro (vocal e surdo) e Mike (violão).

Estiveram presentes familiares e amigos dos integrantes do Anajô; representantes do Mocambo Esperança/APNs, Maracatu Baque AlagoanoCentro de Educação Ambiental São Bartolomeu (Ceasb)Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Alagoas (Sindjornal); a Vereadora Fátima Santiago com membros do seu gabinete, que também apoiou financeiramente o evento.

A atividade que celebrou o mês da consciência negra surpreendeu as expectativas dos organizadores, pois teve um público bem diversificado e amplo, e muitas pessoas só saíram do local à noite. Outro ponto positivo foi a valorização e explicação do termo “Uma pro santo”, uma tradição de origem africana que representa na sua essência um ato de agradecimento para devolver a terra aquilo que ela nos deu (leia o artigo de Helcias Pereira).

Esse foi o primeiro, e o Anajô pretende realizar outros “Uma pro santo” próximos às datas simbólicas da luta do povo afro-descendente. Aguardem … que tal: “Uma pro santo – caldinhos entre amig@s” ou “Uma pro santo – churrasquinho entre amig@s”, ou ainda, “Uma pro santo – milho, quentão e amig@s”???

Muito obrigado a tod@s que estiveram presentes e aos malungos e malungas (companheir@s de luta) que não puderam ir, mas, mandaram seu axé e até ajudaram na divulgação.

 

Observação: Também aceitamos sugestões e críticas construtivas, envie para o email onganajo@hotmail.com

UMA CULTURA, UM GESTO… VITAIS PARA A ORALIDADE AFRODESCENDENTE

26 de novembro de 2011 1 comentário

Por: Helcias Pereira (*)

 

No passado em uma das comunidades da costa africana, margeando o Oceano Atlântico, uma tribo se preparava para celebrar a união de um jovem casal e a família inteira se envolvia para construir o novo lar. Por ordem do patriarca eram cortadas algumas palmeiras em número ímpar, nunca se cortava apenas uma, nem tão pouco muitas sem a real necessidade.

A palmeira era considerada sagrada porque de tudo se aproveitava! Do tronco que se transformava em sustentáculos para o pequeno “mukambu” (lugar de moradia), bem como, suas folhas que serviam na cobertura, das amêndoas faziam o azeite e temperavam os alimentos através do seu leite, e o palmito era saboreado, principalmente, durante a festa do casamento.

Durante esse período aconteciam “mushakas” (momentos de encontro com o criador), onde as famílias dançavam, cantavam e agradeciam a “Olorum” pelo novo feito. O patriarca deixava uma parte da palmeira (entre o troco e a parte do palmito) emergida sobre folhas, e a seiva que “chorava” ou “sangrava” era amparada por uma gamela, sendo recolhida no tempo certo pelos mais velhos.

Eis que ao recolher a seiva fermentada, constatava-se uma maravilhosa bebida, mais tarde chamada de vinho do palmar, ou simplesmente vinho da palma. No início da festa era apresentado aos presentes, e os mais velhos iniciavam a partilha onde todos portavam consigo suas “quengas”, e após cada um(a) pegar seu bocado, todos eram convidados a erguer as mãos ao alto, cujo patriarca mais velho, agradecia a Olorum pelas dádivas da Mãe Terra, levando a todos derramarem parte da bebida ao chão em forma de oferenda e agradecimento aos ancestrais por terem aprendido e ensinado aos seus em fazer essa maravilhosa bebida que ao som dos tambores e muita dança, misteriosamente causava um êxtase de felicidade a toda comunidade.

Nos tempos atuais, mediante tantas estratégias de aculturação, o povo negro pode até não saber dessa origem, no entanto, o gesto de derramar um pouco de bebida ao chão, ou seja: derrama UMA PRO SANTO não é em vão, mas ainda que sem suas raízes, permanece viva na memória e enriquece a oralidade que resiste.

 

(*) Helcias Pereira

Membro Diretor do ANAJÔ – APNs/AL

Membro da Equipe Técnica do CEASB/AL

Coord. Nacional de Formação dos APNs

Conselheiro do CNPIR/SEPPIR

Anajô realiza “Uma pro santo” em novembro

6 de novembro de 2011 Deixe um comentário

 

Contatos: (82) 8862-3942 / 9919-0080 / 8831-3231